sexta-feira, 22 de junho de 2018




Olho para o chão frio e inexpressivo, tão mudo quanto
Chaplin
no  cinema,
e percebo que meu mundo se desgasta
e envelhece
preto e branco; de boca calada.
Mudo Carlitos das minhas saudades,
muda eu;
e o mundo muda em velocidade apressada.
Já vejo o fim desta ano, que mal começou,
a rondar as esquinas. Trem bala de aço...
Por onde tenho andado?
Por onde andei?
Olho o chão que estático me fita
teimosamente.
De onde virá este pó sem fim que insistente
se agrupa nos cantos,
no chão ao lado da porta,
sob a mesa na sala e aqui, aos meus pés?
A sujeira do mundo impõe-se e a mim
me vence depois de tantas vezes eu ter tentado
limpar meus sapatos;
queria um chão imaculado.
Perfeição inútil e impossível de atingir na vida real
e palpável. Vontade estúpida de quem ainda não compreendeu
por onde passam os pés no caminho que não
é só meu:
ruas
becos
descaminhos.
Do pó ao pó, eu me desmancho
lentamente
e deixo meu rastro insignificante pelo mundo
frio.

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Sabotage...








Hacia El Amor (part. Ibeyi)
Emicida

Cat, bird, snake, horse
We all bleed
The same colour
South, East, West, North
We all cry
Joy and sorrow

We can share our tears
We can bathe our fears
We're heading towards love
We're children of the deeds
Watering the seeds
We're heading towards love

Hacia el amor
Saravá, Ibeyi
Saravá

Seja como água
Bruce Lee, Kung Fu
Sem trégua, trago a régua, voodoo (hu!)
Mil légua, mil língua, tipo busuu
E o som do tambor como primeiro Bluetooth (connection)
Ano de Xangô
Licença, Exu
Elégua leva as mágoa tudo, tudo, tudo
Tamo no caminho, não ando sozinho
Quando Oxum me traz as flores
Nanã me tira os espinhos
Orun acima do avião, tipo Daileon
Rico Galeão, Modo Baile on
Canta enquanto encanta
Hermano de los animales y las plantas
Pra quem crê em Oxalá, mano
Toda sexta é santa

La noche, mi color
Por toda suerte
Ojos de Atahualpa en mi mapa
Vuelco la muerte
Mamacita enseña: Hijo, sejas fuerte
Invisible a los problemas
Mis poemas son el puente
Libre, cuerpo, mente
Anti boina verde
Traje del camuflaje
Soldado en la Calle Trece
Enemigos tienen ojos pero no pueden ver-me
Sus muslos, piernas y brazos no pueden alcanzar-me
Nunca!

We can share our tears
We can bathe our fears
We're heading towards love
We're children of the deeds
Watering the seeds
We're heading towards love

We can share our tears (compartilhamos nossas lágrimas)
We can bathe our fears (nossos medos)
We're heading towards love (e seguimos sempre no caminho do amor, tendeu?)
We're children of the deeds
Watering the seeds
We're heading towards love (seguimos sempre o caminho do amor)
(Do amor)
Hacia el amor

domingo, 17 de junho de 2018

Em Casa



Em Casa


Mais uma vez dei a volta em mim mesma, e feito caranguejo, andei para trás. Não foi a primeira vez já que isso de ir e vir, de querer partir, parece fazer parte de mim. Não sei ainda se esta mudança será a última pois que a vida é longa e o Mundo grande que só. Contudo, e apesar de tudo, voltei para a minha cidade com a intenção de ficar. Vontade de criar novas raízes e, quiçá, sentir-me mais árvore do que passarinho. Quem sabe?

Um pouco mais de um mês na minha cidade cinza em dias curtos de outono frio, e uma nova rotina começa a se estabelecer. Muito trabalho, meus amigos de décadas e a família bem perto, as saudades de todos e tudo que eu deixei em Fortaleza a aumentar; como sempre. E aquela sensação estranha que é fazer de um lugar novo a sua casa ainda está por cá. Adaptar-se a uma nova vista pela janela demora um certo tempo determinado por fatores que nos escapam à lógica. Acontece aos poucos; a passos de formiga cheia de preguiça.

Gosto de estar aqui e dos novos desafios que são próprios de toda a mudança. Gosto de ter voltado, já que o fiz porque quis. Entretanto, ainda andava a sentir-me em terra estrangeira desde que cheguei, com um banzo a bater no peito, sentimento dos desterrados, que eu não deveria sentir em terras paulistanas; minha terra.

E, de repente, na noite de sábado, ouço depois de muitos anos um par de canções do rock de São Paulo que foi grande parte da trilha sonora da minha adolescência na década de 80. Rock com pé no Punk Rock do Ira, Inocentes, Ratos de Porão, Titãs, Ultraje a Rigor... Música cinza, dura e crítica como os que nasceram por aqui. E de repente, de um repente, senti-me em casa como antes. Eu estou na minha cidade; estou em casa.





