terça-feira, 6 de janeiro de 2015
sábado, 3 de janeiro de 2015
A Bailarina
Numa ensolarada manhã de outono, num
domingo cheio de preguiça e silêncio, João caminhava pelas ruas do bairro.
Ainda era cedo e o rapaz voltava a pé para casa depois de uma noite de
trabalho; violão nas costas e cigarro entre os dedos. Havia tocado bem, muito
bem, e sentia-se feliz, satisfeito. Querendo apenas a cama e o silêncio como
companhia até muito depois do meio dia, João dobrou a esquina a quatro quadras
de casa. Foi então que a música de um piano chamou-lhe a atenção. Era
Fascinação. João olhou para cima, para uma janela do outro lado da rua. Através
da janela de onde vinha a música o rapaz viu a dançar como
se dança em sonhos a bailarina.
Ela parecia feita de luz e sons em
tons tristes e leves como os da canção. Seus braços flutuavam e os cabelos
castanhos soltos fluíam enquanto os olhos da bailarina pareciam perdidos nalgum
tempo no qual João não existia. Ele a fitava perdido, e ela, perdida, não o
via. Apenas dançava sozinha, a bailarina, uma canção tocada ao piano por mãos
de alguém que não se via do outro lado da rua. Por isso para João, ainda meio
embriagado pela noite, parecia que a canção era criada pelos movimentos da
menina morena que dançava. “Como ela é linda!”, pensou o rapaz. Cigarro lançado
ao chão, e passos devorando a rua, João chega à janela com olhos encantados e
sorri.
Do outro lado do vidro, a bailarina
continua a dançar em seu mundo. Ana ama dançar como não ama a nada mais nesta
vida, pois sente, dentro de si, que a música vibra e a faz mover-se. A menina
de cor pálida é movida à música e enquanto esta toca, ela vive em seu perfeito
mundo de sons e movimentos como se nada mais existisse naqueles momentos.
Contudo, minutos depois, ela percebe que rente
à janela há um homem jovem de violão nas costas que sorri. De soslaio sorriem os olhos da bailarina que
enquanto dança pensa que aquele é o sorriso mais bonito que ela já vira em sua
vida. Um sorriso curioso acompanhado de cabelos expressivos e olhos negros, de
uma barba por fazer e de certo desleixo de quem gosta de provar a vida sem
receios. Ana dança menos melancólica sabendo que há aquele sorriso do lado de
lá do vidro. “Quem será?” pergunta-se a bailarina que depois do último passo da
coreografia volta delicadamente o rosto para a janela e nota que o rapaz já não
está mais ali.
Ana engole o sorriso que quase lhe
saíra pela boca e a passos medrosos aproxima-se do vidro. Não há ninguém na rua
naquela manhã de domingo quando todos estão dormindo. A bailarina sente um
longo suspiro engasgado, e pensa que teria sido muito bom saber o nome do
menino de sorriso tão largo, lindo e iluminado.
Ainda havia dez minutos de ensaio. Dez minutos era tempo demais, e
depois de tanto tempo o rapaz do sorriso encantado já estaria perdido para
sempre. Talvez ele morasse por perto. Talvez passasse noutro domingo
qualquer... Talvez...
A bailarina dança dona de seus
movimentos tristonhos por mais dez minutos sentindo a cada movimento; sentindo
a canção. Despede-se da pianista e se veste para sair. Ela está cansada e um
tanto acabrunhada com o sumiço do sorriso do menino. Ela não entendia como
alguém que sorria para ela daquele jeito, de um jeito que ela não se lembrava
de ter visto na vida, podia num instante sumir. Pois então, por que sorria ele daquele
jeito para mim? Talvez ele nem sorrisse tanto assim. Talvez eu tenha apenas
imaginado um sorriso maior do que o sorriso possível para alguém que me olha
curioso através da janela. Talvez ele apenas achasse graça na dança...
Talvez...
E assim, com uma fila de pensamentos
a fazer curvas na sua cabeça, a bailarina abre a porta do estúdio para ir para
casa. E ali, do outro lado da porta, calado, está o sorriso mais bonito do
mundo a sorrir. Ana sorri o sorriso que engolira, e que agora sai da boca mais
amplo do que nunca saíra. Agora, encantado, o sorriso dela encanta o menino que
sem medo a convida para um café. Os olhos azuis de Ana sorriem. Ela adora café.
