quinta-feira, 14 de maio de 2026

canibal




Se estrujan mis sentidos

No puedo despertar

Mi cuerpo ya curtido

Quiere reintentar

Acuchillar mis miedos

Dejarlos desangrar

Desenchufar todos mis dedos

Llegar a algún lugar

Estando arriba

Y era mentira

Estoy suspendida

La altivez me perseguía

No la supe detener

Cuando todo decrecía

Encontré como trascender

Abriendo cual cirugía

Fui descociendo mi ser

Consumiendo en carne viva

A quien quise pretender

Estando arriba

Y era mentira

Estoy sumergida

Mientras me iba hundiendo

Un cuerpo fue devorado

El corazón desplumado

En mí estaba latiendo

Estando arriba


bocado

 


Bocado

 

De uns tempos para cá, sem avisos,

devoro-me sem pressa

delicada

aos bocadinhos

Literalmente... sem direito a alegorias e fantasias

observo minha carne rebelar-se e enlouquecer

Células loucas e cansadas já não se sentem parte pertencente

ao meu corpo,

minhas inimigas mortalmente inócuas

e cheias de más intenções, devem ser deglutidas

Então, dona do meu próprio tempo, cronológica e titânica,

arranco sem dentes os pequenos pedaços

revoltados

Tornando assim real o meu destino final:

devorar-me por inteiro

Consumir-me heroica e rival de mim mesma,

Bocado a bocado

terça-feira, 10 de março de 2026

rien nada nothing

 









dever

 


dever

 

Deveria

Assustar-nos a nossa gigantesca insignificância

Pois de tudo somado que somos                                                   resta pouco

Presos às telas mais parvos que nunca

sem ideias e palavras para elas

sem paixões para além das ostensivas aparências

balões inflados seguimos a flutuar sem rumo

E no final das contas de um punhado de atos ocos

Somos e temos a profundidade

do nada