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quarta-feira, 16 de julho de 2025

Um Tempo

 


Um Tempo

O tempo passa rápido. Passa. Todos nós ouvimos isso vez ou outra ao longo da vida e não damos muita importância ao tal vilão enquanto somos jovens. Verdade. E a verdade é que realmente não devemos dar muita importância a tal passagem do tempo. Dane-se o tempo. Somos quem somos, não o deixaremos de ser com a tal passagem de anos mesmo que eles se multipliquem às centenas.

Sou a mesma. Numa versão aperfeiçoada por dentro; verdade. Não tenho saudades da velha Mari e seus medos e angústias. A vida agora é muito melhor sem nenhuma sombra de dúvida, mesmo que muitas coisas que eu amava já não façam parte da minha vida como antes faziam. Noitadas à deriva... não; obridadinha.

Sou a mesma. Numa versão muito piorada por fora. Verdade também. E isso me assusta um pouco; às vezes, muito. E em momentos de fraqueza, vez ou outra, batem saudades grandes do corpinho que eu habitava aos 25, aos 30 e muitos, e até aos 40 e poucos... Pois, sou uma alma pequena e apegada à matéria. Uhh; falta-me o desapego que apenas as almas elevadas têm. Sou mesmo tosca e ver a mudança física para pior incomoda.

Entretanto, mesmo assim, um tanto parva, envelhecer me assusta muito menos do que imaginava. E isso é ótimo! As doenças ainda não chegaram. Ok, ok... as costas doem um pouco em alguns dias. O tal do climatério me bagunça e faz com que eu tenha que me adaptar a um organismo em rebeldia. Um saco! Contudo, para quem já passou pela pré-adolescência, viver a “pré-envelhecência” é molezinha. Garanto.

O fato é que, de fato, não há o que temer apenas e simplesmente pela passagem do tempo. A vida é assim. Florescemos e depois viramos pequenas sementes para futuras flores, dando, assim, espaço à nova vida. E isso é muito bom e bonito de perceber. Hoje, para além de muito que ainda quero ver e fazer, dá-me imenso prazer acompanhar o florescimento das minhas sementes. Lindas.

E quando algo me aperta o peito. Depois de ter visto tanto tempo passar, eu já aprendi a dar um tempo para que tudo passe.

segunda-feira, 14 de abril de 2025

Todos os Beijos para a Fran

 


Todos os Beijos para a Fran

 

Uma semana depois e ainda não sabemos o que dizer, e por isso dissemos muita besteira. Uma semana depois da sua despedida prematura, querida amiga, e não sabemos o que pensar, o cérebro parece embriagado ainda pela surpresa terrível. Uma semana sem Fran aqui conosco e o coração não sabe o que sentir. Tristeza, claro. Raiva, um pouco. Carência, muita. Saudades, nem sabemos medir.

Fran, não estávamos prontos para um mundo sem você. De forma alguma. Sem avisos, sem porquês conhecidos, você partiu e nos deixou órfãos de irmã. Irmã amiga, irmandade escolhida por nós, as capivaras, porque a família de coração se faz ao longo da vida. Se faz com tudo que se vive. Com as risadas que não sabemos medir, com momentos bons e ruins nos quais estávamos juntos, com colos e abraços desmedidos. Vimos namoros e separações, conquistas e desilusões, formaturas, casamentos, nos multiplicamos e novas capivarinhas vieram. Vivemos juntos, viramos adultos juntos.

Amore, não sabemos como estar sem você. A verdade é esta. Para mim, sobra o amargor de não ter estado contigo quando eu devia este ano. Perdão amiga, me arrependo muito. E sabe, Fran, a única coisa que temos certeza e de que uma pessoa ímpar nos deixou. Nenhum de nós tem a sua paciência, o seu caráter pacificador, a sua capacidade de se doar e perdoar. O seu bom humor eterno e a sua risada cheia de vida.

Vamos sentir tantas saudades querida. Beijos e beijos pra ti. Todos os beijos para ti aí no céu.

Te cuida, amiga!

 

domingo, 16 de março de 2025

Na Mata

 


Na mata

O verde invadiu seus olhos míopes tão intensamente que os óculos de Ana pareciam não ter mais razão de ser. A mata era muito mais poderosa do que muitos acreditavam ser com suas árvores infinitas de galhos eretos cantando aos céus e raízes agarradas a terra com paixão.

Ana pensava compreender as árvores, e as sentia como quem sente a presença da família; como um abraço acalentador. Na mata ela estava em casa, e por isso a viagem de carro pela serra lhe parecia tão bom quanto chegar ao destino. Porque através da janela do carro a visão era inacreditável: a Mata Atlântica oceânica.

Sentirei saudades da mata quando não puder mais vê-la. Pensou a menina.

Pensou com a certeza de quem partirá muito antes do que as árvores que a viam passar. Ana já contara aos amigos seus desejos finais: quando morrer, não haverá choro nem vela, como diz a canção; a menina queria uma festa antes do destino final – virar humus e crescer Ipê Amarelo no meio da serra.

O mundo era mesmo muito bonito, as pessoas é que estragavam um pouco a beleza da vida com suas ideias mesquinhas de corações egoístas. Sendo assim, na próxima vida Ana não queria ser gente, pois não lhe parecia necessário viver feito gente mais uma vez. Ser árvore seria muitas vezes melhor. Sentiria suas raízes ligadas à terra, passaria seus dias a dançar no ritmo dos ventos. E quando as gotas grossas de chuva caíssem, abriria olhos e boca para sentir a graça da vida.

Quero ser árvore no meio da mata. Dizia a menina

Ela adoraria ter ninhos de pássaros em seus galhos. Vê-los crescer. Aprenderem a voar. Ouvi-los cantar. E como seriam divertidas todas as vezes que os micos e outros macacos passassem por seus galhos com suas acrobacias ágeis a gritar. Deus do céu, se sentiria bela como nunca quando com a chegada da primavera suas flores desabrochassem chamando a atenção de todos que por ela passassem.

