quarta-feira, 18 de agosto de 2021
quinta-feira, 12 de agosto de 2021
Seis
Seis
Seis minutos Seis dias Seis semanas
Seis meses
Seis anos
Seis minutos de desespero
Seis dias de alma perdida em luto
Seis semanas tentando entender direito o que chegou muito
cedo
Seis meses me acostumando ao fato de que, de fato, eu não
poderia mais te ver
Seis anos de conversas não tidas, de risadas represadas, de
abraços e beijos devidos
de nossas discussões não terminadas
Seis anos de saudades da mulher menina dona da minha vida
Saudades em seis de ti, Mima.
terça-feira, 10 de agosto de 2021
domingo, 8 de agosto de 2021
Paris 24?
Paris 24?
Desde 1980
acompanho aos Jogos Olímpicos com ganas de ver tudo o que é possível. Por isso,
em 2016, depois de já começadas as Olimpíadas no Rio de Janeiro, arrependi-me
profundamente de não ter dado muita bola para o tal acontecimento em Terra
Brasilis. Não fui ao Rio. Por quê, meu Deus! Independentemente de onde
aconteçam, mesmo em países profundamente desiguais como o meu, as Olimpíadas
são para mim um momento tão belo que beiram ao poético; ao sobrenatural. Deveria
ter me organizado para ir ao Rio sem dúvida.
Ignorei aos
jogos no Rio e detesto ignorar o que sinto que devo fazer. Quebro a cara com gosto,
mas não gosto nadinha de arrepender-me do que não fiz. Sendo assim, decidi-me
por ir ao Japão em 2020 enquanto Usain Bolt ganhava mais uma medalha.
Planejei-me e comecei a guardar dinheiro para a tal aventura. Tenho grande
admiração pelo Japão e seu povo, sempre quis visitar a este país e, em tempos
dos jogos gregos este seria um momento ímpar para fazê-lo. Japão 2020 lá vou
eu.
Não fui. A vida
mudou em 2018 e todos os planos mudaram. Oh vida! Bom, a bem da verdade, nem as
Olimpíadas foram para o Japão em 2020. Não senhor. Em 2020 o mundo parou, a la
filmes de ficção futurista sem direito a efeitos especiais, e ficamos feito
tatu na toca. Ficamos sem os jogos que realizaram-se agora, em Julho de 2021,
sem direito a público. Uhhhhh... pensei eu. Não fui, ninguém foi. Eita sina
lascada!
Não fui, porém
foram os atletas. Amém!! E foi ótimo ter tido estes 15 dias de vida para além
das atrocidades e canalhices dos seres humanos que têm nosso mundo em suas mãos,
apenas a admirar esta gente que faz coisas que eu nunca seria capaz de fazer. Lindo,
lindo, lindo... 15 dias sem dormir direito, meio zonza, a chorar em frente à
televisão no meio da madrugada.
Chorei de
emoção, de orgulho, comovida com a dedicação de gente que se dedica por algo
sem explicação. Gente que trabalha incessantemente para quiçá, com muita sorte
a ajudar, ganhar uma medalha feita de plástico reciclado. Gente maluca!
E se todos são
malucos, malucos admiráveis, por correr assim atrás de recordes, de números e
de pódios a troco de muito pouco, ou quase nada. Pensar o quê dos atletas
brasileiros que praticamente pagam para poder participar dos Jogos Olímpicos?
Penso que eles
são mesmo seres diferentes. Não perfeitos, nem santos; não. Contudo, são
pessoas nas quais a vontade de conquistar e realizar algo nesta vida, algo
diferente e relevante, é muito maior e mais forte do que a própria existência delas.
Eles vivem para correr, saltar, nadar, voar... Parecem, feito criança, ignorar
a fatalidade que é essa vida regida pelo vil metal. São mesmo seres abençoados.
Meus heróis de carne e osso. E com medalha no peito ou não, têm o meu aplauso. (Vocês
são demais!)
Os Jogos
Olímpicos de 2020, que chegaram por cá atrasados, acabaram e já me deixam cheia
de saudades. Esta noite vou dormir, verdade. Porém, até lá, vejo e revejo, numa
ressaca atlética, os feitos destes homens e mulheres que merecem a minha
admiração desde que me entendo por gente. Desde que, muito miúda, vi e ouvi todo
mundo a falar de uma menina chamada Nadia. Nadia Comaneci.
Paris...
Paris... quem sabe? Coco mole, meu Rei!!!!
terça-feira, 20 de julho de 2021
SeR
Ser
O tempo passa e nos devora
faminto
a todos
ouço meus ossos a bater uns contra os outros
enquanto leio sobre o mundo
ao qual deixo de pertencer lentamente
sem melancolia
ou lástimas
azul
apenas o azul do mar anda a interessar-me mais do que tudo
mais do que o azul do céu
mais do que as pessoas
do que você
do que eu
talvez seja hora de partir mais uma vez
a cruzar o mundo a ser quem jamais fui com gentes que nunca
conheci
um eu diferente
um eu que seria mais ao outro
alguém que ainda serei
outra coisa
apenas ser
sereia
ser areia


