terça-feira, 14 de dezembro de 2021
Tarde de Domingo
Tarde de Domingo
Saudade arde como um eco
e vejo que os braços do abraço são
Dela
numa tarde de domingo quente de quase verão
tudo ia muito bem
até que a minha curiosidade, sem pudores,
traiu-me o coração
Ou a razão?
Que razões me levam a tais sentimentos tão vis
Ciúmes
ciúmes agoniantes de ti
Fecho os olhos porque depois de tanto tempo aprendi
a fingir para mim mesma
que não me importa para quem andas a abrir a porta
Finjo
como finge todo e qualquer poeta
mesmo os mais pueris
que os sentimentos que andam por aqui não passam de muito barulho
sem sentido
Galhofa
Troça
Um escarnio do meu bem humorado coração que mimetiza
o sentir à perfeição
Não?
o inesquecível por sua cruel natureza
aflige-me a razão
saudades
quinta-feira, 9 de dezembro de 2021
Bola pro mato!
Bola pro mato!
Desde os tempos
em que Roma era o centro do universo, sabe-se que todos nós precisamos não
apenas de pão, mas de um tanto de circo para vivermos felizes e tranquilamente
ignorantes. Não que a ignorância seja uma benção, não o é. Contudo, poder
esquecer-se um pouco, por uma hora e tal, das desgraceiras da vida faz um bem
danado para corpo e alma. E eu, como todo ser pensante, adoro um bom espetáculo
para nublar a visão de vez em quando.
Hoje temos todos
os 20 times do campeonato brasileiro, o Brasileirão, a correr atrás da bola na
última rodada do campeonato para a alegria das caraminholas da minha cachola. Dois
jogos diante dos meus olhos, a acompanhar outros tantos de rabo de olho, eu
quero é ver o mundo hoje pegar fogo. (p.s. Grêmio faz 2 X 0 no Galo e, mesmo
assim, muito provavelmente amargará a Segundona em 22, ou quiçá teremos um
milagre por cá?).
Se o nosso
campeonato em Terra Brasilis está a léguas de distância da glamorosa e muy rica
Premiere League (e de quase todos os campeonatos europeus) no que tange à qualidade
da bola jogada, não fica nada atrás no que diz respeito à emoção (ok, ok, chega
a ser uma heresia tentar comparar os dois campeonatos; eu sei.). Mas eita
campeonato arretado esse nosso!
Hoje tem gente
que pode ganhar e cair, gente que pode apenas empatar e se salvar da degola,
gente que pode não ter jogado nada o ano todo e acabar na Libertadores da
América, gente que pode ter sido pequenino a vida toda, sem eira nem beira, a
chegar na tal Liberta pela primeira vez, oh glória! Hoje tem gente grande que
pode acabar cabisbaixo com o rabo entre as pernas. Hoje tem Timão. Hoje teremos
uma sacholada de gols. Hoje tudo acontece ao mesmo tempo agora. (Grêmio 3 X 0,
mas olha que o Bahia está a vencer. Vai Bahea!!!!
sexta-feira, 26 de novembro de 2021
quinta-feira, 25 de novembro de 2021
Quase
Quase
Quase dois anos de pandemia, de dias
blindados pela distância e de voz abafada por de trás de uma máscara. Nesses quase
dois anos, vivemos uma vida quase normal. Entretanto, o quase, no final de
todas as contas, significa que muito deixou de ser feito. Significa que pouco,
de fato, foi vivido para além dos feudos que criamos para nós mesmos. Acastelados
em nossas casas e apartamentos, nos escondemos e nos demos o direito a pouco. A
Pequenos grupos de amigos, a alguns membros da família, a parcos beijos e
abraços. Ao amor contido.
Deixamos de ver muitos, e muito. Não nos
demos a liberdade de simplesmente estar em qualquer lugar. Evitamos, com grande
incômodo para a alma, o contato com muitas gentes, com tantas gentes. E assim,
à força, forçados pelo medo e pela prudência, o quase chegou muito próximo ao
nada. Quase nada foi vivido verdadeiramente; sem limites ou medos.
Depois de tanto tempo, e tanto dizer
que nos mostra que muito não sabemos, a certeza que nos resta é não ter muita
certeza de como será a vida de agora para a frente. O futuro nunca foi tão
incerto para a grande maioria de nós. Para mim. Para mim, que tenho a
necessidade intrínseca de controlar minha vida à rédea curta, essa tal pandemia
chegou muito perto do caos; do fim dos tempos. De um repente, e sem a minha
permissão, o controle de minha vida, simplesmente, fugiu de mim.
Assim, depois de tudo, concluo que
quase, por estes tempos, é muito, é tudo, é nada.