 Envelheço Na Cidade

Ira

Mais um ano que se passa
Mais um ano sem você
Já não tenho a mesma idade
Envelheço na cidade

Essa vida é jogo rápido
Para mim ou pra você
Mais um ano que se passa
Eu não sei o que fazer

Juventude se abraça
Faz de tudo pra esquecer
Um feliz aniversário
Para mim ou pra você

Feliz aniversário
Envelheço na cidade
Feliz aniversário
Envelheço na cidade

Feliz aniversário
Envelheço na cidade
Feliz aniversário

Meus amigos, minha rua
As garotas da minha rua
Não os sinto, não os tenho
Mais um ano sem você

As garotas desfilando
Os rapazes a beber
Já não tenho a mesma idade
Não pertenço a ninguém

quarta-feira, 30 de maio de 2018

ALFAZEMA (pra te proteger)




O casal que chora na beira da praia
Ele disse "agora", ela disse "seu tempo acabou"
Diacho, eu não te acho! Entro na roda, eu fico louco
Danço um coco furioso até o dia acabar
Amoleceu meu coração
Acende o fogo, estende a mão
O que você tem que me acorda e tira o sono
Vira fome e vira som
Vou a fundo, vira mundo
Espero um dia voltar

Alfazema (Alfazema)
Alfazema (Alfazema)
Alfazema (Alfazema)
Proteção

O veneno vencendo e a alma tremendo
Pra ver o temporal que tava pra acontecer
Despacho, arrego, simulacro
Nunca engana o seu sufoco
Benzer, calçar, blindar é pouco
Quando for assim, é pra lacrar
Amorteceu meu coração
Que, já em brasa, acende o chão
Só esse cheiro dá o tom
Mata essa fome, aumenta o som
No vácuo do teu passo em falso
Pulo cedo e voo alto
Desse perfume vou no rastro
Lavanda é quem vai mandar

Alfazema (Alfazema)
Alfazema (Alfazema)
Alfazema (Alfazema)
Proteção
Proteção

Eu vou pedir pro cupido acertar seu gosto (Alfazema)
Já mandei perfumar seu vestido todo (Alfazema)
Vou pedir pro bandido esquecer sua bolsa (Alfazema)
Vou mandar, vou benzer o seu corpo todo (Proteção)

Alfazema (Alfazema)
Alfazema (Alfazema)
Alfazema (Alfazema)
Proteção (Alfazema)

Vou mandar, vou benzer
Eu vou mandar pra benzer
Eu vou pedir para benzer
Eu vou mandar pra benzer

Baiana System e Nação Zumbi

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domingo, 27 de maio de 2018

Sem sair do lugar



Sem sair do lugar

Poderíamos dizer que inesperadamente o Brasil parou. Que ninguém esperava por uma greve de caminhoneiros que congestionasse o nosso mundo à esta altura do campeonato, aos 40 minutos do segundo tempo de nosso governo inepto e corrupto. Porque nós, a maioria dos brasileiros, esperávamos uma despedida lenta, melancólica e sem grandes sustos do Sr. Presidente da República Michel Temer, a.k.a Darth Sidious, e seus comparsas.

Eleições para outubro deste ano com um bando de candidatos que não têm muito a dizer para além da retórica populista e barata, nós com uma esperança desmilinguida de que, apesar de todos os pesares, a economia e a vida melhore no futuro. Ou seja, estávamos a levar a nossa vidinha de gente pacata e com preguiça para o embate.

Entretanto, quem nasceu para alcoviteiro jamais se mostrará alguém que toma a frente em casos de necessidade porque essa não é sua natureza. E assim, este governo que nasceu do conluio e seu representante, o seu Michel, tem se mostrado, há quase 02 anos, de uma incompetência atroz para gerir toda e qualquer situação importante e mais delicada. Vale aqui um parêntesis: (Não, não estávamos melhor antes e muito provavelmente não o estaríamos com a Sra. Dilma no comando. Não 2, o Senhor Lula não é a resposta para as nossas questões.)

Somando-se a esta falta de habilidade de nosso “mandatário-mor” para o trabalho, temos visto uma escalada ridícula dos impostos e taxas que, à la Robin Hood às avessas, tem tirado o dinheiro da população para dar ao rico, inchado e custoso Estado Brasileiro de maneira pornográfica. Ser brasileiro tem nos custado muito, muito mais do que aguentamos.

Importando-se apenas com seu umbigo, como de costume, a verdade é que o Palácio do Planalto não deu ouvidos ao zum-zum-zum que vinha há tempos dos caminhoneiros autônomos e das empresas de transporte; como não se importa com quase toda a reclamação do povo em geral. Porém, quem pode, pode.  E os caminhoneiros cruzaram seus braços, fecharam nossas estradas, e estamos todos nós sem sair do lugar. Nosso mundo parou e o sacode pelo qual estamos a passar nesse momento mostra que vivemos numa terra de ninguém; sem uma liderança respeitada e sem respeito por todo e qualquer cidadão.

Não temos gasolina, atrasam-se voos, começam a faltar remédios e alimentos, e aqui em São Paulo buscamos um Posto de gasolina que esteja funcionando como se estivéssemos em busca do Santo Graal; a paz e a felicidade são um tanque cheio de combustível. Estamos parados e, me parece agora, a um passo de um país que poderia ser o cenário de um romance de José Saramago.