Seria bom ver as pessoas de olhos curiosos passarem pela estrada. Seria melhor ainda se a família, os amigos e o amores viessem ao seu pé se sentar. Nesse momento leria seus pensamentos e ensinaria aos seus meninos e meninas a ouvi-la para que se sentissem abraçados. Seria bom ouvi-los de violão em punho a cantar. Seria inacreditável ouvir ao João cantar, e então, sem muito pensar lembrar-se que na vida passada havia sido gente feliz.

domingo, 4 de fevereiro de 2024

Encontros

 


Encontros

Estamos sempre um tanto sozinhos pela vida afora; mesmo que rodeados de muita gente todo santo dia. Mesmo que em nossa casa várias almas abitem. Mesmo que em dezenas contemos nossos amigos. A vida deve ser entendida como uma jornada individual; afinal, vivemos 24 por 7 somente com nós mesmos. E somos, de fato, os únicos responsáveis pelo nosso destino no final.

Mesmo assim, mesmo sendo nós mesmos os únicos a culpar pelos caminhos escolhidos e pela quantidade de gargalhadas que por ele distribuímos. Há gente que faz a vida da gente mais bonita. Há alguns encontros que parecem durar uma vida e meia. Gente que chega à nossa casa para ficar, que parece ter vindo de algum lugar já conhecido pela nossa alma; e lá está: os amamos. Tem gente que faz parte da gente para sempre.

Gosto de estar sozinha, tanto quanto gosto de estar com gente; de encontrar com gente. Gente que vem para me mudar. Gente que me faz rir sem parar. Gente que, às vezes, me irrita. Gente que nem consigo classificar bem como gente em alguns momentos. Gente cheia de dedos e gente muito indecente. Gente que me entende, gente que eu não consigo entender completamente.

E assim sigo, seguimos, numa vida solitária cheia de muita gente; entre encontros únicos e multiplos.

 

domingo, 7 de janeiro de 2024

O Amigo Tempo

 


O Amigo Tempo

 

Com o tempo tudo passa. Já ouvimos alguém a dizê-lo tantas vezes por aí para os outros e para nós mesmos. Dê tempo ao tempo; dizem os mais velhos. Posso já incluir-me nessa categoria de gente? Os mais velhos. Talvez sim. Sinto-me no meio do caminho, ainda curiosa para saber como será o restante da jornada e certa de que toda mudança é boa. Mesmo aquelas que de cara nos assustam muito.

O tempo tudo cura, dizia minha mãe. O tempo parece passar mais veloz desde que Mima virou estrela. Curioso isso. E parece que já faz um tempão desde nossa última conversa. Sinto tantas saudades enormes dela. Saudades do tamanho das Cordilheiras. É, o tempo nos dá muita coisa, mas temos que entender que o tempo das outras pessoas e de tudo que é vivo não é eterno. Cada ser tem o seu tempo único e especial. Nos resta aceitar.

Quanto tempo tem o tempo que é meu? Me pergunto sempre. Não por medo; não. Meus medos o tempo de vida que tenho já se encarregou de levar. (Tirando o irracional medo às baratas que tenho. Só de pensar o corpo se treme. uuuhhgg). Contudo, fica a dúvida se terei tempo para ver e fazer tudo o que gostaria. Aprender a tocar um instrumento, falar uma nova língua, viver um tempo num lugar completamente diferente do meu, ver meus miúdos todos crescidos e florescendo felizes... Sei que coisas novas virão por aí, logo a dobrar a esquina, e isso me alegra.

Na mitologia, Chronos, deus do tempo, devorava aos seus filhos para que nenhum deles tomasse seu trono. No nosso caso, no meu caso pelo menos, sinto que somos nós que devoramos o nosso deus-tempo, ávidos por toda a vida que ele nos traz diariamente.

Meu amigo tempo, peço apenas que se demore um pouco por aqui ao meu lado; sem muita pressa e pronto para muita conversa regada a vinho ou café. Afinal, temos, mais uma vez, um ano novinho em folha para juntos saborearmos.

terça-feira, 12 de setembro de 2023

The Town, a cidade do Bruninho

 


The Town, a cidade do Bruninho

 

 

Em 1985 eu era jovem demais para ir ao primeiro Rock in Rio sozinha, ou acompanhada, de acordo com o que pensavam meus pais. Sendo assim, passei uma boa parte das noites daquelas férias de verão na frente de uma TV precária na casa da praia, meio acabrunhada, babando num line up dos sonhos que não se repetiria nunca mais. Quem viu, viu. Quem não teve tal sorte. So sorry!

Incluindo Queen, AC/DC, Paralamas, Iron Maden, Al Jarreau, Gilberto Gil, Yes, Blitz, Scorpions, Ney Matogrosso, Rita Lee, James Taylor, Ozzy Osbourne, e etc e etc e tal, aquele janeiro foi um marco histórico na música aqui da minha Terra Brasilis e, desde lá, minha frustração por não ter estado no Rock in Rio foi nutrida apesar de todos os outros concertos e festivais aos quais fui. Chateei.

Já fui a quase todos os shows de todas as bandas e cantores que quis. (Faltaram Queen, Cazuza, Michael Jackson e Bituca para sempre). Como diria o outro, vi de um tudo, do que gosto demais da conta até o que não gosto nadica de nada. Só pela companhia.  De música clássica a heavy metal; de Adoniram a Metallica, de estádios e eventos gigantescos ao quintal da casa de alguém; a música sempre foi uma grande parte da minha vida desde antes do verão de 85. Amo música e ir a concertos até hoje. Tem música, quero estar lá.

Sendo assim, quando o The Town foi anunciado para cá ir era algo mandatório, não? Sim! E fui. E foi uma decepção gigantesca; do tamanho da estrutura montada. Ok, havia muita gente, aliás, gente demais. Havia brinquedos, ok, mas se os brinquedos fossem assim tão importantes eu iria a um parque de diversão. Havia palcos gigantes, ok, tamanho nunca foi documento e essa é uma realidade que não será mudada. Certo?

Havia música, ok, contudo, exatamente nesse quesito tão fundamental para um festival de música, faltou qualidade. Faltou qualidade do som produzido tanto por um line up um tanto fracola, (Luísa Sonza, Alok, Bebe Rexha... mano, juntando tudo ninguém chegava ao pezinho da Ivete. E olha que eu nem gosto de Axé Music. Aliás, faltou Ivete, né?) quanto pela qualidade do som ouvido. Vocais estourados, som com defeitos claros até para mim que sou leiga. Jesus, pensei, logo de cara, será um sacrifício ficar aqui até o final da noite.