Sim.
quarta-feira, 24 de dezembro de 2014
segunda-feira, 22 de dezembro de 2014
Aos Amigos
Sim, este foi um ano difícil. O mais
difícil ano de minha vida porque, de repente, tive que enfrentar uma realidade
muito conhecida e, ao mesmo tempo, completamente ignorada: não somos eternos. Não
o somos e disso todos nós sabemos desde
cedo na vida. Contudo, como parvos
adolescentes, cremos que qualquer mal está sempre muito longe de nós e que ele
não nos poderá atingir. Pelo menos era assim que eu vivia até este ano; até o que
eu chamei de o pior ano de minha vida.
Porém, (e sempre haverá os poréns porque
Deus é cheio de ideias para enredos, e escreve o certo de um jeito que não o
parece ser), com todos os problemas deste ano, com todas as dores e a tristeza,
com a tal da doença sem cura que ganhamos aqui em casa, vieram coisas muito
boas também. Neste ano descobri que minha mãe tem uma força e uma coragem que
eu desconhecia, e que desta força dela faço mais forte a força minha. Percebi
nestes dias que o amor que há entre nós é muito mais forte do que eu imaginava
ser, e cuidei da minha mãe como nunca havia feito; como quiçá nunca faria. Fui
a mãe da minha mãe por um tempinho, e o carinho multiplicou-se
Descobri em 2014, acima de tudo, que
os bons amigos que tenho são mais que bons; eles são geniais! Pois, por eles minha
família e eu nos sentimos amparados durante os momentos mais difíceis. Então,
eu quero dizer que nada, mas nada mesmo nesta vida vale mais do que este amor
que existe sem obrigação de ser. Somos amigos, somos a família que construímos
e que nos foi dada por obra divina e isso significa um bem-querer sem regras ou
restrições. Seguimos juntos na vida porque assim queremos seguir, porque juntos
nos divertimos, rimos e fazemos rir mesmo quanto a vontade é chorar.
Por tudo isso, mesmo que o ano tenha
sido um tanto mais complicado, agradeço muito por tudo de bom que nele houve; e
houve muita coisa. E, principalmente, agradeço por ter vocês, meus queridos,
tão perto de mim nesta vida. Amo-vos verdadeiramente e para todo o sempre.
Feliz Natal e que 2015 seja melhor
para todos nós.
quarta-feira, 17 de dezembro de 2014
Fascinação (A bailarina)
Fascinação foi a primeira canção que me encantou na vida quando eu ainda era muito menina. Por isso, ela foi a escolhida para o primeiro conto a ser contado nas minhas brincadeiras de escrever com a Gigi. A bailarina.
Fascinação
Os sonhos mais lindos sonhei
De quimeras mil um castelo ergui
E no teu olhar, tonto de emoção,
Com sofreguidão mil venturas previ
O teu corpo é luz, sedução
Poema divino cheio de esplendor
Teu sorriso prende, inebria e entontece
És fascinação, amor
quinta-feira, 4 de dezembro de 2014
Meu bem querer
Meu bem querer
Tu estás a sumir...
Borrado
Apagado
Calado
Há muito tempo finjo não ver tudo isso,
nada disso, e arrasto minhas lembranças para não me perder
de ti;
para não te perder de mim.
Tu irás
e a vida tornar-se-á tranquila demais; real demais
sem os assombros e as dores que arrancam-me a alma pela
garganta
todos os dias.
Sem ti não haverá dor ou paixão e acalmar-se-á a loucura que
é minha,
que é quem sou eu.
A boa e tranquila vida chegará,
Caminharei
Respirarei
Dormirei bem como nos tempos dos quais nem me lembro mais
e terei por mim e por ti o desprezo que se tem
pela covardia
dos que não souberam mais do que
querer.
segunda-feira, 1 de dezembro de 2014
Valsa pra Biu (Tua Maria)
Valsa Para Biu Roque
Céu
se eu fosse a sua
e não mais uma
as quatro luas eu lhe daria
pra me tornar sua maria
uma canção eu cantaria
minha resposta ao que eu ouvi
a mais bela melodia
foi roubar pra minha hitória
sua poesia de outrora
não por jura ou promessa
nem perdão ou vaidade
debaixo da condesseira
sua maria de verdade
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