sábado, 31 de março de 2012
sexta-feira, 30 de março de 2012
Fascinação
Em 1976 me apaixonei pela primeira vez por uma canção: Fascinação. Ainda era bem menina, nestas idades nas quais não há muita lembrança clara e os fatos nos parecem tal sonhos, contudo esta música entrou na minha vida para nunca mais sair. E isso me faz pensar o quanto da mulher que sou já havia naquela menina.
Fascinação
Elis Regina
Os sonhos mais lindos sonhei.
De quimeras mil um castelo ergui
E no teu olhar, tonto de emoção,
Com sofreguidão mil venturas previ.
O teu corpo é luz, sedução,
Poema divino cheio de esplendor.
Teu sorriso prende, inebria e entontece.
És fascinação, amor.
Os sonhos mais lindos sonhei.
De quimeras mil um castelo ergui
E no teu olhar, tonto de emoção,
Com sofreguidão mil venturas previ.
O teu corpo é luz, sedução,
Poema divino cheio de esplendor.
Teu sorriso prende, inebria e entontece.
És fascinação, amor.
quinta-feira, 29 de março de 2012
Até Seu Millôr
Que foi isso, de repente? Nada; dez anos se passaram. Não diga! Se somaram? Se perderam? Algumas relações se aprofundaram? Se esgarçaram? Onde estávamos? Onde estamos? E...aonde vamos? O tempo, em lugar nenhum e em silêncio, passa. É inegável - todos temos mais dez anos agora. Ainda bem, poderíamos ter menos dez. Tudo nos aconteceu. Amamos, disso temos certeza. E fomos amados - onde encontrar a certeza? Avançamos aqui materialmente, ali não, nos realizamos neste ponto, em outros queríamos mais, algumas coisas tivemos mais do que pretendíamos ou merecíamos - mas isso é difícil de reconhecer. Perdemos alguém - "Viver é perder amigos". No meio do feio e do amargo, no tumulto e no desgaste, tivemos mil diminutos de felicidade, no ar, no olhar, na palavra de afeto inesperado, que sei? Espera, eu sei. É a única lição que tenho a dar; a vida é pequena, breve, e perto. Muito perto - é preciso estar atento.
Millôr Fernandes

terça-feira, 27 de março de 2012
dor
e se a dor curasse ao invés de criar apenas mais dor,
se ela fosse tal água que mata, mas pode curar?
não, dor é dor e dor somente: incomoda, maltrata
e afoga a alma desavisada.
Dor marca, pra mais de uma vida, a face e a carne da gente, feito cangaceiro
a galope num mundo seco
que risca a pele com a ponta da faca afiada.
e se a dor curasse não haveria mais dor
e o coração da gente viveria em paz:
músculo tranquilo , calmo, sereno e pacato, preocupado apenas
com o ritmo do seu pulsar.
mas não, dor é dor e dor somente,
e tão bruta é a tal, que a tal dor não dorme, não come, nem esquece da gente.
dor dói, e dói cada dia mais, sempre.
segunda-feira, 26 de março de 2012
Marítima
Nau
Por onde andas nau à deriva?
Parou o vento e as estrelas sumiram
do céu.
Nadam silenciosos monstros marinhos
que assombram teus sonhos, meus mares.
Calam-se tuas velas antes infladas pela
curiosa paixão de navegar,
pela ânsia atrevida de ouvir, mesmo que de longe,
o canto de sereias,
e ver a estrela do mar.
mergulho
Sem medo e dona de todo o medo que conhece a alma humana
mergulho no oceano escuro
a nadar
migrando da realidade para o sonho
deixando para trás a vida
para a vida que há além
encontrar
CaraVelas
donos de almas à vela, apenas entendemos o mundo
que os sonhos d’alma movimentam com seus ventos de amores sem fim,
com sua brisa que suspira e respira através de canções faladas,
de poesia
somos caravelas, meninos antigos que gostam de brincar
no mar,
no mar de água salgada e morna que nos abraça,
nos encanta e nos devora.
domingo, 25 de março de 2012
Hoje é dia de futebol e família
Desde pequena, sempre que entrava na casa de meus avós paternos, o fato de que a democracia reinava dentro de nossa família ficava claro. Ali cada um podia ter suas opiniões. Bom, pelo menos aquelas relativas à bola, pois em nossa família galos e galinhas, sem querer ofender a ninguém, podiam cantar alto quando o assunto era futebol. A bola em nossa casa era uma paixão democrática.
Assim que entrávamos na casa, pendurados lado a lado, sem estarem muito próximo porém, que amizade entre rivais é coisa delicada, ficavam quadros com os símbolos de dois times: Palmeiras e Corinthians, os quais eram mais conhecidos como “Parmera” ou Palestra e “Curingão” ou Timão sob o teto de meus avós. Meu avô, o senhor Luiz Paroli, descendente de italianos e, por tanto, um palmeirense roxo (talvez seja melhor dizer verde, verdíssimo) casou-se com dona Luiza Ballesteros Diaz, espanhola pequena e ardida tal pimenta, que levava no peito, desde muito jovem, a paixão pelo Timão. Desta forma nasceu a nossa família desde o berço dividida.
Para desgosto de meu avô, e para mostrar que quem manda mesmo dentro de casa é a mulher, meu pai e seus irmãos tornaram-se corintianos, alvinegros de alma que não olham com bons olhos o verde em questão. A meu avô restou apenas o consolo de um neto palmeirense, de um herdeiro verde para tentar equilibrar a tão injusta divisão dentro de nosso campo familiar. Somos então uma família de rivais, onde falar de futebol e sentar-se todo domingo na frente da televisão é um hábito que vem desde sempre, desde o tempo no qual eu era bem criança e, por isso, trago ainda comigo lembranças sobre o futebol que são feito sonho: cheias de fantasia e impressões fantásticas.
Seja como for, a bola é uma paixão, uma tradição. E vê-la em campo num dia de Corinthians e Palmeiras, como hoje foi, é sempre muito bom. É lembrar-me de minha avó com radio grudado ao ouvido e de meu avô vestindo a camisa verde com todo o orgulho naqueles domingos de sala cheia com meus primos, meu irmão e eu, pequenos, sentados no chão. Domingo de Palestra Itália e Coringão era dia de muita torcida, risadas, desculpas um tanto esfarrapadas, macarronada e muita diversão.
Hoje e sempre teremos domingos de Corinthians e Palmeiras, contudo estes não serão, nunca mais, cópias fiéis daqueles passados na casa de meus avós. E isso me faz pensar que há paixões que ultrapassam nossa existência, como a paixão pelo futebol que meus avós cultivam em seus filhos e netos. Contudo há outras que nos deixam cedo demais, como a paixão que é termos colo de avós e passar o domingo feito ninhada da casa deles. Um beijo a meus avós Luiz e Luiza, Mauro e Estela. Eu sigo daqui amando futebol e imaginando que lá do alto, donos de asas, eles ainda sentam-se em frente à TV a discutir num domingo de futebol.
Vale lembrar que futebol, e qualquer outro esporte, não tem relação alguma com a violência como hoje vimos em Sampa. Toda paixão é bem vinda, mas ela sempre deve estar acompanhada de respeito e uma pitada de democracia, como já sabia meu italianíssimo avô Paroli. Um beijo a todos os meus amigos corintianos, palmeirenses, santistas, são-paulinos e etecetera e tal, que aqui não confundimos as bolas.
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