Foi então, quando tudo parecia perdido; uma noite desperdiçada, que ele, o Rei Mars, adentrou ao palco. Ouvi anjos e arpas. Obrigada meu Deus; obrigada! E vale mesmo usar o nome de Deus aqui pois que o Bruninho foi divino. Genial! Som perfeito, ele cantava e muito bem! Nada do playback triste das meninas que o antecederam e Alok nem canta, né? Obrigada Deus. Todos os músicos perfeitos. Bruno Mars canta muito, toca muito e tem uma presença de palco e um domínio do espetáculo maestrais. Genio! Mars dança, a banda dança e faz música boa – com conteúdo e relevância histórica, cheio de referências e conhecimento, bebendo em fontes de qualidade. Long live the King Mars!

Fiquei feliz, apesar dos pesares, valeu a pena. Matei minha vontade dos grandes festivais, quiçá para sempre. E Mr. Mars pode contar comigo sempre que vier ao Brasil. Não sou lá sua grande fã, como a plateia no último 03 de setembro que cantava tudo direitinho: #orgulho do inglês da galerinha, porém, se Bruninho vier ao Brasil, eu vou porque, guardando as devidas proporções, ele é mesmo o novo Rei do Pop. The Town foi a cidade do Bruninho e ponto final.




domingo, 9 de julho de 2023

Rainha Rita

 


Rainha Rita

 

Já se passaram dois meses depois da partida de Dona Rita e a vida besta, como ela diria, retornou a seu curso regular como se nada tivesse acontecido. Assim sempre foi; assim será. Afinal, partir faz parte integral do pacote e não há como escapar da grande surpresa no the end. No way my man.

Para mim, ao contrário do que cantou Caetano, sempre houve uma clara tradução de quem era Rita Lee. Uma mulher diferente, irreverente, livre e muito à frente do seu tempo; do meu tempo de menina. Uma mulher que me assustou, me surpreendeu, e me ajudou a compreender quem eu era; quem eu queria ser desde pequena.  Por isso, vê-la partir doeu e ainda dói um tanto em mim.

Rita Lee e sua música nos representou, às deselegantes meninas paulistanas sem muito jeito para o mise en scène esperado de toda mulher brasileira e sua dita sensualidade brejeira. Pois, por aqui não éramos todas brejeiras e nem muito dadas às etiquetas. Fazer o que me desse na telha sem ter que dar satisfações a seu ninguém; isso sim era o que eu queria já lá pelo início dos anos 80. E eu tinha em Rita a realização concreta de que aquilo era possível.

Mission accomplished, my queen. Fizemos e fazemos o que queremos, como podemos e sem ter que depender de ninguém. E eu agradeço a ti por ter sido uma mentora divertida e cheia de talento que cantou e me encantou desde o dia no qual eu me entendi mulher num mundo que não havia sido criado para mim.

God save you, My Queen Rita.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2023

Madonna Mia

 


Madonna Mia

 

Eu era uma menina colocando os pés na adolescência quando Madonna surgiu para o mundo. No início, ela se parecia muito com outras cantoras um tanto adequadas à cena pop americana. Nada demais para além de um rostinho bonito e uma voz nada marcante que levava aos palcos, clubes e rádios canções que estavam destinadas a desaparecer com o tempo; hits perecíveis, um tanto pueris, feitos para dançar e durar apenas um verão.

Madonna nunca deixou de ser pop, contudo, com o tempo criou corpo e identidade. De musa um tanto romântica e adolescente, passou a mulher feita e dona de suas opiniões. Madonna ajudou-nos a criar uma nova identidade do que significava ser uma mulher entre meados dos anos 80 e o início dos anos 90.

Lá, há quase 40 anos atrás, a minha geração deixou muitos tabus para trás. Éramos meninas e podíamos ser seres independentes e livres. Podíamos dizer o que queríamos e como queríamos. Não precisávamos ou dependíamos de ninguém.

Foi nessa época que deixei de achar que Madonna era uma bobagem e a respeitá-la como ela merecia. Madonna foi a diva da minha geração e cantou muitas coisas que eu, com 15 anos, pensava e sentia. Madonna era foda!

Madonna era foda, é foda, e significa muito para a cultura feminina moderna construída desde então deste lado do mundo não apenas no que diz respeito à música. Madonna traçou rotas, trouxe tendencias e inaugurou oficialmente uma forma de ser.

Desde então, Madonna e eu deixamos de ser meninas. Envelhecemos. Tudo e todos envelhecem mesmo que muito contra a nossa vontade. É assim. Sempre foi assim. E, apesar de tentarmos com muita força segurar um pouco as rédeas do tempo, todos nós sabemos que isso não é possível ainda.

Madonna é uma senhora com seus 64 anos. Eu sou uma senhora aos 52. E por mais que ainda haja beleza por estas áreas, esta se define de formas distintas daquelas cultuadas quando tínhamos 20 anos. Não temos 20 anos e não os parecemos ter; ponto final.

Então, Madonna mia, enganar-se com filtros e makes, com fotos um tanto fake não passa de uma triste ilusão. Triste não porque você não tenha o direito de ser quem é, ou quem pensa ser. Todos nós o temos. Mas sim porque para mim é muito difícil entender os porquês para tão radical fuga da realidade para alguém que ajudou a construir o mundo.

Quando foi que Madonna deixou de se sentir foda? Me pergunto.

Sem Madonna não teríamos Gaga, Cabello, Cyrus e etc e tais. Madonna não tem mais 20 anos e nada se parece com uma menina, todos nós sabemos disso.  Ela não precisa disso para continuar a ser quem é, contudo, devemos respeitar suas escolhas. Afinal, apenas a Senhora Ciccone sabe o peso de ser Madonna.

Então, devemos nos lembrar que devemos muito a ela e baixar a bola da nossa língua ferina antes de massacrá-la como depois do último Grammy porque desde então, desde o início dos anos 80, nenhuma garota conseguiu fazer tamanha revolução cultural cantando. Madonna Mia, você é foda Forever!







quarta-feira, 28 de dezembro de 2022

10

 



10

 

Bem, não ganhamos a Copa do Mundo mais uma vez. Uma pena? Bem 2, para mim que sou brasileira: sim. Contudo, e se levar em consideração o fato de que os melhores times devem, por justiça, apesar de o futebol não ser o mais justo de todos os esportes, chegar à final, não. Não foi uma pena não ter visto o Brasil na final já que não fomos tão competentes, criativos e capazes quanto franceses e argentinos. Não senhor. Apesar dos vários talentos, faltou-nos sermos um time valente e perigoso.

