sábado, 22 de abril de 2017
quinta-feira, 20 de abril de 2017
Rap feito em Samba
Menino Mimado
Criolo
Não, eu não aceito essa indisciplina
Acho que você não me entendeu
Meus meninos são o que você teceu
Em resistência ao mundo que Deus deu
E eu não aceito, não
Não, eu não aceito essa indisciplina
Acho que você não me entendeu
Meus meninos são o que você teceu
Em resistência ao mundo que Deus deu
Então pare de correr na esteira e vá correr na rua
Veja a beleza da vida no ventre da mulher
Pois quem não vive em verdade, meu bem, flutua
Nas ilusões da mente de um louco qualquer
E eu não aceito, não
Não, eu não aceito essa indisciplina
Acho que você não me entendeu
Meus meninos são o que você teceu
Em resistência ao mundo que Deus deu
Eu não quero viver assim, mastigar desilusão
Este abismo social requer atenção
Foco, força e fé, já falou meu irmão
Meninos mimados não podem reger a nação
Eu não quero viver assim, mastigar desilusão
Este abismo social requer atenção
Foco, força e fé, já falou meu irmão
Meninos mimados não podem reger a nação
Meninos mimados não podem reger a nação
sábado, 15 de abril de 2017
O país das gentilezas
O país das gentilezas
Chile, como qualquer outro país deste
mundo, tem seus problemas; claro. E tenho certeza que podemos encontrar tanto
gente muito boa como as de caráter duvidoso tanto aqui como em muitos outros
países. Entretanto, todas as vezes que por cá estive, mais do que muitas outras
coisas, do que as belezas do país, a capacidade para a gentileza que me parece
natural a uma parte muito grande dos chilenos chamou-me atenção.
Certo é que me considero uma
pessoa de sorte, seguida por um anjo da guarda atento que me acompanha o tempo
todo nesta vida. E que em todas as minhas viagens sempre tive a ajuda de
pessoas completamente desconhecidas quando precisei; seja na América Latina ou
na Europa. Entretanto, não há como negar, os chilenos têm se mostrado
excepcionalmente gentis e atenciosos deixando-me a impressão de ser uma população
que procura ajudar aos outros, aos estrangeiros como eu, desinteressadamente.
Desta vez, parada num ponto de
taxi, com meu pai, carregando um par de caixas laranja de vinho à espera do
próximo carro e com “faccia” de
turista, vejo um ônibus de linha, regular, parar em nossa frente. O motorista
abre a porta do micro-ônibus e nos grita: “¿Ustedes van a Las Mercedes?” Sim,
como todo turista saindo da vinícola íamos para a Estação de Metrô Las
Mercedes. Porém, esperar que um motorista de ônibus parasse para nos ajudar
fora do ponto de ônibus, sem que lhe pedíssemos ajuda ou fizéssemos qualquer
sinal, seria algo incomum, não? Bom, foi para meu pai e eu algo inesperado. Foi
muito bom!
Convite aceito. Fomos de ônibus à
estação de Metrô com menos conforto do que o faríamos num taxi, entretanto,
sentindo-nos muito mais acolhidos neste país, aos meus olhos, gentil por
natureza. Verdade que o motorista, um senhor pelos seus sessenta anos, era
mesmo meio maluquinho e simpático com toda a gente. Verdade também que outras
pessoas, por estes nossos dias chilenos, já nos ajudaram sem que tivéssemos
pedido. Ou seja, não há como negar, os tais dos chilenos são, em grande parte,
um povo que já nasce munido de empatia para com as outras pessoas sejam elas
quem forem e ponto final.
Fico a pensar se veríamos essa
tal gentileza no Brasil. Se nós, como povo, temos a capacidade para acolher tão
delicadamente às gentes que vêm ao nosso país. Se eu sou capaz de ser assim tão
atenciosa e gentil com gente que caminha pela minha cidade. Não sei. Creio que
não, pois me parece que algo aconteceu em nossas terras que nos fez esquecer a
importância de sermos gentis apenas porque assim deveríamos ser. Então, mais do
que fotografias, levo para casa comigo uma lição deste país que eu espero não
esquecer: ser gentil deve ser uma condição “sine
qua non” de todo ser que vive; uma condição para mim.
E como dizem os chilenos: Chi chi chi le le le, ¡Viva
Chile!
quinta-feira, 13 de abril de 2017
O Monstro
O Monstro
Ele rasga a pele por dentro em fração de segundos, pois
não caibo em mim; ele não cabe em si.
Sou outra e me observo a fazer e a dizer o que nas muitas
horas de um dia
escondo.
Está livre o que há de pior dentre todas as formas,
jeitos e preceitos daquilo que somado sou eu.
Liberto, o meu monstro de olhos escuros corre pelas veias;
pela casa inteira a romper portas e janelas.
