sexta-feira, 20 de julho de 2012

Intensamente



Aos olhos mais verdes de mar,
de sorriso mais quente de graça
e  voz de anjo cheio de pecado,
toda a felicidade
Ao menino que ousou crescer,
e fez-se homem pela sua menina
e de um tornou-se três para toda uma eternidade,
toda a paz
Ao sonho que virou verdade,
virando a minha verdade de ponta cabeça
ao transformar  meu medo em coragem
toda a paixão
E desejo que ninguém, nem mesmo eu,
possa algum dia arranhar esta tua vida,
será este pra ti o meu presente:
desejo-te
tudo aquilo que já tens para o dia de hoje
e, muito além,
para sempre.

Feliz Aniversário, meu Preto.
20 de Julho de 2012



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Um erro divino



Como pode ser errado, ser pecado,
o amor?
Não pode. E este só pode ser um
erro divino. Um descuido de Deus.
Porque amor nunca é erro ou pecado
e, se está errado, amor não há de ser o pobre coitado.
Mas, então, o que é isso que mora aqui comigo?
Este sentimento arretado, desgarrado,
que fugiu do meu peito e se espalhou por todo canto
da casa. Invadiu sala, quarto, banheiro e as demais
dependências da morada,
fazendo com que eu  esbarre nele a todo momento.
O que é isso que me levou o sossego, se amor
não pode ser?
Uma falha grave de meu caráter, uma fraqueza,
loucura,
impuro disparate. Não sei.
Sei apenas que para mim parece amor porque de amor tem o gosto,
o cheiro e todo jeito.
Anda como andam os amores mais verdadeiros, e como eles comporta-se
o dia inteiro.
Mas a mim, a mim, todos os homens sérios já disseram que amor não há de ser,
não pode. Pois então, digo eu que só pode ser um erro
Dele que se assemelha aos homens.
Porque eu não sei a que nome deve-se chamar todo esse
meu bem querer
que chamar de amor não se pode.



quarta-feira, 18 de julho de 2012

Mandela's birthday


A man who made me think over and over again...









There is no passion to be found playing small - in settling for a life that is less than the one you are capable of living.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

azul


Tristeza afoga mais que água
mais que rio
e enchente
tristeza é onda que chega mansamente
como se fosse gota,
e a gente não vê
apenas sente quando, de repente,
a tristeza transborda e inunda
a alma de
 azul 


terça-feira, 10 de julho de 2012

A vida escondida




Ontem ao terminar a leitura de mais um livro, o romance A Casa dos Espíritos de Isabel Allende, senti a tal mescla de sentimentos que me acompanha sempre que meus olhos se põem na última página de um bom livro: a satisfação tranquila pela missão cumprida de ter visto de cabo a rabo mais uma estória, e o pesar melancólico de saber que a minha cumplicidade com os homens e mulheres que respiram naquelas páginas deixará de ser um prazer cotidiano. Não ouvirei mais aquelas vozes em sussurros aos meus ouvidos, e a saudade fica comigo.

É bem verdade que nem todos os livros nos tocam da mesma forma, e assim jamais pode ser. Há vezes nas quais nos arrastamos pelas páginas de um livro que não consegue nos prender e, mais por orgulho ou teimosia, terminamos pesadamente, e com alívio sincero, a passagem por suas linhas finais. Por outro lado, em outras vezes, nos sentimos tragados pelas palavras de uma estória, escravos sedentos pelo descobrimento dos próximos acontecimentos, de tal forma que nos dói fechar o livro e abandoná-lo até o próximo momento egoísta de estar a sós com esta paixão novamente.

E, tal como toda forma de arte, a grandeza e o valor de um livro nunca deixarão de ter um quê de subjetivo e, por tanto, relativo. O bom livro, muito para além das qualidades literárias que ele pode ou não ter, é assim classificado muito de acordo com o prazer que este dá aos olhos de quem o lê. Assim, que no mesmo dia de ontem, senti-me ofendida pela qualificação de medíocre dada ao meu querido Carlos Drummond de Andrade por um jornalista na televisão. E, me perguntei: como assim, Drummond uma porcaria? Que heresia. Entretanto, tão certo quanto eu tenho o direito de ser apaixonada por tudo que o mineiro Drummond escreveu, outro leitor tem todo o direito de não gostar nem um pouco do todo que ele produziu. E desta forma sempre será.

Seja como e porque for, ganhamos muito quando lemos um bom livro; um livro que nos ensina algo, que provoca nossa mente, e nos comove. Ele nos faz refletir sobre sentimentos, fatos, e sobre as razões humanas para ações que não são nossas, mas que experimentamos no cumplice momento de entrega à leitura.  E aprendemos mais sobre o mundo e sobre quem somos através de uma catarse literal.

Quanto ao meu último romance, A Casa dos Espíritos, posso dizer que valeu muito a pena para mim, sem qualquer sombra de dúvida.  Seus personagens viveram comigo por um mês inteiro e me fizeram sorrir, chorar e me sentir tão próximo a eles que quis, através da fé cega, mudar o escrito para que o sofrimento destes fosse diminuído. Neste momento, sinto saudades daqueles latinos apaixonados, passionais e um tanto lunáticos. E fica mais claro para mim o porquê de chamarmos de romance este gênero literário, já que a paixão por ele concedida me chega clara e viva.