quarta-feira, 15 de janeiro de 2014
terça-feira, 14 de janeiro de 2014
Neruda - mi Pablo
SAUDADE
Saudade
-Qué será?... yo no sé... lo he buscado
en unos
diccionarios empolvados y antiguos
y en
otros libros que no me han dado el significado
de esta
dulce palabra de perfiles ambiguos.
Dicen
que azules son las montañas como ella,
que en
ella se oscurecen los amores lejanos,
y un
noble y buen amigo mío (y de las estrellas)
la
nombra en un temblor de trenzas y de manos.
Y hoy
en Eça de Queiroz sin mirar la adivino,
su
secreto se evade, su dulzura me obsede
como
una mariposa de cuerpo extraño y fino
siempre
lejos -tan lejos!- de mis tranquilas redes.
Saudade...
Oiga, vecino, sabe el significado
de esta
palabra blanca que como un pez se evade?
No... Y
me tiembla en la boca su temblor delicado.
Saudade...
MARIPOSA DE OTOÑO
La
mariposa volotea
y arde
-con el sol- a veces.
Mancha
volante y llamarada,
ahora
se queda parada
sobre
una hoja: que la mece.
Me
decían: -No tienes nada.
No
estás enfermo. Te parece.
Yo
tampoco decía nada.
Y pasò
el tiempo de las mieses.
Hoy una
mano de congoja
llena
de otoño el horizonte.
Y hasta
de mi alma caen hojas.
Me
decían: -No tienes nada.
No
estás enfermo. Te parece.
Era la
hora de las espigas.
El sol,
ahora,
convalece.
Todo se
va en la vida, amigos.
Se va o
perece.
Se va
la manò que te induce.
Se va o
perece.
Se va
la rosa que desates.
También
la boca que te bese.
El
agua, la sombra y el vaso.
Se va o
perece.
Pasò la
hora de las espigas.
El sol,
ahora,
convalece.
Su
lengua tibia me rodea.
También
me dice: -Te parece.
La mariposa volotea,
revolotea,
y desaparece.
quinta-feira, 9 de janeiro de 2014
terça-feira, 7 de janeiro de 2014
Espero
Espero
mesmo que toda a esperança seja nenhuma
e que o esperar seja, simplesmente, uma condição natural do
ser
Espero pelo dia em que o sol amanheça azul
e que uma noite alaranjada traga consigo sua lua esmeralda
Espero
consciente de que este esperar é eterno e morno
como as manhãs de outono, em vão
Espero
pois todas as esperanças do Mundo são minhas e alimentam
patéticas e poéticas
a cega crença na alma humana que conserva
esta alma minha; alma de menina
Espero
em eterno silêncio
pelo barco,
pelas nuvens,
pelas folhas
e pelas flores
que os ventos levaram,
e levam, para tão longe porque assim sopram os ventos
Espero
domingo, 5 de janeiro de 2014
2014 loading...
E começou 2014, como todo novo
ano, um tanto quanto preguiçoso. Bem, sei que isso de preguiça é feio, como
muito bem me dizia minha mãe, pois que sou adepta da “dolce far niente” desde
menina. E isso sempre foi tido como algo muito feio. Porém, como é bom um dia
preguiçoso como hoje, domingo, um dia para se fazer nada, ou quase nada. Sabe,
morro de inveja dos gatos neste quesito, a capacidade deles de viverem assim, como quem não quer nada, é uma arte. É lindo de se ver.
A verdade é que o brasileiro tem
fama nacional, e internacional, de não ser lá um povo muito comprometido com o
trabalho. O que na verdade, não é verdade de forma alguma. Temos sim nossa
malemolência natural, nosso jeito despretensioso de ser, ou de mostrar-se em
alguns momentos, mas a verdade é que trabalhamos muito, todos os dias, desde
que o nosso mundo é mundo e que Cabral cá fincou seus pés. Eu já estou a
trabalhar mais do que nos anos anteriores, o tempo urge enlouquecido em 2014
porque os meses, e o próprio tempo, neste ano serão contados de uma forma
diferente. “Habemus” Copa do Mundo!
Este ano novo cheio de novidades
como há muito não se via, além de estar dando seus primeiros passos lentamente,
promete-nos desafios inesperados com a tal Copa do Mundo a ser realizada aqui.
E eu, como muitos brasileiros, estou eufórica pelos jogos e não vejo a hora de
estar nos estádios, de ver a bola rolar e todo o etc. e tal que me espera.
Sempre quis estar numa Copa do Mundo, desde minha tristeza primeira com nossa
derrota em 1982 e minha raiva eterna de Paolo Rossi e Toninho Cerezo. Neste ano
este sonho de menina realizar-se-á. Sorrio só de pensar.