Faminto e carnívoro, ele chega à rua em busca de suas presas
preferidas: os que verdadeiramente amo.
E não havendo razão que possa ser ouvida nesses momentos,
o monstro desfere golpes cruéis e certeiros.
Parte ossos.
Arranca a pele.
Crava na carne e n’alma alheias suas garras feitas da
mesma raiva que me consome enquanto o constrói.
E quanto mais ele golpeia mais sinto eu a dor
causada pelas suas faltas.
Meu monstro particular
aos poucos
devora-me.
sexta-feira, 7 de abril de 2017
O dizer
O dizer
Digo, redigo, desdigo.
Indigno é o meu dizer que contraditório a si mesmo,
apesar de não renegar-se, a todo momento nega-se.
Grito, tento dizer o que sinto, e sinto porque às vezes,
muitas vezes,
as palavras chegam-me à boca sem força.
Engulo-as.
Omito, não minto, e logo depois exagero, dramática, o que te
digo
nos momentos nos quais o que sinto fica maior do que eu
e enche-me o peito
os olhos
o leito.
Falo demais para dizer que nada te direi e espero
que da próxima vez o silêncio
seja quebrado por você.
Digo, não digo,
redigo, desdigo;
desligo.
terça-feira, 4 de abril de 2017
A Liniker
A Liniker
Liniker é uma força sobre o
palco. Pura energia em forma de braços e pernas bailarinos, dona de um corpo e
uma persona que nos confunde enquanto se explicita. Ela é a representação de
uma sociedade que por esses dias constrói em alto em bom som a sua realidade
que antes era apenas sussurrada pelas esquinas. Liniker é uma mulher transgênero
dona de voz poderosa e talento inquestionável. E ela reluz.
Tamanha segurança e postura construídas
por uma pessoa com pouco mais de 21 anos é um assombro que durante o concerto do
último sábado fez-me recordar Nina Simone. A época é outra, seguramente, e às
antigas questões somaram-se muitas outras, verdade. Contudo o poder de autoafirmar sua identidade
única numa sociedade que insiste em nos uniformizar e em nos classificar é a
mesma. Liniker, como Nina, apesar de todas as diferenças que existem entre elas,
impõe-se através de sua voz e da música que ela cria.
As questões de gênero, e qualquer
outra questão, poderiam ter sido deixadas de lado aqui, já que a música de
Liniker e os Caramelows é boa; muito boa. Som bem feito que vibra ao ritmo de
uma soul music atual e luminosa, cheia de letras inteligentes e bem escritas. Contudo,
não me é possível não notar que esta artista de outra forma, com outra essência,
não seria tão perfeita como é agora. Toda e qualquer incongruência que pode
parecer natural à ideia de que um menino nasceu para ser uma grande cantora
brasileira desaparece quando ouvimos e vemos Liniker.
Liniker ter nascido para ser uma cantora de
voz grossa, melodiosa e feminina mostra-se a única realidade possível e, por
isso, é muito bom tê-la, como temos a tantos outros meninos e meninas, a
mostrar-se agora. Pois, apesar de vivermos dias ainda difíceis, não há como ignorar
que esses dias também nos trazem uma quantidade ampla de novas possibilidades. Chegou
o tempo de ensinar e aprender que somos múltiplos e muito mais do que parecemos
ser.
sábado, 1 de abril de 2017
Desencuentro (un beso más)
Todas mis mañanas amanecen arropadas con tu atardecer
Tú te duermes en mi hoy, yo despierto en tu ayer
Cuando tengo que bajar te dan ganas de subir
Yo quiero llegar cuando tú te quieres ir
Todos los descubrimientos tienen muchas ganas de encontrarte
Hasta las estrellas usan telescopios pa' buscarte
Dentro de los accidentes, imprevistos y las posibilidades
Eventualidades, choques estelares
La casualidad de poder vernos se escapa
Somos diferentes cielos en un mismo mapa
Échale sal al café, no está mal ir a probar
Tenemos la misma sed con distinto paladar
Y tú aquí, y yo allá
Y yo aquí, y tú allá
Et je (et je) t'entends
Quand tu (quand tu) t'en vas
Et si (et si), tu restes
Tu me (tu me) vois pas
Nuestra coordenada no es lo único que va girando
Tout ce qui naît, meurt tôt ou tard
Si caminamos al revés, peut-être nous nous rencontrerons
Nos estaremos encontrando
Le monde transpire et danse
Il te cherche, tu penses
Adore tes grands yeux
Avec lesquels tu dis adieu
Et tu pleures quand tu dors
Plein de remords
Tu cherches toujours autant d'amour
No hay señal de mis satélites ni de tus astros
Tú pierdes mi rumbo, cuando yo pierdo tu rastro
Y aunque perder tus pasos sea parte de mi rutina
El suelo sonríe cada vez que tú caminas
Y yo enamorada de esta canción!
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