segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Aos Amigos





Sim, este foi um ano difícil. O mais difícil ano de minha vida porque, de repente, tive que enfrentar uma realidade muito conhecida e, ao mesmo tempo, completamente ignorada: não somos eternos. Não o somos e disso todos  nós sabemos desde cedo na vida.  Contudo, como parvos adolescentes, cremos que qualquer mal está sempre muito longe de nós e que ele não nos poderá atingir. Pelo menos era assim que eu vivia até este ano; até o que eu chamei de o pior ano de minha vida.

Porém, (e sempre haverá os poréns porque Deus é cheio de ideias para enredos, e escreve o certo de um jeito que não o parece ser), com todos os problemas deste ano, com todas as dores e a tristeza, com a tal da doença sem cura que ganhamos aqui em casa, vieram coisas muito boas também. Neste ano descobri que minha mãe tem uma força e uma coragem que eu desconhecia, e que desta força dela faço mais forte a força minha. Percebi nestes dias que o amor que há entre nós é muito mais forte do que eu imaginava ser, e cuidei da minha mãe como nunca havia feito; como quiçá nunca faria. Fui a mãe da minha mãe por um tempinho, e o carinho multiplicou-se

Descobri em 2014, acima de tudo, que os bons amigos que tenho são mais que bons; eles são geniais! Pois, por eles minha família e eu nos sentimos amparados durante os momentos mais difíceis. Então, eu quero dizer que nada, mas nada mesmo nesta vida vale mais do que este amor que existe sem obrigação de ser. Somos amigos, somos a família que construímos e que nos foi dada por obra divina e isso significa um bem-querer sem regras ou restrições. Seguimos juntos na vida porque assim queremos seguir, porque juntos nos divertimos, rimos e fazemos rir mesmo quanto a vontade é chorar.

Por tudo isso, mesmo que o ano tenha sido um tanto mais complicado, agradeço muito por tudo de bom que nele houve; e houve muita coisa. E, principalmente, agradeço por ter vocês, meus queridos, tão perto de mim nesta vida. Amo-vos verdadeiramente e para todo o sempre.


Feliz Natal e que 2015 seja melhor para todos nós. 




quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Fascinação (A bailarina)


Fascinação foi a primeira canção que me encantou na vida quando eu ainda era muito menina. Por isso, ela foi a escolhida para o primeiro conto a ser contado nas minhas brincadeiras de escrever com a Gigi. A bailarina.



Fascinação
Os sonhos mais lindos sonhei
De quimeras mil um castelo ergui
E no teu olhar, tonto de emoção,
Com sofreguidão mil venturas previ

O teu corpo é luz, sedução
Poema divino cheio de esplendor
Teu sorriso prende, inebria e entontece

És fascinação, amor


quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Meu bem querer



Meu bem querer

Tu estás a sumir...
Borrado
Apagado
Calado
Há muito tempo finjo não ver tudo isso,
nada disso, e arrasto minhas lembranças para não me perder de ti;
para não te perder de mim.
Tu irás
e a vida tornar-se-á tranquila demais; real demais
sem os assombros e as dores que arrancam-me a alma pela garganta
todos os dias.
Sem ti não haverá dor ou paixão e acalmar-se-á a loucura que é minha,
que é quem sou eu.
A boa e tranquila vida chegará,
Caminharei
Respirarei
Dormirei bem como nos tempos dos quais nem me lembro mais
e terei por mim e por ti o desprezo que se tem
pela covardia
dos que não souberam mais do que
querer.


segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Valsa pra Biu (Tua Maria)



Valsa Para Biu Roque

Céu

se eu fosse a sua
e não mais uma
as quatro luas eu lhe daria
pra me tornar sua maria
uma canção eu cantaria
minha resposta ao que eu ouvi
a mais bela melodia
foi roubar pra minha hitória
sua poesia de outrora
não por jura ou promessa
nem perdão ou vaidade
debaixo da condesseira
sua maria de verdade


quinta-feira, 27 de novembro de 2014

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Ana (parte 2)

Parte 2

Pela janela, através de exaustas venezianas de madeira azul claro, entrava delicada luz que tocava o braço direito de Ana. O choro cessara há algum tempo, talvez ela tivesse adormecido mais uma vez; talvez. Não se lembrava desta luz a tocar sua pele assim como não se lembrava de sua vida, de seu nome completo, de onde estava, de qual dia, mês ou ano aquele era. Assim, tão sem lembranças e apenas certa daquilo que não sabia, Ana duvidava até mesmo de sua própria existência.

“Estou mesmo viva?” pensava a menina estática que jazia na cama. “Estou mesmo viva e respiro ou apenas imagino este respirar?”

Ana lembrou-se da falta da unha em seu pé esquerdo e reabriu seus olhos. Era verdade, faltava-lhe uma unha e havia um pequeno bocado enegrecido de sangue que saíra do dedo e escorrera pelo peito do pé. O dedo lhe doía e, portanto, ela estava viva; concluiu Ana. Os não vivos não sentem dor, não sentem nada, e a dor do dedo do pé esquerdo era, naquele momento, um conforto para aquela mulher que não sabia quem era ela e nem onde estava. Havia uma certeza; quiçá a única que qualquer ser humano podia ter nesta vida: Ana sabia-se viva.

Por que havia tanto medo nela? Medo de mover-se, medo de ouvir algo, medo de ver algo para além do vestido florido e da unha ausente. As paredes do quarto eram brancas e nuas como se tivessem sido recém pintadas, e contrastavam com as cansadas venezianas de azul sem vida. Não havia quadros, não havia manchas, não havia nem ao menos um único prego ou gancho que maculasse aquele branco completo e sufocante.

“Onde estou?” pensava a atordoada mente da moça que jazia numa cama barata de metal cinza claro.

Ana abriu a boca, pois percebera os secos lábios rachados e sentiu a urgente necessidade de umedecê-los como se disso dependesse a manutenção de sua vida. A língua de Ana tocou lhe os lábios e percebeu um pequeno corte à direita assim que o sal do sangue invadiu-lhe o paladar.
“Onde estou, meu Deus?” pensou a menina que não ousava falar por medo de que alguém a ouvisse.

Voltaram as lágrimas ao rosto de Ana.