terça-feira, 15 de novembro de 2011

A história de João e Valéria (parte 1)


1
Valéria era uma borboleta miudinha, pequena e amarela como os botões das capas de chuva das crianças que brincavam naquela praça todo final de tarde. Mas, apesar de sua pequenez, Valéria era uma borboleta menina muito corajosa. Tão destemida e curiosa que, às vezes, sua mãe a chamava para o jantar assim: “Venha aqui minha Borboleta Leão!” Sim, Valéria era um inseto danado e xereta que, por se crer muito maior do que era realmente, já havia se metido em muita confusão.
Mas, apesar de toda coragem que havia naquela barriguita, Valéria andava muito triste por muitos e muitos dias. Tão tristonha andava ela que suas antenas apontavam para o chão, e as asas, que mais pareciam ser feitas de papel de pipa de tão fininhas que eram, estavam murchas; se é que se pode dizer isto de asas. Mas, tão murchinhas estavam elas, que mais pareciam cara de menino quando acorda e vê que está chovendo em pleno domingo de praia e, naquele dia, não haverá futebol.
Valéria andava triste por um motivo que era até bem simples: ela tinha ganas de ver o mundo para além de seu jardim. É sim! Aquela borboleta menina queria sair dali, queria conhecer seu bairro, sua cidade e seu país. Ela queria ver o mundo todo, grande como ele só. Grande como apenas o Mundo pode ser. Entretanto, ela era pequena demais para isso, e suas asas de papel de seda não tinham a força e a firmeza necessárias para esta grande jornada. Valéria era um tipo de borboleta que voava lindamente, como bailarina a rodopiar na brisa, mas que não podia ir muito longe não.
“Ai... Ai...” Suspirava ela sentada num galho da pitangueira bem perto do escorregador vermelho.


Opinião


Papo antigo e solução idem. Legalize Já!

domingo, 13 de novembro de 2011

Des-Humanos



Durante muitos dias evitei, com dedicação, ver as imagens da morte de Muamar Kaddafi que foram mundialmente transmitidas tal final de um campeonato mundial. Fugia delas, pois sabia que haveria ali o terror que prefiro evitar, e sobre o qual, portanto, não gosto de falar. Não consigo ter a compreensão exata de qual parte de nossa humanidade mostra-se nestes momentos terríveis que chamamos desumanos. Mesmo assim, evitando-as a todo custo, não houve como escapar a flashes e linhas que me revelaram mais do que o necessário, e que fizeram com que o fato tenha me assombrado com uma insistência curiosa demais desde então.
Claro está que não falo aqui de nenhum santo, homem puro, que foi brutalmente assassinado, sei que não. Sei também que ele foi, durante anos a fio, responsável por atos tão ou mais terríveis que este. Entretanto, o que me assombrou foi a certeza de que a morte que assisti não deveria ter sido o destino de homem ou animal algum, seja ele bom ou mau. O que me entristeceu foi dar-me conta de que pessoas comuns, antes vítimas do ditador, tornaram-se algozes tão cruéis que nos fizeram sentir pena de um homem que, de acordo com seus atos pregressos, não mereceria nossa compaixão. E, outra vez, em nome do bem o que presenciei foi o mal acontecer.
Ficaram-me perguntas a martelar a cabeça, e a clareza incômoda de que tais atos cruéis dos quais somos tão capazes podem ser chamados de tudo, menos de desumanos. Ou eles não são uma reação antes de qualquer coisa humana? Não são? São? Se procurarmos a definição de desumano em dicionários encontraremos: falto de humanidade, cruel, bárbaro. Pois bem, o quão contraditório pode ser saber que os humanos são aqueles que mais têm a capacidade de cometer atos desumanos? Difícil mesurar, não?
Como pode haver prazer em deixar, ver e/ou fazer o outro sofrer? Compreendo que, num momento de dor, sejamos capazes de meter uma bala no peito ou no crânio de alguém e, ainda assim equivocados, termos a sensação de que aquilo que chamamos de justiça foi feita. Mas, a tortura... Esta foge de minhas possibilidades de compreensão e me faz, sempre, chorar. Chorar pela vergonha de perceber a desumanidade que pode haver em qualquer um de nós.
Na verdade me parece que, pouco a pouco, perdemos a capacidade de perceber no outro um ser humano também; voltando a tempos bárbaros há muito passados. Apenas isso, me faz compreender a nossa falta de compaixão com aqueles que padecem sofrimentos que nós, por obra divina, desconhecemos. Não sabemos o que significa estar em meio a uma guerra, nem o que é sentir seu corpo e mente violados de toda e qualquer maneira imaginada. Desconhecemos a dor que um homem deve sentir quando a fome é tanta que a pele da barriga parece poder beijar aquela que cobre as costas naturalmente tão longínquas. Por que deixamos ainda que coisas assim aconteçam todos os dias?
Por algum motivo, não muito claro para mim, lembrei-me agora de um poema de Manoel Bandeira que me incomodou muito quando li pela primeira vez. Deixo-o com vocês.
Um beijo e boa semana, mais uma vez.

O BICHO
VI ONTEM um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.
Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.
O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem.
de Manoel Bandeira

Cariño...

Morena MíA

Miguel Bose

Morena mía
Voy a contarte hasta diez
uno es el sol que te alumbra
dos tus piernas que mandan
somos tres en tu cama, tres
Morena mía
el cuarto viene después
cinco tus continentes
seis las medias faenas
de mis medios calientes.
Sigo contando ahorita
Bien, bien, bien, bien, bien

Morena mía
siete son los pecados cometidos
suman ocho conmigo
nueve los que te cobro
más de diez he sentido...

Y por mi parte sobra el arte
lo que me das, dámelo, dámelo bien
un poco aquí y un poco ¿a quién?

CHORUS:
Cuando tu boca, me toca, me pone y me provoca
me muerde y me destroza
toda siempre es poca y muévete bién
que nadie como tú me sabe hacer café.

Morena agata, y me mata, me mata y me remata
vamos pal infierno, pon que no sea eterno
suave y bien, bien
que nadie como tú me sabe hacer café
Pero cuando tu boca, me toca, me pone, me provoca
me muerde y me destroza
toda siempre es poca y muévete bien, bien, bien
que nadie como tú me sabe hacer....uff café.

Morena mía
si esto no es felicidad
que baje Dios y lo vea
y aunque no se lo crea
esto es gloria...
Y por mi parte pongo el arte, lo que me das,
dámelo y dalo bien
un poco así y un poco ¿a quién?
Pero cuando tu boca, me toca, me pone y me provoca,
me muerde y me destroza
toda siempre es poca y muévete bien
que nadie como tú me sabe hacer café.

Morena agata, y me mata, me mata y me remata
vamos pal infierno, pon que no sea eterno
Suave bien bien, que nadie como tú me sabe hacer café

Y es que cuando tu boca, me toca, me pone, me provoca
me muerde y me destroza
toda siempre es poca y muévete bien, bien, bien
que nadie como tú me sabe hacer..uff café.

Bien, bien, bien, bien, bien, bien...
Bien, bien, bien, bien, bien, bien...
Bien, bien, bien, bien, bien, bien... Café...
Bien, bien, bien, bien, bien, bien... Café...
Bien, bien, bien, bien, bien, bien... Café...

Olhos surdos


Missing your Sunday Words... Where have they gone, Preto?