quinta-feira, 14 de maio de 2026

bocado

 


Bocado

 

De uns tempos para cá, sem avisos,

devoro-me sem pressa

delicada

aos bocadinhos

Literalmente... sem direito a alegorias e fantasias

observo minha carne rebelar-se e enlouquecer

Células loucas e cansadas já não se sentem parte pertencente

ao meu corpo,

minhas inimigas mortalmente inócuas

e cheias de más intenções, devem ser deglutidas

Então, dona do meu próprio tempo, cronológica e titânica,

arranco sem dentes os pequenos pedaços

revoltados

Tornando assim real o meu destino final:

devorar-me por inteiro

Consumir-me heroica e rival de mim mesma,

Bocado a bocado

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