Contudo, e apesar da derrota no chocho jogo contra a Croácia, gostei muito dessa Copa por outros vários motivos que me agradaram deveras.

1.       Assisti a todos os jogos do Brasil com meu pai, além de vários outros jogos da Copa. Algo íntimo e que não acontecera até então. Apenas nós, os dois, uma cerveja e os olhos colados na tela. Críticas várias dele sobre o nosso desempenho, (creio não ser nada fácil achar graça em qualquer time depois de 70), eu nem sempre a concordar com ele (para variar ;D)... Pai e filha que sempre assistiram à bola juntos desde sempre... Foi muito bom termos essa uma Copa juntos. Essa foi a nossa Copa.

2.       Torci muito pelo Marrocos e aplaudi sua chegada à semifinal. Foi muito bom! Nada contra os países europeus e todo a sua competência futebolística a ganhar muitos títulos. Entretanto, já me incomodava profundamente ver tantos talentos de origem africana sem quase nenhum reconhecimento da força deste continente no futebol. Hoje fico a imaginar uma África rica e bem estruturada a mostrar todo o seu potencial nos campos. Nas ciências, na música, nas artes, nos esportes em geral... Imagine só como o nosso Mundo seria mais rico, interessante, diverso e bonito?!

3.       Lionel Messi é CAMPEÃO DO MUNDO!!! Meu ídolo, o gênio que vi em campo a jogar como ninguém. O único que eu chego timidamente a comparar com o Rei merecia a maior das honrarias do futebol. Torci para ele, solitária, em 2014. Torci para ele na última Copa América, que nada significaria para nós em 2021, solitariamente mais uma vez. E nada me importa isso de dizer que os argentinos são nossos arqui-inimigos na bola. Danam-se as regras dos outros. Torci para a Argentina em todos os jogos da Copa, e para mim, apesar de toda a rivalidade, foi muito bom ver a Argentina (e todo seu talento) campeã mais uma vez. Apenas sinto pena de não ter podido ver o maior Brasil e Argentina de todos os tempos na semifinal. Teria sido épico! Fora isso, nada de arrependimentos. Dessa vez, com meus sobrinhos, torcemos e sofremos por Messi, Di María e todo o plantel platino como nunca. Com Vitória a meu lado torcendo pelo meu ídolo como se ela realmente soubesse quem ele é. Paixão sendo germinada no coração dela por mim.

Ainda haverá muitas Copas para nós duas e o futuro futebolístico da família está sendo construído. Football mode loading...

domingo, 20 de novembro de 2022

A Copa do Mundo Agridoce

 


A Copa do Mundo Agridoce

 

Começa mais uma Copa do Mundo e eu, como sempre, me assanho. Olhos famintos por todos os jogos, camisa nova do Brasil, horas e horas de programas sobre a bola. E a busca por outros que como eu respiram o gramado da cancha felizes por estes dias para uma boa prosa de horas é um prazer. Sim, gosto de futebol desde que me lembro por gente. Talvez por querer passar algum tempo com meu pai e ter o que falar com ele. Coisa de meninos, sabe? Pode ser.

Entretanto, não há, para mim, como não se apaixonar por um jogo de xadrez cheio de emoção e movimento. Peças todas vivas e alertas, a estratégia que anula o oponente, ataque contra defesa, os lances geniais e inesperados. A inteligência e as capacidades físicas unidas a favor da beleza de gols únicos; como não amar tudo isso? Não sei.

Desta vez algo me diz, simplesmente porque sim, que mais uma vez verei a minha seleção campeã. Quiçá? Aceito apostas. Chances temos, como quase todos os times as têm. Porém, o mundo todo há de convir que 20 anos sem um título é tempo demais para nós. A mais mágica de todas as seleções de futebol tem que brilhar mais uma vez; não? Sim! E isso será muito bom para nós brasileiros apesar de todos os pesares.

E os pesares são tantos que, mesmo com todo o fanatismo pela redonda a rolar, não conseguimos mais ignorar o tamanho das injustiças do mundo do futebol, de sua cobiça infinita por dinheiro e poder, de seus desmandos e absurdos que ocorrem apenas para que tenhamos nós, pobres mortais, um mês de muito circo e pouco pão.

A copa no Qatar traz consigo mais questionamentos sobre o quão equivocada foi esta escolha de país para o evento do que as maravilhas que todo o infindo dinheiro dos xeiques catares pode comprar. Afinal, como celebrar uma nação onde a liberdade é um bem restrito a homens héteros e com alguns dinheiros no bolso? Um país misógino, xenófobo, homofóbico. Um país? Pois, não há como celebra-lo.

Como foi difícil celebrar a Rússia de 18, o Brasil de 14, a África do Sul de 10... a Argentina de 78. Esta é uma história antiga, não?

Curioso torna-se, porém, o fato de percebermos que um país artificialmente fantástico em sua essência não consiga de forma alguma esconder as mazelas humanas, que pululam num mundo tão agridoce quanto o nosso, de nossos olhos nem mesmo enquanto a tenda do grande circo está armada e o picadeiro iluminado.

Que venha o hexa sem direito a grandes festas e ilusões.

domingo, 18 de setembro de 2022

Capotando

 


Capotando

 

O mundo não gira, ele, às vezes, capota... E sempre que ouço ou leio isso, sorrio. Não porque simplesmente eu ache graça da desgraça alheia, mas porque imagino o mundo, gordinho, de pernas para o ar sem saber como fazer para resolver a situação; feito uma tartaruga de barriga para cima.

Por esses dias, li a tal capotagem do Mundo numa postagem que zombava de um time de futebol feminino e sua torcida que, devido à vantagem conquistada anteriormente, já se achavam vencedores da parada. Pois 1, perderam. Não só perderam, mas levaram uma surra vergonhosa de dar pena a todos. Bem, quase a todos.  Nós, os que batemos figuradamente, apenas no campo do desporto, amamos o feito.

Contudo, o fato, é que a tal capotagem faz parte de nossa natureza. Quando menos esperamos, sem percebermos de onde veio a rasteira, de um repente nos vemos de pernas para o ar à la barata tonta. Falhamos, ou o mundo falhou conosco. Não importa. O fato é que muitas e muitas vezes aquilo que nos parecia certo simplesmente não acontece.

