sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Inverno


Nada ouço além de um músculo dentro do peito
Não há canções, não há paixões nem sofrimento verdadeiro
Fiz-me mente e realidade
Alma trancada, perdida a chave
Há beijos sem amor, há os filhos que não tenho
Sempre agarrados aos meus cabelos.
Lágrimas solitárias e preguiçosas
Silenciosamente chegam sem que as vejam
Talvez eu seja como todos, e queira exatamente o que
Não tenho, por capricho
Fazendo de conta que não fui eu que escolhi meu caminho.
Fiz-me forte, fiz-me ilha
Que vê os barcos passarem ao longe
E o sol se pôr a milhas
Escondo-me atrás de mim
Fingindo sempre acreditar no que digo a toda gente:
Sou assim

Arte em Movimento

O Grupo Corpo - Sem Mim - 2011 ( paixão de bailarina )

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Apaixonada


Para um dia frio
Sinto muito frio, o inverno acaba comigo
por isso preciso você aqui a me dar abrigo.
Não é nada complicado ou delicado
não é preciso muito, calor, cor e teu sabor.
Prometo me comportar, controlar
e como gata preguiçosa não te arranhar.
Beija meu umbigo pra acalmar as formigas
que passeiam pela minha barriga,
e prometo ser bem boazinha
a acreditar em tudo que você me diga.
Não te peço muito e quase nada exijo,
quero apenas as tuas pernas para as minhas enroscar
e poderemos dançar sem sair do lugar,
suar, sobre a linha do Equador flutuar.
Prometo me deixar levar,
e ser tua companhia quando precisar.
Abraça-me como se fosse para sempre
e não serei indiferente ao que você sente e,
mesmo quando se mostrar o mais indecente,
prometo fazer tudo o que imaginar.
te amar.
A Lagarta
Vou acabar rouca de tanto te cantar
e queria ser sereia para poder te encantar.
Mas que nada, sou alma pobre e perdida,
enamorada e sem saída. Julieta sem Romeu, erro meu.
Queria ser rainha para exigir que você obedecesse
a todos os desejos meus.
Mas que nada, sou escrava que de joelhos
obedece aos caprichos teus. Carnaval sem samba, sambo eu.
Vou acabar exausta de tanto correr atrás de você
e queria ser atleta de Maratona para poder te alcançar,
mas que nada, sou lagarta que se arrasta.
Pobre mujer Hipnotizada por tu mirada.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Grupo Corpo

Paixão desde que eu era uma menina bailarina...

2010... Música de Ernesto Lecuona e  O Grupo Corpo

No se necesita plata...

Baile de Los Pobres

Calle 13

Intro:
No bailes de lejitos que no estoy pa' limosna
No tengo mucha plata pero tengo cobre
Aquí se baila como bailan los pobres
messie ..aquí llego tu robin hood
a meter las bolas en los boquetes como Tiger Woods
tu eres clase alta … yo clase baja
tu vistes de ceda y yo de paja
nos complementamos como novios
tu tomas agua destilada y yo agua con microbios
tu la vives fácil y yo me fajo
tu sudas perfume yo sudo trabajo
tu tienes chofer, yo camino a patas
tu comes filete y yo carne de lata
nuestro parecido es microscópico
pero es que por ti me derrito como gringo en el trópico
pégate a mi que no te contaminas
y con un besito vamos a pegarnos la porcina

Coro
no se necesita plata pa mover-se necesita onda
y música cachonda.
No bailes de lejitos que no estoy pa' limosna
No tengo mucha plata pero tengo cobre
Aquí se baila como bailan los pobres
Se baila sin mantel sin cubiertos, sin bandeja
Con ganas de comerse a la pareja
Se baila pegao como bachata Sin traje y sin corbata
Embriagando las neuronas con vodka barata
Blancas amarillas o mulatas
se baila con cualquier bombón que suelte la piñata
lo bueno de ser pobre al final de la jornada
es que nadie nos roba…por que no tenemos nada!
apretaditos como en una lata de sardinas
agarrando 1 por que esta incluida la propina
dicen que eres la reina de todos los rosales
pero hoy te voy a bajar cuatro clases sociales
calientita como pan de panadero
barriendo el piso con el trasero
toda la grasa se desplaza por la terraza
quiero que hagas lo que no puedes hacer en tu casa

