quarta-feira, 9 de março de 2022

A guerra

 


A guerra

Do lado de lá do azul oceano

Uma eternidade de lágrimas brota

E desde este lado apuro os ouvidos para ouvir os lamentos

Doloridos e chorosos.

Por que a maldade humana nos assombra repetida e

Cotidianamente ainda

E mais uma vez?

Por quê?

O mundo dos homens de um repente transforma-se

E nos pesadelos das noites que não são seguidas

Pelo amanhecer

o bicho papão cria feições humanas.

Nada nos assombra mais do que o fato

de sermos nós mesmos

o monstro.

Não há razões que expliquem as razões de uma guerra

e desde este lado fico mais uma vez em confusão;

Por quê?

Por que escolhemos manchar o azul oceânico que deveria refletir

a tranquilidade do céu dentro de nós?

O mundo avermelha-se com ódio

e desde aqui escancaro meus olhos porque sei:

Ouvimos pouco sobre o pior das guerras,

dos horrores das guerras falamos pouco

porque mulheres e crianças são, sempre, as mais emudecidas

depois que a primeira bomba explode.

Sem esperança no corpo

Sem luz nos olhos

Sem vida na alma seguem.

Desde aqui, tão longe quanto poderia ser um mundo azul neste momento,

Sinto-me ferida de morte

Seguimos apáticas.

CRIANCEIRAS & Manoel De Barros







domingo, 6 de março de 2022

The Singing Shadows

Uma nova velha guerra

 





Uma nova velha guerra

 

Vladimir Putin, desde 1999, governa a Rússia de uma forma ou de outra. Seja como primeiro ministro ou presidente, Putin, de cima de seus parcos 1.68 de altura, tem conseguido, de maneira pouco clara e muito perigosa para todos os seus opositores, com violência e mentiras, manter-se no poder à moda dos grandes mafiosos italianos; ou melhor, dos grandes mafiosos russos.

Há anos ouvimos muito falar do poder e do dinheiro dos russos pelo mundo. Dinheiro vindo não se sabe bem de onde e tampouco como. Dinheiro sujo, dinheiro de sangue, dinheiro violento que alimenta uma grande parte da riqueza mundial. Dinheiro grande no futebol, em grandes empresas de energia e comunicação, em museus e academias de artes.... dinheiro, muito dinheiro.

Bilionários amigos de Putin que, como ele, enriqueceram rapidamente depois do final da União Soviética em 1991, são estrelas entre homens de negócios e governos sem que muito tenha sido questionado num mundo que procura abafar qualquer murmurinho sobre a vilania dos homens que vestem ternos muito caros e desfilam com seus iates e jatos.

O dinheiro governa o mundo como sempre, ou como nunca dantes. E quem não o tem não é considerado como gente, como cidadão, sobre este planeta. Putin, e sua megalomania, (como em tantos outros governantes apegados a seus cargos a psicopatia deste senhor é óbvia) sonham há tempos com uma Grande Mãe Rússia mais uma vez.

 Aliás, anda muito em moda ouvirmos esta baboseira pseudonacionalista da boca dos governantes com poucas ideias e muita ambição. Homens e mulheres gananciosos que perceberam o quão fácil ainda é manipular mentes parcas com um discurso nacionalista, populista e vertiginosamente barato. Afinal, o que são o Mr. Trump e o Senhor Jair?

Seja lá como for, ou porque for, temos tolerado a “excentricidade” de muita gente em nome do dinheiro. E tudo parece muito bem até que um dos malucos megalomaníacos de plantão resolve abrir suas asas e mostrar as garras.

Putin que precisa manter sua popularidade e poder, de maneira torta como sempre, andava muito incomodado com a vontade ucraniana de unir-se à União Europeia. União que iria ameaçar a sua grandeza e resolveu trucar. Invadiu a Ucrânia com a pior das intenções e por motivos particulares e vis. O mundo arregalou os olhos e caiu em si. Vladimir não é de se brincar e, até onde ele irá é a dúvida que paira pesada feito chumbo no ar.

Uma nova velha guerra está por cá mais uma vez; mais uma vez movida pela ambição de poder de poucos. Mais uma vez nós, os civis quase cidadãos, estamos a sofrer e, feito moscas, vamos morrer.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2022

Ainda é tempo

Warm

EntreLinhas

 


EntreLinhas

Aconchego-me à ausência

tranquila

que a esta altura da vida me faz boa companhia

Silenciosa e delicada amiga de todas as horas; em boa hora,

Fez morada à minha porta

a desaparição

Caminhamos juntas, as duas

Ela, a tua ausência, sempre a fazer-se presente pela falta

e eu, no que me toca, deixo de ser quando insisto com minha presença

muda

a teu lado

ruidosa