Eu também já capotei inúmeras vezes e com estilo, para além de todas as vezes que realmente fui ao chão atabalhoadamente devido à minha natureza de jaca distraída: destinada à queda. Sim, tenho quedas homéricas em público; vergonhosas, engraçadas e doloridas.

Por anos, a verdade é que os “capotes” metafóricos me foram muito mais custosos e doloridos do que os físicos. Sempre me achei dona da situação, pelo menos da minha situação, do meu lindo narizinho de batata. Ou seja, acreditava piamente controlar minha vida e tudo que nela acontecia. Sendo assim, perceber que minhas crenças e certezas eram, e são, falhas, ter que aceitar o fato de que estou equivocada era quase impossível... Meu Deus! Por quê? Como assim? Não pode ser... Pode?

Pois 2, pode sim. Mais do que pode, é tão certo quanto mais provável à medida que aceitamos a falta de importância de nossa existência neste Universo, o fato de que o Mundo caminha a despeito e à deriva da nossa vontade. E, sendo assim, não há qualquer motivo para que Deus se preocupe conosco, ou para que nosso querer seja mais importante do que o de uma formiga.

Bom, alguns poderão argumentar que estamos destinados a feitos incríveis. Sim. E daí? Haverá um tempo no qual todos os feitos geniais desta nossa humanidade terão sido esquecidos por todos, mesmo que em nossa época tenham sido extraordinários. Imagine-se lá, então, a quão esquecida estarei eu, em minha ordinariedade, em menos de cem anos?

Bom, o fato, é que a tal desimportância ao invés de me deprimir, veio a libertar-me. Compreendi, mesmo que ainda seja muito difícil praticar diariamente, que não valho mais do que qualquer ser vivente deste planeta, e que aceitar a minha natureza mortal e comum é um grande alívio. Erro, logo existo um pouco menos estressada.

domingo, 7 de agosto de 2022

Sem o Gordo

 


Sem o Gordo

 

O passar do tempo é inexorável para todos nós. Como o vento, erode a matéria da qual somos feitos. Ossos, pele e cabelos tornam-se mais finos e delicados, a carne rareia; e a impressão é a de que, com o passar dos anos, nos tornamos de papel fino; delicados. Apesar disso, agrada-me demais ver o tempo passar a aproveitar tudo o que ele nos traz.

Pode ser que a matéria sofra mais do que gostaríamos; pode ser. Entretanto, a alma colore-se, o espirito fortalece-se e o coração amplia-se com o exercício diário que fazemos para aproveitar o tempo que temos. Se vivemos da maneira correta ganhamos tanto com o tal passar dos anos que a morte deixa de nos assombrar a partir do momento que percebemos que a vida foi boa e, singelamente, grandiosa.

Entretanto, e apesar de reconhecer a quão importante e significativa foi a vida do senhor José Eugênio Soares para todo brasileiro, não nos foi fácil aceitar que aos 84 anos Jô Soares já tinha cumprido mui honradamente seu tempo por aqui e que já era hora dele partir.

Imagino que para ele não restava qualquer medo da morte. Jô produziu muito durante sua vida e com orgulho devido, deveria já há algum tempo estar ciente de que a missão a qual ele se destinou nessa vida fora cumprida com excelência ímpar. Jô foi grande, muito maior do que o seu tamanho amplo que bem o representou. Inteligente, engraçado, talentoso. Bom, muito bom em tudo o que fazia; fez-nos rir e pensar. Jô era gordo e genial.

Nos fará falta, a todos nós. Mesmo que ele estivesse mais ausente nos últimos anos, tê-lo por cá era uma garantia de que, apesar dos pesares, ainda havia vida criativa e inteligente entre nós em Terra Brasilis. Em tempos nos quais a estupidez tem nos parecido mais abundante e poderosa do que o normal, não ter mais Jô Soares dói mais.

Beijo gordo para ti, nosso único Gordo.

 

 

sexta-feira, 8 de julho de 2022

Paixão em Campo

 



Paixão em Campo

(os Macaquitos mandam abraços e bananas)

 

Voamos para a Argentina de asa quebrada; feridos. Time cheio de baixas a ponto de ser difícil imaginar que teríamos uma boa chance contra o Boca Juniors em La Bombonera. Seria uma guerra, árdua luta que dependeria muito mais de garra, alma e sorte do que da bela habilidade com a bola nos pés.

Fomos imbuídos do espirito alvinegro corintiano e assim entramos em campo. Ou seja, não importava muito a forma, jogar bonito não era a meta, muitos gols a nosso favor nem pensar. O objetivo era segurá-los e sairmos da casa de Maradona classificados; o que já seria um feito, fato consumado apenas uma vez pelo Santos Futebol Clube de Pelé.

Fomos, vimos la Bombonera abarrotada cantando como sempre, sem arrefecer, e vencemos!

Zero a zero no tempo regulamentar depois de Benedetto ter perdido um pênalti na trave direita, (e sim, eu acredito na intervenção divina e depois do penal perdido por Roger Guedes na nossa Arena, o certo, o justo, aquilo que São Jorge e São Cássio permitiriam, seria a igualdade para os dois times e nada de gols).

Disputa levada à cobrança de pênaltis, a la copa do Mundo de 1994. Não gosto disso de decidir qualquer partida assim, contudo, estava claro desde o começo que assim deveria ser. Nós tínhamos o Gigante a fechar o gol e uma vontade ímpar de vencer.

Nervos à flor da pele, coração disparado a cada cobrança e algumas unhas perdidas. Mesmo sabendo que sina de corintiano é essa, sofrer e seguir em frente já que vencer quando ninguém espera, sem muitas condições para tal, é o que nos agrada; os nervos sempre nos acompanham.

Benedetto nos ajuda mais uma vez, e a la Mundial de 1994 homenageia Baggio e bate o último pênalti do Boca na Lua. Final da sequência de penais e mais uma vez empate. Cobranças alternadas decisivas e, como de costume, o Gigante quadriplica de tamanho nas decisões. Cássio defende uma boa cobrança e então...

Então Gil caminha em direção a bola e faz seu gol. Boca desclassificado na Libertadores dentro de casa, fato que acontecera apenas em 1963.

Linda lição do destino, ver aos Hermanos mudos depois que o nosso zagueiro negro decretou com os pés a derrota do Boca Juniors. Depois de termos presenciado cenas de racismo em campo protagonizadas por tantos argentinos e outros, esse foi mesmo um desfecho bonito de se ver.

