terça-feira, 8 de maio de 2012

Sorriso de Buda




Um dia, tal anjo ou visagem, passou por mim,
de repente,
o sorriso mais perfeito que já cruzara a minha frente.
Não que os dentes sejam os mais brancos
ou que seja a boca completa e cientificamente simétrica.
Não. Pois na alma, e não na carne, reside a sua perfeição.
E para estes olhos que me foram dados,
ele parece ter sido feito por um Deus,
sábio e zombeteiro,
que se ri de toda audácia de minha mente
que julgava-se independente.
Ah, e o tal sorriso...
O tal sorriso, até meio torto afinal,
chega-me tão doce e quente, tão afetuoso e alegre
que me enche os olhos e o peito de um calor
desconhecido até aquele dia fatídico.
O dia no qual se postou à minha frente
o homem de covinhas definidas e insistentes
que roubou-me o sossego
com seu sorriso de Buda,
definitivamente.



segunda-feira, 7 de maio de 2012

Brincadeira


Brincadeira

Somos ainda crianças? Não.

Então, matam-nos as tais brincadeiras

que mais maltratam do que consolam

retratos de um fato

um disparate

inventado por um homem e uma mulher

de mentes voadoras

e corações medrosos e congelados

brincadeira que vem para

atrapalhar, baralhar e magoar

e que nos faz rodar tal pião,

balão zonzo e

perdido

sem

direção ou razão


sábado, 5 de maio de 2012

(: O Dia da Mi :)

Eu e a minha Mi.







Hoje é dia dela. O dia de colocar aqui no papel eletrônico algo a respeito da minha mãe, ou como diria eu: hoje é o Dia da Mi. Depois de muito fugir do assunto, resolvi escrever sobre ela porque no próximo domingo celebraremos o dia das mães e eu, por escolha minha, poderei fazer tudo menos estar próxima a ela. Sim, sou uma filha desnaturada, uma ovelhita negra e desgarrada. E, por isso, lhe devo desculpas - Sinto muito Mi! Eu também queria estar aí contigo.

 Estarei aqui, há milhares de quilômetros mais uma vez e, por tanto, não haverá beijinhos ou abraços. Não senhor. Haverá apenas o carinho carente pela falta daquela que se quer abraçar por horas sem fim. Haverá o telefonema e as palavras ditas de uma distância grande demais para um amor tão forte como é este entre uma mulher e aquela que um dia foi sua menina. É uma pena que as meninas e meninos cresçam tão rápido assim, mas assim é a vida e não há como lutar contra ela. Estamos, cada um de nós, em nosso caminho e, certo ou um tanto torto, temos que trilhá-lo sozinhos.

Sem saber se mereço os pais que tenho, como quase todo filho, quero aproveitar para dizer aquilo que está sempre implícito aqui: Te amo mãe! Sim, com a tal colocação pronominal equivocada porque sentimentos não têm regras gramaticais, jamais. Te amo e agradeço por todo o carinho sem tamanho nem fim que você deu e dá para mim, por este amor tão forte e gratuito, tão verdadeiro e completo que me assusta às vezes. Pois como pode haver um amor tão entregue como esse? Nós, seus filhos, sempre recebemos o melhor de ti, antes e mais intensamente do que qualquer outra pessoa que esta Terra já viu. Parece que tivemos muita sorte mesmo de nascer de ti, de ter habitado por algum tempo o teu corpo, e através dele nos fazermos gente.

Mi, te amo, te amo mesmo e muito, mesmo que eu seja assim: uma menina que gosta de estar por este mundo grande e longe de ti. Amo-te hoje e sempre, para todo o sempre, agora e no dia em que nós, as duas, já não estivermos mais aqui. Sou um pedaço de ti e do papito e, mesmo longe, vocês estão sempre comigo.

Um beijo doido para a mulher que mais admiro neste mundo, pois ela, como ninguém, soube e sabe o que é ter um amor sem fim.

Um beijo para todas as mães e filhos.

Para minha mãe, que nasceu Odila, mas que pra mim é Mi.
Papito e Mi, dia de passeio em família.

Novos Baianos - Preta Pretinha



Uma música que nasceu antes de eu ser gente de verdade e que desde sempre me fez sorrir. Preta, Pretinha pra minha tarde quente e delicada.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Mi Neruda

Un poco de Chile que encantaron mis ojos

 

Poema 14



Juegas todos los días con la luz del universo.
Sutil visitadora, llegas en la flor y en el agua.
Eres más que esta blanca cabecita que aprieto
como un racimo entre mis manos cada día.

A nadie te pareces desde que yo te amo.
Déjame tenderte entre guirnaldas amarillas.
Quién escribe tu nombre con letras de humo entre las estrellas del sur?
Ah déjame recordarte cómo eras entonces, cuando aún no existías.

De pronto el viento aúlla y golpea mi ventana cerrada.
El cielo es una red cuajada de peces sombríos.
Aquí vienen a dar todos los vientos, todos.
Se desviste la lluvia.

Pasan huyendo los pájaros.
El viento. El viento.
Yo sólo puedo luchar contra la fuerza de los hombres.
El temporal arremolina hojas oscuras
y suelta todas las barcas que anoche amarraron al cielo.

Tú estás aquí. Ah tú no huyes.
Tú me responderás hasta el último grito.
Ovíllate a mi lado como si tuvieras miedo.
Sin embargo alguna vez corrió una sombra extraña por tus ojos.

Ahora, ahora también, pequeña, me traes madreselvas,
y tienes hasta los senos perfumados.
Mientras el viento triste galopa matando mariposas
yo te amo, y mi alegría muerde tu boca de ciruela.

Cuanto te habrá dolido acostumbrarte a mí,
a mi alma sola y salvaje, a mi nombre que todos ahuyentan.
Hemos visto arder tantas veces el lucero besándonos los ojos
y sobre nuestras cabezas destorcerse los crepúsculos en abanicos girantes.

Mis palabras llovieron sobre ti acariciándote.
Amé desde hace tiempo tu cuerpo de nácar soleado.
Hasta te creo dueña del universo.
Te traeré de las montañas flores alegres, copihues,
avellanas oscuras, y cestas silvestres de besos.

Quiero hacer contigo
lo que la primavera hace con los cerezos.

Nature by Numbers



A lógica daquilo que não parece tão lógico assim