terça-feira, 10 de março de 2026

rien nada nothing

 









dever

 


dever

 

Deveria

Assustar-nos a nossa gigantesca insignificância

Pois de tudo somado que somos                                                   resta pouco

Presos às telas mais parvos que nunca

sem ideias e palavras para elas

sem paixões para além das ostensivas aparências

balões inflados seguimos a flutuar sem rumo

E no final das contas de um punhado de atos ocos

Somos e temos a profundidade

do nada

quinta-feira, 13 de novembro de 2025

A Distância


 

Meu querer sem querer

 







Meu querer sem querer


Sem querer, quero

Sem pensar e

sem saber dos porquês do meu parvo querer;

me estranho.

E desconheço o teimoso sentimento

que insiste em baixinho sussurrar...

Sinto, sinto... ainda sinto

SauDaDes crônicas de você,

meu bem-querer.

Num descuido, mergulho no nosso oceano de sentimentos perdidos.

Ressaco em ondas.


quarta-feira, 3 de setembro de 2025

creep


 

hOMEM

 


hOMEM

Estás desnudo diante de meus olhos pela primeira vez

És homem

Apenas de carne e ossos feito deitado no teu leito

Sob a luz dos de(s)feitos

Desfeitos

foram todos os enfeites que com zelo por anos teu corpo adornei

foram rasgadas a facadas as vestes de carinho feitas

sem calças

És homem

Como todos os outros homens desta e doutras terras

Nada mais da multidão vasta o aparta

És homem

Apenas um homem

Sem que eu possa a ti presentear adjetivos

És homem sem flores, sem fantasias...

E eu.

Eu conheço um sentimento que não conhecia

ao ver-te, sem sonhos,

homem

 

sábado, 9 de agosto de 2025

Multiplicação

 


Multiplicação

Carne da minha carne

Carne da minha carne

Carne da minha carne

Multiplicada, caminho fora de mim

Muito para além do onde um dia poderei com meus próprios pés ir

Feitos de parte do meu barro

E assim criados para que o Mundo finalmente faça algum sentido para mim

Trilham seus caminhos meninos e meninas

       Que têm meu amor desde o começo,

                                                                        Amor maior sem fim

Alma da minha alma

Alma da minha alma

Alma da minha alma

Várias vezes multiplicada minha alegria de estar viva agiganta por nossos laços;

Abraços pelo tempo aperfeiçoados

Obra mais bonita de Cronos que enquanto me desgastava os fez,

diante dos meus olhos, homens e mulheres para o mundo futuro criados

Deus cruel, ensinou-me o amor

                                                                                                                                                           ilimitado

incondicional

irracional

amor desconhecido até então, até que todos os seus olhos se abriram

e eu,

eu conheci o que é o verdadeiro medo.

                                                                                                                                                desespero