Enquanto muitos gritam macaquitos aos brasileiros em campo com a intenção de nos ofender, eu de cá dou de ombros. Somos 5 vezes Campeões do Mundo, Campeões nas últimas 3 Libertadores e temos 5 times classificados para as quartas de final no campeonato atual. Pelé foi e sempre será Pelé, negro, brasileiro e o Deus do futebol.

Gil calou a Bombonera e nós, os macaquitos, de cá continuamos a vencer e mandamos abraços e bananas aos hermanitos cheios de inveja. Nós somos macacos muito competentes, somos mesmo apaixonados por futebol e muito bons.




domingo, 6 de março de 2022

Uma nova velha guerra

 





Uma nova velha guerra

 

Vladimir Putin, desde 1999, governa a Rússia de uma forma ou de outra. Seja como primeiro ministro ou presidente, Putin, de cima de seus parcos 1.68 de altura, tem conseguido, de maneira pouco clara e muito perigosa para todos os seus opositores, com violência e mentiras, manter-se no poder à moda dos grandes mafiosos italianos; ou melhor, dos grandes mafiosos russos.

Há anos ouvimos muito falar do poder e do dinheiro dos russos pelo mundo. Dinheiro vindo não se sabe bem de onde e tampouco como. Dinheiro sujo, dinheiro de sangue, dinheiro violento que alimenta uma grande parte da riqueza mundial. Dinheiro grande no futebol, em grandes empresas de energia e comunicação, em museus e academias de artes.... dinheiro, muito dinheiro.

Bilionários amigos de Putin que, como ele, enriqueceram rapidamente depois do final da União Soviética em 1991, são estrelas entre homens de negócios e governos sem que muito tenha sido questionado num mundo que procura abafar qualquer murmurinho sobre a vilania dos homens que vestem ternos muito caros e desfilam com seus iates e jatos.

O dinheiro governa o mundo como sempre, ou como nunca dantes. E quem não o tem não é considerado como gente, como cidadão, sobre este planeta. Putin, e sua megalomania, (como em tantos outros governantes apegados a seus cargos a psicopatia deste senhor é óbvia) sonham há tempos com uma Grande Mãe Rússia mais uma vez.

 Aliás, anda muito em moda ouvirmos esta baboseira pseudonacionalista da boca dos governantes com poucas ideias e muita ambição. Homens e mulheres gananciosos que perceberam o quão fácil ainda é manipular mentes parcas com um discurso nacionalista, populista e vertiginosamente barato. Afinal, o que são o Mr. Trump e o Senhor Jair?

Seja lá como for, ou porque for, temos tolerado a “excentricidade” de muita gente em nome do dinheiro. E tudo parece muito bem até que um dos malucos megalomaníacos de plantão resolve abrir suas asas e mostrar as garras.

Putin que precisa manter sua popularidade e poder, de maneira torta como sempre, andava muito incomodado com a vontade ucraniana de unir-se à União Europeia. União que iria ameaçar a sua grandeza e resolveu trucar. Invadiu a Ucrânia com a pior das intenções e por motivos particulares e vis. O mundo arregalou os olhos e caiu em si. Vladimir não é de se brincar e, até onde ele irá é a dúvida que paira pesada feito chumbo no ar.

Uma nova velha guerra está por cá mais uma vez; mais uma vez movida pela ambição de poder de poucos. Mais uma vez nós, os civis quase cidadãos, estamos a sofrer e, feito moscas, vamos morrer.

terça-feira, 11 de janeiro de 2022

Entre teias e coisas mais importantes

 


Entre teias e coisas mais importantes

 

Durante as férias fiz muitas coisas desimportantes para tudo o que se considera sério nesta vida, tolices para aqueles que caminham sempre com os dois pés no mundo das “adultices”. Não sei como ser assim: sempre séria e responsável o tempo todo. O trabalho é algo amado e que levo muito a sério, contudo, a vida fora dele.... ah, está é feita para tudo o que cabe no âmbito das bobagens, tolices e imaturidades infantis.

As bobeiras são muito importantes para mim que sou grande fã das “desimportâncias” fundamentais para que esta vida seja boa. Pois que nas curtas férias possíveis por esses tempos fui ao cinema, andei de bicicleta até doer o bumbum para sentar, brinquei, bebi, ri, falei tolices, joguei basquete, (I know, I can’t dunk but I can have fun, yeah?) e tomei sorvete como se calorias não existissem. Elas existem; c’est la vie.

Assisti a filmes sérios e que me fizeram pensar, muito. Porém, não são estes que me fizeram vibrar. Não senhor. Os que me fizeram vibrar foram os muy pouco educativos e muy comerciais Homem Aranha e Matrix. Adorei a este último Spider-Man – no way home. Para mim o melhor Homem Aranha de todos os tempos com direito a três homens aranha, muita conversa fiada sobre as dores de ser um super-herói, cheio de referências nostálgicas sobre os outros filmes e um bando de vilões pesos-pesados. Amei!

Não amei tanto assim ao novo Matrix, apesar de ter gostado muito de rever aos personagens; e lá estão novamente as memórias queridas, a nostalgia morninha que causam as saudades de algo bom.

Bom, Matrix Resurrections é ruim e faz pouco sentido, ou nenhum. Na verdade não acho que deveriam tê-lo feito, pois beira ao desrespeito à inteligência de quem o assiste e à Revolução que o filme original causou em seus espectadores há mais de duas décadas atrás. Matrix foi grandioso para todo nerd que se preza! Mesmo assim, eu jamais deixaria de assisti-lo. Não há como ignorar a um mundo criado artificialmente em nossas cabeças; um universo todo de fantasia!

Sendo assim, passei essas férias imersa a perambular entre teias de aranha e digitais, digitalmente criadas para que eu pudesse, por alguns minutos, ignorar ao mundo real. Afinal, o importante nessa vida são os sorvetes que tomamos sentados na grama nas tardes de verão depois de longos passeio de bicicleta. Isso sim é importante, é real.

 

 

quinta-feira, 9 de dezembro de 2021

Bola pro mato!

 


Bola pro mato!

 

Desde os tempos em que Roma era o centro do universo, sabe-se que todos nós precisamos não apenas de pão, mas de um tanto de circo para vivermos felizes e tranquilamente ignorantes. Não que a ignorância seja uma benção, não o é. Contudo, poder esquecer-se um pouco, por uma hora e tal, das desgraceiras da vida faz um bem danado para corpo e alma. E eu, como todo ser pensante, adoro um bom espetáculo para nublar a visão de vez em quando.

