domingo, 16 de agosto de 2026

Mima, saudades

 


Mima

Semana de saudades sólidas e úmidas.

Saudades doídas. Sem querer,

sem que eu quisesse, não houve quem quisesse...

Os anos passaram em segundos; onze deles.

E por aqui, dentro de mim, moram saudades agridoces;

saudades silenciosas.

Quando o que eu queria, quando o que eu mais queria

era poder conversar com você.

Saudades das conversas,

das conversas.

Por onde versas, mãe?

 

Mima, um poema escrito por Carlos Drummond de Andrade para ti.

 

 

Para Sempre

 

Por que Deus permite

que as mães vão-se embora?

Mãe não tem limite,

é tempo sem hora,

luz que não apaga

quando sopra o vento

e chuva desaba,

veludo escondido

na pele enrugada,

água pura, ar puro,

puro pensamento.

Morrer acontece

com o que é breve e passa

sem deixar vestígio.

Mãe, na sua graça,

é eternidade.

Por que Deus se lembra

- mistério profundo -

de tirá-la um dia?

Fosse eu Rei do Mundo,

baixava uma lei:

Mãe não morre nunca,

mãe ficará sempre

junto de seu filho

e ele, velho embora,

será pequenino

feito grão de milho.

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