segunda-feira, 14 de setembro de 2020

sObrE Os AmOrEs

 




sObrE Os AmOrEs

 

1

Abro as asas com toda a coragem

que me dá o medo

medo de morrer seca

afogada pelas saudades que apenas

a tua presente ausência me traz

 


2

Ao azul me lanço,

andorinha

que busca o calor sem sentir falta

de um novo verão;

não

vou em busca dos braços, meus laços,

que assim à distância não podem ser dados

atados

então, cheia de vontade alada

alço voo rumo ao norte,

meu norte

minha sorte

para meus amores multiplicados

no meu regaço

pousar

 


3

meu amor está aqui

                                       ali

                                                   acolá

multiplica-se e ganha cores, nuances que eu não sabia

havia

amor repartido é amor multiplicado

e por todo canto espalhado

agiganta-se

para além das fronteiras do mundo e se lança ao mar

meus amores

meus amores são muitos e são todos, todos eles

únicos

para sempre e

sempre sem

fim

quinta-feira, 27 de agosto de 2020

Se7e

 


Se7e

Sete

Setenta

Setecentos

Milhares de homens covardes que atiram pelas costas

caminham pelas ruas como se elas a eles pertencessem;

não pertencem

sete

setenta

setecentos

Centenas de milhares de homens covardes que atiram pelas costas

se acham superiores, semideuses;

não o são

sete

setenta

setecentos

milhões de vezes deveríamos nos perguntar porque deixamos

tão pacificamente

homens covardes com suas armas atirar nas costas da gente.

Talvez seja porque

se diz por aí que eles são a maioria

investidos do direito divino de dar as ordens por todos os cantos,

por onde caminham os nossos pés

por onde tocam as nossas mãos;

não

                                sete

                                setenta

                                setecentos

                                e de uma vez por todas devemos abrir bem os olhos

                                para ver:

                                a maioria somos nós

quarta-feira, 19 de agosto de 2020

Imbecilidade na Moda

 

Imbecilidade na Moda

Que sempre houve os santarrões de plantão no universo é sabido. De dedos em riste e julgando-se secretários diretos ungidos por Deus, esses senhores e senhoras, de quaisquer idades e poucas ideias na cachola, desde o princípio dos tempos andam a espalhar as ideias mais parvas, tortas e preconceituosas que um cristão pode ouvir em nome da moral e da religião. Verdadeiras heresias intelectuais!

Ou seja, gente néscia sempre houve e, infelizmente, elas se multiplicam. Importante frisar, aqui, que a tal imbecilidade a qual me refiro não tem nenhuma relação com a educação formal e o conhecimento intelectual. O bom senso e a sabedoria não são uma qualidade pertinente a raça, cor, credo, nível social ou estão relacionados diretamente aos anos que passamos sentados num banco escolar.

Apesar de eu ainda não conseguir perceber se a tamanha imbecilidade que temos visto e ouvido nesse país é algo que se cultiva através dos anos ou se, por azar, é algo nato a alguns que veem a esse mundo com a total falta de capacidade de raciocinar feito seres humanos. O que tem me assombrado é o volume grandioso de bobagens que temos ouvido e a importância desmedida que se dá a essa gente que, de fato, não tem nada que preste a dizer.

É bem verdade que a imbecilidade não é um produto nacional e que há gente ignóbil pululando pelos quatro cantos da Terra, contudo, por cá, elas andam a ter uma influência para lá de perigosa na vida de todo brasileiro.

Por esses dias, parece corriqueiro e normal ouvirmos gritos pedindo a volta da ditadura militar. (Haja paciência para tolerar tamanha aberração. Afinal, como compreender que alguém em sã consciência possa proferir uma bobagem como essa?) Vermos ministro da educação a tentar acabar com as universidades públicas, afinal o pensamento crítico é nocivo. Encontrarmos na rua quem creia piamente que na vida política brasileira existem dois lados bem definidos e uma luta do bem contra o mal à la Cruzada do Século XXI (Haja falta de visão da realidade!)

Há quem creia em Mitos, e isso não é novo, contudo, e desde de sempre, errado. Não há mitos, predestinados ou ídolos da mesma forma que não existem príncipes encantados. O mundo simplesmente não funciona assim. Há interesses e uma necessidade infinita de mais igualdade social por aqui, isso sim.

Contudo, e apesar do fato de as imbecilidades estarem na moda por cá, nesse última semana ultrapassamos o limite do imaginável. Em nome da religião e munidos de uma hipocrisia nunca dantes vista, houve quem se achasse no direito de blasfemar na porta de um hospital a chamar de criminosa uma menina de 10 anos, abusada desde os seis, que faria um aborto.

Não me parece possível perceber em nome de que Deus essa gente acha que luta. Também me é difícil não ver que entre o abusador e os tais “santarrões” malucos de plantão não há uma cruel similaridade. Nenhum deles consegue ver, enxergar de verdade, na frente deles uma crianças pequena, frágil, confusa e assustada que nunca, em tempo algum, deveria sofrer com as mazelas próprias do mundo adulto.

O nosso mundo anda triste demais. Insuportavelmente.