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domingo, 6 de outubro de 2013

A Impressão Final

Centro de Montevidéu, Outubro 2013.

O Uruguai não é um país com grandes atrações turísticas e, apesar de no primeiro momento isso incomodar nossos olhos de turistas, depois de algum tempo percebemos que neste fato reside a sua maior qualidade. Pois, apesar de não haver monumentos grandiosos, castelos ou edifícios únicos, a natureza desta terra, em toda a sua extensão, é simples e bela. Este é um país frugal e, portanto, não é um bom país para se ver de passagem feito curiosidade de circo. Ele foi feito para ser um bom lugar para se viver.
  
Por mais que se ande e procure, e nós procuramos bastante, não há aqui grandes demonstrações de ostentação seja por parte das pessoas que aqui vivem ou pela nação como um todo. Claro é que há aqueles que têm muito mais que os outros, e claro também é que há aqueles que quase nada têm. Percebemos estes extremos quando vamos a Punta Del Este com seus edifícios grandiosos e cassinos ou quando notamos que sobre pedaços de papelão e enrolado em alguns cobertores dorme um homem num canto de Montevidéu. A vida nunca será totalmente justa e esta é uma verdade universal.

Contudo, a impressão que levo comigo daqui é a de que o Uruguai não é um país de perfumaria que dá grande valor às futilidades como o meu. Talvez por sua natureza rústica de quem precisou lutar muito para ver-se independente do Brasil e da Argentina, a “frescura”, como dizemos nós, não é algo natural aqui. Este é um país honesto e sincero, e numa incongruência saudável, percebe-se que um dos países mais democráticos e liberais das Américas é, também, um país profundamente tradicionalista no que diz respeito à identidade de seu povo e sua cultura.


Não sei se voltarei para lá algum dia. Creio que não, já que há tanto para ser visto neste Mundo e tão pouco tempo em apenas uma vida para fazê-lo. Entretanto, se voltasse algum dia escolheria uma época mais quente, pois o frio mesmo neste início de primavera é difícil de aguentar ali, e iria de carro a dirigir por este país a conhecer o que ele tem de mais belo e verdadeiro, aquilo que não foi feito para turista ver.

Praia Brava, Punta del Este.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

A Primeira Impressão

Río de la Plata


Chegamos à Montevideo e a primeira impressão que tenho é a de que a cidade lembra-me muito de Santos, no litoral paulista. Não sei por que esta foi a impressão que bateu-me, ou abateu-me. Talvez por seus edifícios de tamanho mediano, suas ruas arborizadas e seu calçadão sem fim margeando o rio-feito-mar. Talvez, principalmente, porque haja este rio que mais parece ao mar por seu tamanho sem fim para os nossos olhos; o Rio da Plata neste ponto parece muito maior do que nossa imaginação para rios pode prever. Se não fosse por suas águas escuras e por sabermos que ainda não estamos defronte do oceano que nos aguarda alguns quilômetros adiante, não fosse por isso, poderíamos crer, cegamente, que estamos defronte a um mar.

Lembrei-me do Tejo, que não tem estas águas escuras de terra como o Rio da Prata, mas que também tem suas pretensões à mar. O Tejo apresentou-se lindamente para mim, há um ano, com suas águas azuis e cheias de história e estórias. Rio donde saíram as caravelas que nos descobriram, rio que se debruça sobre o mar e que parece por ele ser recebido de braços abertos convidando-o a navegar por suas águas. Vendo o Tejo chegar ao Atlântico, compreendi porque parecia tão necessário aos portugueses navegar.


Lindo, também, se apresenta hoje este rio latino e imponente, cheio de praias e barcos. Rio que separa Montevideo e Buenos Aires, disso eu sei. No entanto, ainda não sei o quê este rio me fará compreender. E por isso, assim que me vi cara a cara com ele, estiquei o pescoço e apertei os olhos para ver se conseguia, com um esforço tamanho, enxergar o país que fica do lado de lá do rio. Claro que não vi nada além de água, céu e nuvens que mais pareciam montanhas a margear o rio. Apenas na imaginação e nas lembranças Buenos Aires está presente e, por isso, posso vê-la.