Hoje temos todos os 20 times do campeonato brasileiro, o Brasileirão, a correr atrás da bola na última rodada do campeonato para a alegria das caraminholas da minha cachola. Dois jogos diante dos meus olhos, a acompanhar outros tantos de rabo de olho, eu quero é ver o mundo hoje pegar fogo. (p.s. Grêmio faz 2 X 0 no Galo e, mesmo assim, muito provavelmente amargará a Segundona em 22, ou quiçá teremos um milagre por cá?).

Se o nosso campeonato em Terra Brasilis está a léguas de distância da glamorosa e muy rica Premiere League (e de quase todos os campeonatos europeus) no que tange à qualidade da bola jogada, não fica nada atrás no que diz respeito à emoção (ok, ok, chega a ser uma heresia tentar comparar os dois campeonatos; eu sei.). Mas eita campeonato arretado esse nosso!

Hoje tem gente que pode ganhar e cair, gente que pode apenas empatar e se salvar da degola, gente que pode não ter jogado nada o ano todo e acabar na Libertadores da América, gente que pode ter sido pequenino a vida toda, sem eira nem beira, a chegar na tal Liberta pela primeira vez, oh glória! Hoje tem gente grande que pode acabar cabisbaixo com o rabo entre as pernas. Hoje tem Timão. Hoje teremos uma sacholada de gols. Hoje tudo acontece ao mesmo tempo agora. (Grêmio 3 X 0, mas olha que o Bahia está a vencer. Vai Bahea!!!!



p.s. Grêmio 3 X 2 Galo. Arerê...


quinta-feira, 25 de novembro de 2021

Quase

 


Quase

 

 

Quase dois anos de pandemia, de dias blindados pela distância e de voz abafada por de trás de uma máscara. Nesses quase dois anos, vivemos uma vida quase normal. Entretanto, o quase, no final de todas as contas, significa que muito deixou de ser feito. Significa que pouco, de fato, foi vivido para além dos feudos que criamos para nós mesmos. Acastelados em nossas casas e apartamentos, nos escondemos e nos demos o direito a pouco. A Pequenos grupos de amigos, a alguns membros da família, a parcos beijos e abraços. Ao amor contido.


Deixamos de ver muitos, e muito. Não nos demos a liberdade de simplesmente estar em qualquer lugar. Evitamos, com grande incômodo para a alma, o contato com muitas gentes, com tantas gentes. E assim, à força, forçados pelo medo e pela prudência, o quase chegou muito próximo ao nada. Quase nada foi vivido verdadeiramente; sem limites ou medos.


Depois de tanto tempo, e tanto dizer que nos mostra que muito não sabemos, a certeza que nos resta é não ter muita certeza de como será a vida de agora para a frente. O futuro nunca foi tão incerto para a grande maioria de nós. Para mim. Para mim, que tenho a necessidade intrínseca de controlar minha vida à rédea curta, essa tal pandemia chegou muito perto do caos; do fim dos tempos. De um repente, e sem a minha permissão, o controle de minha vida, simplesmente, fugiu de mim.


Assim, depois de tudo, concluo que quase, por estes tempos, é muito, é tudo, é nada.

 

 

terça-feira, 28 de setembro de 2021

A Vida

 


A Vida

Passaram-se muitos anos como se fossem poucos, como se fossem um par de dias. E o tempo passado importa tão pouco para as horas que agora se arrastam. Relativo é o tempo, e desimportante a vida dos homens sobre a terra, tanto quanto miúda é a minha. Enfileiro as letras e as palavras como Chronos enfileira horas e dias, displicentemente. Não sei se em prosa ou poesia, escrevo as ideias perdidas pela cachola que aqui encontram-se para comentar esta minha vidinha simples, simplesmente minha.

Depois de tanto tempo, todo o tempo que já tenho guardado nos bolsos das calças, sei que pouco importa o que cada um de nós faz para além do nosso quintal porque a vida que levamos é nossa, apenas nossa, e daqueles que guardamos no meio dos abraços colados ao peito. E quase nada me importa o que as pessoas fazem para além deste meu quintal onde cultivo flores, letras, abelhas, a luz do sol, passarinhos sem gaiolas e meus amores novos e antigos. Que me importa o que pensam as pessoas importantes desse mundo? Uma titica de galinha, diria minha avó. Digo eu.

Quanto tempo tenho eu? Não sei; isso nunca se sabe. Apenas sei como quero usar o tempo que ainda tenho. Rir é uma prioridade, ensinar um prazer, beber vinho, água, cerveja e café vícios que levarei para sempre comigo, chocolate e sorvete são e serão uma necessidade. A família de sangue e a da vida quero sempre levar comigo pois neles tenho todo o conforto e o abrigo que necessito, viajar faz falta como nos falta o ar com a máscara no rosto; ver o mundo areja a alma. A velhice aproxima-se desavergonhadamente, contudo, já não tenho mais medo dela como tinha antigamente. E isso é muito bom. Bora viver com gosto com os olhos e o nariz mirando para frente!

 

quarta-feira, 1 de setembro de 2021

Blahhhhhhh

 


Blahhhhhhh

Já quisemos tanto. Quisemos mudar o mundo, revolucionar os costumes, sermos melhores do que foram os nossos pais. E, como todo ser humano que já pisou neste planeta, nos pensávamos eternos; “forever young, I want to be forever young...” cantei tantas vezes. Bem, não somos muito diferentes dos nosso pais. Não fomos. Somos apenas um pouco mais do mesmo, quiçá, com um toque tech a mais. Nada mais. Talvez piores, materialistas rasos sem grandes paixões. Seres profundamente egoístas com dinheiro no banco enquanto tantos morrem de fome.

Temos mais dinheiro do que nossos pais, ok. E daí?

Pois 1 que a tal revolução não fizemos, não senhor. E hoje, bem mais preguiçosos e cansados do que aos 20, queremos apenas sossego; quem diria. Verdade seja dita, houve mudanças. Contudo, eu que aos 15 preocupava-me com a situação das baleias e com a volta da democracia e da igualdade no meu país, sinto-me desolada. Desapontada comigo mesma e com os meus pares. Falhamos. Eu esperava muito mais de nossa geração.