Contudo, como muitos brasileiros,
sei que na prática, e de forma prática, nada em nossas vidas melhorará por
conta da tal Copa. “Au contraire mes amis!” o que espera todo brasileiro é que
nossos problemas aumentem com a tal da bola a rolar por aqui. Dias perdidos de
trabalho e dinheiro perdido por isso, a impossibilidade de ir e vir nos dias de
jogos com ruas fechadas e o transporte a custar dez vezes mais caro do que o
comum, o mundo a descobrir que a infraestrutura no Brasil não existe mesmo e
que apesar disso aqui tudo é muito caro, os alugueis nas cidades sede pela hora
da morte, e por aí vai.
A verdade é que muito dinheiro
foi gasto, e ainda o será, com a Copa do Mundo e nadica de nada melhorará para
a população. Para além de termos estádios de futebol mais bonitos e modernos, e
até eles estão longe do ideal, e de uma tentativa capenga de melhorar os nossos
aeroportos, praticamente nada foi feito que justifique dizermos que a Copa do
Mundo será algo bom para os brasileiros. Ela será boa para os brasileiros que
irão aos estádios, como eu, mas este é um bem egoísta, pífio, que não deve,
jamais, ser prioridade para um país como o meu, tão desigual e injusto.
Há alguns anos um amigo nos
questionava sobre a validade das Olimpíadas na China, sobre o fato de que um
país nada democrático e cruel para com seu povo não deveria, nunca, sediar
jogos tão emblemáticos da superação do homem e do espírito de fraternidade. Pois,
não é a fraternidade ou o espirito esportivo que movem Olimpíadas e Copas
Mundiais, tal como príncipes encantados e fadas madrinhas não existem. Estes se
movem e são movidos pelo dinheiro e pelos interesses políticos que, no final
das contas, são a mesma coisa. O Mundo realmente deveria ser melhor, e o Brasil
não merecia ser sede de Copa do Mundo e/ou Jogos Olímpicos, mas o é.
Porém, apesar do Mundo não ser
justo e fraterno, sei que nós, individualmente o podemos ser. Portanto, mesmo
que os governos deste ou daquele país não sejam lá um exemplo a ser seguido, sei
que há milhares de cidadãos neles que são pessoas exemplares. E isso ainda é o
que mais importa.
Bem, eu não estabeleci grandes
metas para este ano, e com o meu egoísmo natural sei que estou a léguas de
muita gente boa por aí. Quero melhorar meu trabalho e crescer
profissionalmente, ser mais atenta às pessoas e ajudar-lhes mais. Prometi que
não comerei mais tanto doce como antes e os restringi aos sábados, quero
escrever mais e prometi para mim mesma que vou deixar o passado para trás e
seguir em frente.Que venha 2014!
Um beijo a todos.
Um beijo em especial aos amigos portugueses que hoje perderam seu maior jogador de futebol de todos os tempos - Eusébio, o pantera negra.
sexta-feira, 3 de janeiro de 2014
Apanhador Só - Reinação
Reinação
Apanhador Só
Instituiu o fim da pressa
Decretou o deixa pra lá
Em seu peito mais amores
Sem bandeira e sem fuzil
Confortável mãe gentil
Assinou um documento
Permitindo o bem-viver
E um brado forte e retumbante
Se espalhou nos meios fios
Teve gente que sorriu
Quem quiser brincar
Põe o dedo aqui
Que já vai fechar
O abacaxi
Quem quiser brincar
Quem quiser mudar
Quem quiser brincar
Ó, já vai fechar
Fez brilhar no céu da pátria
Mais de mil canhões de luz
De luz verde louro oliva
Deixando cego entre outros mil
O nó de tudo o que é vil
Suprimiu a covardia
Eliminando a luta vã
Verás que um filho teu não foge
Ao firmamento azul anil (que já vai fechar)
O mais azul que já se viu
quinta-feira, 2 de janeiro de 2014
As flores
Sempre teremos as flores deste jardim não importando o silêncio
demasiado frio,
o mal tempo que se estabelece feito lei na minha terra
governada pela tua prudência
a dar-me as costas,
com suas negras e gordas nuvens preguiçosas pousadas de
frente da minha casa;
bem na minha janela.
Não importa.
Nascem teimosas as brancas margaridas
e ainda sonha, presa à terra com raízes profundas,
a Maria-sem-vergonha, a mais tola de todas as flores
que, sem vergonha,
sem pudores
e sem nenhum orgulho próprio dentro de si,
derrama-se em cores
pelos solitários becos estreitos
para ti.
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