quarta-feira, 17 de outubro de 2018
Caminhos paulistanos
As ruas da minha
cinza cidade
terra da garoa em tempos de pouca chuva
a bela de poucas palavras
que esconde seus amores atrás de muros
e pelas vielas
vamos
Sampa na música do menino Leandro
segunda-feira, 15 de outubro de 2018
quarta-feira, 10 de outubro de 2018
O vinho
O vinho
Levanto a taça de vinho
Brindo
aos tempos desimportantes que temos
(que tivemos)
Contas pagas e pouco dinheiro no banco
dão me a certeza de que quando o fim do mundo vier
o meu quinhão de paraíso não estará garantido
o céu é para aqueles que nadam nas moedas
eu apenas as vejo passar
anos incríveis
anos difíceis
os anos passaram a observar por onde eu ia
e nem tiveram a decência de assoviar para que eu não
dobrasse
errada
aquela esquina; anos insensíveis.
Um brinde aos nossos descaminhos!
Gosto do caminho que faço
(dos caminhos que fiz)
apesar do meu eterno descontentamento comigo e contigo
com tudo
e dessa mania irritante de querer mudar
de lugar; de lar
Queria ser árvore, sequoia centenária
feliz de estar plantada estática no mesmo lugar,
mas sou nuvem nada densa
inconstante
que vaga encantada com toda a paisagem
com o caminhar
Parece-me que o desassossego do meu poeta querido quedou-se
um
bocado comigo pois
azul é a minha cor, sempre o foi
e assim,
desde menina,
algo parecia faltar-me
ou sobrar-me
um mundo infinito que existe apenas na minha cabeça
existe muito maior do que todos os planetas do sistema
e, por dentro,
lagarta esfomeada, vai roendo o meu juízo
e levanto minha taça
a um brinde sem qualquer motivo.
segunda-feira, 8 de outubro de 2018
"Eu Já Não Sei"
Eu Já Não Sei
António Zambujo
Eu já não sei
Se fiz bem ou se fiz mal
Em pôr um ponto final
Na minha paixão ardente
Eu já não sei
Porque quem sofre de amor
A cantar sofre melhor
As mágoas que o peito sente
Quando te vejo e em sonhos sigo os teus passos
Sinto o desejo de me lançar nos teus braços
Tenho vontade de te dizer frente a frente
Quanta saudade há do teu amor ausente
Num louco anseio, lembrando o que já chorei
Se te amo ou se te odeio
Eu já não sei
Eu já não sei
Sorrir como então sorria
Quando em lindos sonhos via
A tua adorada imagem
Eu já não sei
Se deva ou não deva querer-te
Pois quero às vezes esquecer-te
Quero, mas não tenho coragem
Sobre a nossa guerra infinita...
Sobre a nossa guerra infinita...
Eleições em meu país, o tal das
bananas, coqueiros e samba; aquele que não se leva a sério mesmo quando a
situação é grave. Pois, parece que não nos levamos a sério mesmo, como se isso
fosse característica primordial do que vem a ser brasileiro. De um repente a
angústia nos toma de assalto, já que parece que corremos em direção a um abismo
gigantesco. Bom, não a todos nós, tupiniquins de nascença, pois há os que acham
bom, bom demais, que o Sr. Jair seja o próximo presidente deste país. Para mim,
e para muitos dos meus, esperar que algo de bom venha desse senhor é como
aceitar que a solução de Thanos para salvar o mundo seja plausível e boa. Ou
seja, que para salvar o mundo devemos primeiro destruir a metade dele.
Final do primeiro turno das
eleições e estamos nós entre o fogo e a frigideira a ter que escolher para
nosso futuro presidente entre dois homens que se intitulam salvadores da
pátria-amada, ou o representante dele; salve salve Brasil. Santos do pau-oco de
discurso populista e frágil quando posto à prova, e que faz pouco ou nenhum
sentido; estes senhores nos pretendem nos levar à terra prometida: aquela que não
existe. E o fato é que muito provavelmente nos perderemos a vagar pelo deserto.
Eu, por minha vez, já apertei o
botão de alerta e o modo depressão on vigora. Aquele cujo nome não deve ser pronunciado,
pelo que tudo indica, será o presidente do meu país. (E o Senhor Trump ganha um
upgrade aos meus olhos, pois nós conseguiremos eleger um senhor muito mais
absurdo do que ele para nos governar. Que vergonha!) Então, a partir de 2019 em nome da família e
dos bons costumes muita desgraça poderá ser feita e a violência será a solução
para a paz em Terras Brasilis. “Às armas Brasil!”, deve ser o novo-velho slogan
que nos guiará e as roupas camufladas estarão mais uma vez na moda pelas ruas.
E o outro candidato, aquele que
representa o salvador dos salvadores, pode ganhar as eleições, não pode? Pode. Contudo,
isso não fará diferença alguma para além da cor com a qual pintamos os nossos exércitos.
A nossa frágil e jovem democracia corre risco de ser ferida de morte e por cá,
no mundo real, não há Stan Lee ou seus heróis. Pare o Mundo que eu quero
descer!
quinta-feira, 4 de outubro de 2018
quarta-feira, 3 de outubro de 2018
Assinar:
Postagens (Atom)