Esperava tanto mais do mundo e do meu país. Acreditava que cuidaríamos bem da natureza, que à esta altura compreenderíamos melhor e mais sinceramente as diferenças entre as pessoas e os povos, achava que caminhávamos para um mundo onde a abundância seria melhor compartilhada. Pois 2, eu era jovem e tola. Muito tola.

Costumo dizer que Lula, o senhor Luiz Inácio da Silva, em seu primeiro mandato, foi o último a fazer-me de palhaça nesta terra. Nunca me esquecerei da cara lavada dele em pronunciamento na TV a dizer que nada sabia sobre a corrupção e os desvios em seu governo. Palhaço... palhaçada, pensei. Raposa covarde! E me perguntava se alguém poderia crer numa farsa tão absurda como aquela.

Pois 3, muitos acreditaram. Muitos ainda creem na inocência desse senhor que de inocente não tem absolutamente nada. Entretanto, e infelizmente, a crença na inocência do seu Inácio não vem a ser o fato mais absurdo e nocivo em Terra Brasilis. Não.

Não há, e muito provavelmente não haverá jamais, um absurdo maior e um dano mais grave do que termos eleito o seu Jair como presidente do nosso país. Difícil entender como pudemos, e ainda podemos, crer que um calhorda como esse senhor pudesse fazer algo de bom a alguém. Não pode.

Nada de bom pôde ou poderá sair da mente turva e egoísta do Sr. Bolsonaro e de sua quadrilha familiar. Já que são um bando de calhordas de longa tradição na canalhice.

Pois 4, apesar de saber que seu Inácio e seu partido também flertaram acintosamente com o desejo de ter todo o poder possível em suas mãos, nunca estivemos tão próximos de um retorno de um governo ditatorial como agora. Nunca vimos uma demonstração tão clara de um governante que não consegue pensar o mundo para além de seu umbigo. Seu Jair quer perpetuar seu poder no Brasil e para tal arma-se.

Arma-se com parte do exército brasileiro, com boa parte da polícia militar e com uma horda estúpida e irracional que brada pela volta da ditadura.

Jamais imaginei que veria algo assim por cá. Pois, cá estamos, perigosamente flertando com um país irracional e violento. Um país que me dá ânsia de vômito...Blahhhhhhhh.

Aguardemos o 7 de setembro...

 

Obs.: para os apoiadores do atual presidente vai aqui a definição clara do que vem a ser um calhorda.

ca·lhor·da

(origem duvidosa)

substantivo de dois gêneros

1. [Pejorativo]  Pessoa desprezível. = CANALHA, PATIFE, PULHA

adjetivo de dois gêneros

2. [Pejorativo] Que é desprezível ou de baixo nível moral (ex.:  ato calhorda).

"calhorda", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2021.

domingo, 8 de agosto de 2021

Paris 24?

 


Paris 24?

Desde 1980 acompanho aos Jogos Olímpicos com ganas de ver tudo o que é possível. Por isso, em 2016, depois de já começadas as Olimpíadas no Rio de Janeiro, arrependi-me profundamente de não ter dado muita bola para o tal acontecimento em Terra Brasilis. Não fui ao Rio. Por quê, meu Deus! Independentemente de onde aconteçam, mesmo em países profundamente desiguais como o meu, as Olimpíadas são para mim um momento tão belo que beiram ao poético; ao sobrenatural. Deveria ter me organizado para ir ao Rio sem dúvida.

Ignorei aos jogos no Rio e detesto ignorar o que sinto que devo fazer. Quebro a cara com gosto, mas não gosto nadinha de arrepender-me do que não fiz. Sendo assim, decidi-me por ir ao Japão em 2020 enquanto Usain Bolt ganhava mais uma medalha. Planejei-me e comecei a guardar dinheiro para a tal aventura. Tenho grande admiração pelo Japão e seu povo, sempre quis visitar a este país e, em tempos dos jogos gregos este seria um momento ímpar para fazê-lo. Japão 2020 lá vou eu.

Não fui. A vida mudou em 2018 e todos os planos mudaram. Oh vida! Bom, a bem da verdade, nem as Olimpíadas foram para o Japão em 2020. Não senhor. Em 2020 o mundo parou, a la filmes de ficção futurista sem direito a efeitos especiais, e ficamos feito tatu na toca. Ficamos sem os jogos que realizaram-se agora, em Julho de 2021, sem direito a público. Uhhhhh... pensei eu. Não fui, ninguém foi. Eita sina lascada!

Não fui, porém foram os atletas. Amém!! E foi ótimo ter tido estes 15 dias de vida para além das atrocidades e canalhices dos seres humanos que têm nosso mundo em suas mãos, apenas a admirar esta gente que faz coisas que eu nunca seria capaz de fazer. Lindo, lindo, lindo... 15 dias sem dormir direito, meio zonza, a chorar em frente à televisão no meio da madrugada.

Chorei de emoção, de orgulho, comovida com a dedicação de gente que se dedica por algo sem explicação. Gente que trabalha incessantemente para quiçá, com muita sorte a ajudar, ganhar uma medalha feita de plástico reciclado. Gente maluca!

E se todos são malucos, malucos admiráveis, por correr assim atrás de recordes, de números e de pódios a troco de muito pouco, ou quase nada. Pensar o quê dos atletas brasileiros que praticamente pagam para poder participar dos Jogos Olímpicos?

Penso que eles são mesmo seres diferentes. Não perfeitos, nem santos; não. Contudo, são pessoas nas quais a vontade de conquistar e realizar algo nesta vida, algo diferente e relevante, é muito maior e mais forte do que a própria existência delas. Eles vivem para correr, saltar, nadar, voar... Parecem, feito criança, ignorar a fatalidade que é essa vida regida pelo vil metal. São mesmo seres abençoados. Meus heróis de carne e osso. E com medalha no peito ou não, têm o meu aplauso. (Vocês são demais!)

Os Jogos Olímpicos de 2020, que chegaram por cá atrasados, acabaram e já me deixam cheia de saudades. Esta noite vou dormir, verdade. Porém, até lá, vejo e revejo, numa ressaca atlética, os feitos destes homens e mulheres que merecem a minha admiração desde que me entendo por gente. Desde que, muito miúda, vi e ouvi todo mundo a falar de uma menina chamada Nadia. Nadia Comaneci.

Paris... Paris... quem sabe? Coco mole, meu Rei!!!!