segunda-feira, 17 de outubro de 2011

o Amor

 

Última vez

quantas vezes já menti para mim?
ninguém deveria mais acreditar nas palavras
rotas e frouxas
que saem das minhas mãos,
da boca:
a última vez que escrevo para ti,
que te envio poemas que não fazem
nenhum sentido, que te ligo.
mas a última deixa de  o ser
outra e outra vez,
pois o medo de perder-te me afoga
na mesma medida
que a coragem me grita: crê, prossegue.
e a última vez passa a ser mais uma,
uma e outra, mais e mais um pouco
de tudo que ainda está aqui,
dentro desta mulher sem freio e sem regras,
que uma ou duas, (talvez cerca de cinco vezes?),
tenha dito que este seria o fim: a última vez.

Eco

De novo, outra vez
Agora, sim?
Nunca, nada,
Ninguém me fará desistir. Então,
Mais uma tentativa, sim?
Vamos repetir, repetir e repetir
Até que possamos dizer: agora sim!

As vantagens da miopia cardíaca

Se Deus te deu defeitos, se há coisas que mereciam ser refeitas,
eu não as vejo.
O mal humor, o insistente cigarro, a falta de tato
e o egocentrismo exacerbado, não vejo.
Nasci míope, de uma forma rara, patologia bem vinda em mim,
sofro de miopia cardíaca e amo-te mesmo torto e
cheio de defeitos,
pois visto de dentro do meu peito,
parece-me perfeito.

Pa' ti mi negro.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Os Filhos do Coração (Feliz Dia das Crianças pra Mim)

Lucas


Pedro
Apesar de eu não os ter feito, de talvez eu não saber fazer-los
Deus me deu filhos mesmo assim
Amor incondicional
passional
irracional
Amor que durará para além da minha vida aqui
Meus filhos do coração
são a razão de toda a felicidade
que vive em mim.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Steve Jobs (1955 - 2011)

Hoje morreu um dos gênios de nossa época, um homem que via o futuro e realizava nossos desejos antes mesmo que nós os pudéssemos imaginar. Aquele que transformou a maça de Newton num ícone moderno: simples e ao mesmo tempo fantástico...



A man who taught us that we can and must
Think Different

iMiss you

terça-feira, 4 de outubro de 2011

A língua


Quero de ti a bruta língua
ignorante e iletrada
e por tanto viva
quero a tua língua de carne
dentro de mim
muda, sem palavras
sem dizer nada
usada para aquilo que
deveria ser seu único fim
quero a língua crua
nua
tua
a descobrir sítios escondidos
dentro de mim
para ti, meus olhos

O sabonete Íntimo

Eu e algumas amigas, muitos e muitos anos atrás.

Já há um bom tempo sinto certo estranhamento todas as vezes que começo o meu banho. Não é nada de foro íntimo, apesar da intimidade ser parte afetada em toda a coisa. Lá estou eu, a gastar mais água do que deveria, quando olho para o lado e, invariavelmente, lá está ele: o sabonete líquido íntimo. Sim, porque de uns anos para cá, nós mulheres nos sentimos desprotegidas caso o tal sabonete íntimo não esteja ali ao lado de seu irmão mais velho, o velho sabonete usado para o corpo inteiro. O que me faz pensar: Como vivi tantos anos sem este senhor que cá está se o tal respeita e serve para equilibrar o meu PH genital?  Meu Deus, eu lá sou um aquário para ter que ter o meu PH equilibrado? A tal música de Fagner, onde ele queria ser um peixe, fez mais sentido na minha vida do que fizera até este dia.
A verdade é que vivi muitos anos sem o tal sabonete íntimo, mas hoje não consigo voltar do mercado sem ele, o que me faz pensar sempre: Por que complicamos tanto a vida assim dando mais importância às coisas do que às pessoas? Quando foi que começamos a nos preocupar mais com cremes que esticam as rugas do que com os amigos que nos fazem rir até chorar e as reforçam? Que sentido faz, afinal, uma vida assim tão plástica, mas sem muito sentido já que a evitamos em prol de uma complexa e, ao mesmo tempo, vazia? Esquecemos que as coisas não têm importância alguma, eu também me esqueci disto, e passamos anos de nossas vidas focados em ganhar mais dinheiro porque precisamos comprar mais coisas do que faziam as nossas avós.
Sim, porque se antes meus vizinhos tinham nome para mim, hoje já não sei quem são porque mal os vejo. Dá-me saudade da época em que um telefone era apenas um telefone e não tinha que ter nome e sobrenome pra mim, do tempo que roupa podia ser qualquer uma desde que fosse bonita e confortável e que conhecíamos a dona da loja onde íamos comprar-la, uma senhora japonesa a qual chamávamos de Dona Maria. Não me lembro quando comecei a dar nomes aos objetos e a esquecer que apenas os nomes das pessoas deveriam ter importância para mim. Assim, deste jeito tão impessoal, o mundo me parece grande e vazio demais e eu, que ando saudosista ao extremo (deve ser reflexo da idade que avança a passos largos), lembrei de pessoas que fizeram parte de um mundo confortavelmente menor e mais aconchegante.  Um mundo onde o verdureiro tinha nome, o Expedito. Um lugar aonde o carteiro, o Jesus, vinha de vez em quando visitar-nos para partidas de voleibol no fim de semana, e o bar da esquina não era qualquer um, mas o do Sr. Japonês cujos filhos brincavam conosco na rua todas as tardes depois da escola.
O tempo passou e jamais voltará atrás, eu sei, eu sei. Então resta-nos aprender a viver com este que aqui está. Eu sei também. Entretanto, vale à pena colocar as coisas em seus devidos lugares de quando em vez, não? Não prometo deixar de usar o tal sabonete famigerado, acho que este hábito já é mais forte do que eu. Mas creio que devo tentar esquecer um pouco as coisas e preocupar-me mais com as pessoas que dão, para mim, o único sentido que a minha vida pode ter.
Um beijo saudoso e quentinho para todos, e um abraço tão longo quanto os discursos do Fidel. Boa semana!

domingo, 2 de outubro de 2011

O milagre

 

Ele me pergunta coisas
que apenas crianças sabem perguntar
e, por estes dias
 me perguntou:
o que é um batizado madrinha?
mas, por mais que eu me esforçasse
com todos os meus rasos conhecimentos
teológicos,
não consegui explicar-lhe
que raios era  a tal
 água benta
para além de uma água
abençoada por Deus.
assim, com esta explicação confusa
de adulto, deixei na mente do
meu pequeno mais dúvidas.
então, veio a tal descabida,
e por isso mesmo preciosa,
questão: e vamos poder ver Deus na igreja?
não, não o veremos, mas poderemos
sentir-lo, respondi eu.
e desliguei o telefone
sem dizer-lhe que vejo o meu Deus,
que posso mesmo ver-lo,
 a sorrir-me
sempre que tenho a ele,
meu menino Pedro,  perto de mim.
porque assim, olhando nos olhos dele,
vejo face a face o amor
vivo na minha frente.