quinta-feira, 28 de abril de 2011
quarta-feira, 27 de abril de 2011
Perdidos
incongruente
Queria saber e entender melhor
a tua visão que, jamais, será a minha.
Este sentir pontiagudo e agudo
de quem não sente,
ou talvez,
você faça como o poeta
de mil facetas
que finge não sentir a
dor e o amor que deveras sente.
Desconhecidos
Às vezes é assim:
os olhos se olham sem que perceba a mente.
Eles devem se conhecer sem que demos conta
de tal amizade e cumplicidade orbital.
Se olham intensamente, por instantes de milhões
de anos de um tempo que não se marca
pelo relógio.
Tempo perdido, quando se vê a alma
que guardamos atrás da retina
E eles sabem, donos da visão e distantes da razão,
dos sentimentos que assombram secretamente
o coração.
![]() |
| los ojos perdidos |
Naïve
Naïve
A naïve soul, and its
stupid beliefs,
believed in love
as if it were something
one could perfectly achieve.
As possible as buying bread early
in the morning,
as natural as opening our eyes
in the beginning of the day.
A common ability like: breathing, smiling
and feeling the heart beat.
As simple as that, it was for the immature soul.
Poor thing,
here comes the time to grow up,
to grow old.
beliefs
I was used to drinking you naturally
and, just like anyone else who believes
in things that can’t be seen,
I kneeled.
terça-feira, 26 de abril de 2011
ALmaHUmana
![]() |
| Manoel de Barros |
A maior riqueza do homem
é a sua incompletude.
Nesse ponto sou abastado.
Palavras que me aceitam como
sou - eu não aceito.
Não agüento ser apenas um
sujeito que abre
portas, que puxa válvulas,
que olha o relógio, que
compra pão às 6 horas da tarde,
que vai lá fora,
que aponta lápis,
que vê a uva etc. etc.
Perdoai
Mas eu preciso ser Outros.
Eu penso renovar o homem
usando borboletas.
é a sua incompletude.
Nesse ponto sou abastado.
Palavras que me aceitam como
sou - eu não aceito.
Não agüento ser apenas um
sujeito que abre
portas, que puxa válvulas,
que olha o relógio, que
compra pão às 6 horas da tarde,
que vai lá fora,
que aponta lápis,
que vê a uva etc. etc.
Perdoai
Mas eu preciso ser Outros.
Eu penso renovar o homem
usando borboletas.
Quem anda no trilho é trem de ferro, sou água que corre entre pedras: liberdade caça jeito.
segunda-feira, 25 de abril de 2011
25 de Abril
Dia da Liberdade!
![]() |
| Cravos e a Revolução |
Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.
domingo, 24 de abril de 2011
o fim
Seca
Estou a perder o amor,
sabe-se lá o que é isso
de perder o amor?
Fica então cá um buraco
um naco de nada
um incômodo reticente
no peito.
Uma certa e marcante
incompetência de quem
não soube ser gente
direito,
como um pássaro que
não voa apesar de ter
asas perfeitas.
Estou a perder o amor
tal água que me escorre
pelos dedos.
Não sei retê-lo
e o vejo esvair-se
enquanto eu cá me torno
a cada dia que passa
mais seca por dentro.
Sem manual
Nego-me a seguir regras
as de bom-senso
as de bom comportamento
e aquelas que trariam de volta
a segura e tranqüila paz d’alma.
Quero a liberdade
dos sentidos, dos desatinos,
daqueles que não oferecem perigo
pois andam de alma aberta
durante todo o caminho.
Costuras
Quantas vezes suporta um
coração ver-se partido:
Uma, duas, três?
Não sei.
Comprei-me muita cola,
fita e remendos.
Agora, resta esperar
para ver.
morre
Não importa de que lado
da porta estamos.
Não importa. Se sabemos,
melancólicos, que não há mais
saídas.
Não importa quem padece
ou não com o sentimento
da derrota.
Com a morte do amor, morre também
um bocado de fé
um tanto de fantasia
e muito do que nos define
como humanidade.
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