Coro
Tu me tienes por el aire volando
Como , como,Como si estuviera bajo el agua ..flotando

domingo, 31 de julho de 2011

O respeito e a Consciência

 



Nestas férias de julho, mui a meu bel-prazer, decidi tirar umas “feriazitas” do mundo real, sem tirar meus pés de Sampa, e entregar-me à companhia de meus sobrinhos e afilhado cegamente. Porém, mesmo assim, fazendo força para não ver todas as merdas, (com o perdão da expressão, mas não há nada que caiba mais apropriadamente à realidade brasileira), que nosso querido povo é capaz de realizar sem exceção: de vossa excelência à menina que mal saiu do colégio, não há como ignorar que cá estamos nós a dar mau exemplo do que vem a ser um cidadão ou uma nação.
Veja que não cabe aqui olhar o rabo alheio, não me interessa o que fazem os outros com a vida deles, e também não me interessa se outros povos de terras próximas ou longínquas são ou não pródigos também nas artes do vil. Então, não cabe o choramingo de dizer que o brasileiro se sente inferior e etc. e tal, que o complexo de vira-latas à la Nelson Rodrigues há muito tempo ficou para trás.  Estou, como bem me ensinou meu pai, a olhar o meu próprio umbigo e rabo, a parar e pensar o que ando a fazer de errado. Pois, é isso que devo sempre fazer: não interessa o que os outros pensam e/ou fazem, tenho que me guiar pela minha consciência que deve ser meu norte e, eu a única responsável pelos meus atos.
Pois, mesmo durante minhas férias mentais não houve como ignorar que as coisas andam tortas demais em nosso país e, a impertinente consciência me cutucou os miolos que tentei, muito em vão, adormecer. Afinal, como explicar a meus pequenos a importância de ser um homem correto e honesto numa sociedade onde deixamos que o “jeitinho” que provém do dinheiro torne o cidadão um ser acima da lei?  Ou não é isso que ensinamos numa sociedade e num país onde a corrupção no meio político é tão ampla e explícita que fica difícil achar alguém que possa ocupar um ministério sem manchar ainda mais o já enxovalhado mundo palaciano.
Como mostrar às crianças que estas devem, antes de tudo, respeitar ao próximo para que assim conquistem por mérito, e não à paga, o respeito que lhes é devido quando temos exemplos diários de que a falta de respeito e do senso comunitário são raramente punidos, mesmo nos casos mais graves? Ou não é este o exemplo que temos com os incontáveis casos de atropelamentos por alta velocidade ou embriagues, o número de ataques a pobres, negros, homossexuais e/ou qualquer um em nome de uma hegemonia ignorante ou por pura diversão, os casos de crianças e mulheres agredidas ou exploradas pelo simples fato de serem fisicamente mais fracas. Basta abrir os olhos para ver e, sinceramente, às vezes dá-me medo do que vemos a nos espiar nas esquinas e que fitamos com certa apatia.
 Sei que somos imperfeitos, e que o erro é algo nato ao ser humano; que eu cometo erros diários também. Mas ainda não consegui não sofrer com eles, como se tudo o que eu fizesse merecesse perdão e fosse correto simplesmente porque satisfaz a mim. Nesta semana, vendo as manchetes sobre o atropelamento de um rapaz na calçada e de sua subseqüente morte, lembrei-me de como me senti quando feri um homem num acidente de carro por minha falta de aptidão e uma carteira de motorista que ainda não tinha 2 meses. Nada grave foi constatado no hospital, além do visível corte na cabeça e de todo o desconforto que causei àquele senhor que dirigia à minha frente. Mas eu, em casa, não conseguia parar de chorar no ombro de meu namorado e de me sentir mal, afinal, eu havia ferido alguém. A culpa era minha. Hoje, quase 20 anos depois, ainda conheço aquela dor e tento imaginar o que sentiria se tivesse ferido seriamente ou matado alguém e, sinceramente, creio que enlouqueceria, pois, jamais me perdoaria.
Vale então lembrar que se o erro é humano, também o são a consciência, o respeito e a compaixão.

Um beijo e todo carinho a meus amigos e família.