Bocado
De uns tempos para cá, sem avisos,
devoro-me sem pressa
delicada
aos bocadinhos
Literalmente... sem direito a alegorias e fantasias
observo minha carne rebelar-se e enlouquecer
Células loucas e cansadas já não se sentem parte pertencente
ao meu corpo,
minhas inimigas mortalmente inócuas
e cheias de más intenções, devem ser deglutidas
Então, dona do meu próprio tempo, cronológica e titânica,
arranco sem dentes os pequenos pedaços
revoltados
Tornando assim real o meu destino final:
devorar-me por inteiro
Consumir-me heroica e rival de mim mesma,
Bocado a bocado
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