segunda-feira, 2 de junho de 2014

A Copa sem Cor



No dia 16 de julho de 1950, no Maracanã (o oficial – Estádio Jornalista Mário Filho) o Brasil e todos os brasileiros entraram numa depressão desportiva e moral. Naquele dia perdemos a Copa do Mundo de maneira insólita, inacreditável.  Num jogo onde podíamos empatar e ainda assim sermos campeões, o Brasil saiu na frente, cedeu o empate aos 21 minutos do segundo tempo e, quinze minutos depois, viu o que não podia e não devia ter acontecido. Aos 36 minutos do segundo tempo, como nunca antes e depois, um estádio de futebol cheio de gente calou-se; com um segundo gol os Uruguaios sagravam-se campeões.

Por estes dias assisti a um programa sobre o tal famigerado dia, a derrota das derrotas que assombrou a muitos por muito tempo e a todos aqueles jogadores brasileiros pela vida inteira. Ver e sentir o peso da derrota que os 11 homens de 50 carregaram, e carregam, com eles faz qualquer um chorar, verdade. Contudo, ver e sentir o amor inocente, quase pueril, deles pelo futebol em comparação com o que temos agora faz qualquer um entrar em depressão. “Deprimi”.

O certo é que estamos a menos de 15 dias do Mundial e falta-nos a cor, o som, a empolgação e a paixão dantes vistos por estas terras em todas as edições deste campeonato. Estamos acabrunhados com nossa ineficiência, tronchos com tudo o que foi prometido e deixou de fazer parte deste mundial, e apoquentados com todos os absurdos financeiros e morais que vemos desfilar sob nossos narizes diariamente.

Por isso, depois de 64 anos, a Copa (que deu a volta ao Mundo e foi até a África e o Japão para depois aportar em Terra Brasilis) chega aqui para um “replay” sem nenhum charme ou “je ne sais quoi”. O brasileiro simplesmente não consegue sentir-se bem com este campeonato que tem pouca relação com a paixão pela bola e laços estreitos, bem apertados, com a paixão pelo poder e o dinheiro.


Seja lá qual for o resultado desta Copa do Mundo de Futebol, eu cá dentro sinto uma melancólica inveja daqueles que puderam assistir ao Campeonato de 50. Tenho certeza que nenhum dos sentimentos de hoje, nem uma gota sequer desta vergonha que hoje sentimos, estavam presentes naquele julho de 50. Desta vez, não se faz necessária uma derrota inexplicável para que a tristeza faça parte desta estória, porque, se há um sentimento comum nesta Copa, este é a decepção.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

The great woman - Maya Angelou



I Know Why The Caged Bird Sings


The free bird leaps
on the back of the wind
and floats downstream
till the current ends
and dips his wings
in the orange sun rays
and dares to claim the sky.

But a bird that stalks
down his narrow cage
can seldom see through
his bars of rage
his wings are clipped and
his feet are tied
so he opens his throat to sing.

The caged bird sings
with fearful trill
of the things unknown
but longed for still
and his tune is heard
on the distant hill
for the caged bird
sings of freedom

The free bird thinks of another breeze
and the trade winds soft through the sighing trees
and the fat worms waiting on a dawn-bright lawn
and he names the sky his own.

But a caged bird stands on the grave of dreams
his shadow shouts on a nightmare scream
his wings are clipped and his feet are tied
so he opens his throat to sing

The caged bird sings
with a fearful trill
of things unknown
but longed for still
and his tune is heard
on the distant hill
for the caged bird
sings of freedom

(04/04/28 - 28/05/14)

domingo, 25 de maio de 2014

Um minuto


Em um minuto tudo muda,
muda o vento
mudam as nuvens no céu que já não é o mesmo,
muda o gosto na minha boca e, no coração, meus sentimentos.
Tudo muda em um minuto,
muda a vida
mudam as decisões antes tomadas porque de tudo não se sabia.
Eu não percebia.
E quando percebo, muda a cor dos meus olhos
que do doce avelã passam para o soturno negro.
Em um minuto tudo muda,
e eu muda permaneço.



sexta-feira, 23 de maio de 2014

O Clip Oficial da Copa (para mim)

Pois, apesar de ser propaganda como todos os outros, é o único que entende que a paixão pela bola começa nos campinhos de futebol pelo mundo afora.






domingo, 18 de maio de 2014

Tu

Abrir
mão
de
ti
é como fechar os olhos diante do mar para nunca mais abrir.
É não tomar sorvete no verão,
e deixar de ouvir a canção
que mais
se gosta.
É sentir-se,

                  de repente,

com mais de cem anos e não compreender onde a vida dobrou,
errada,
uma curva...
                                                                                Tão torta assim.
Abrir mão de ti,
para
mim
ainda me soa tão estranho quanto um Mundo completamente nu de sons,
e me parece
que
sem
ti
eu abro mão
de
m
i
m.




O Doce Viola - Paulo e a Portela




sábado, 17 de maio de 2014

“A Gente Ainda Somos Inútil.”




Hoje vi Diego Costa, jogador do Atlético de Madrid, chorar porque sentiu uma fisgada na perna, (como por cá dizemos), e teve que sair da final do Campeonato Espanhol. Chorava não pela dor em si, mas pela impossibilidade de jogar, porque aquela era uma partida importante, porque a final da Champions League está logo aí, porque a Copa do Mundo ocorrerá em menos de um mês e ele, brasileiro de nascimento, defenderá a Espanha no Mundial.

Apesar de eu torcer sempre pelo Barcelona, ou quase sempre. Hoje estava realmente dividida entre o time que muito me encanta há anos (mesmo não sendo o meu time de alma e coração, que este sempre será o meu Corinthians) e a possibilidade de ver o grande trabalho de Diego Simeone dar frutos e do Atlético ser campeão da Espanha depois de 18 anos.

O Atlético sagrou-se campeão e, por isso, muitos homens choraram. Choraram de alegria pela vitória mais que desejada ou de tristeza porque não havia sido desta vez; e esta é a essência do futebol: a emoção. Nem sempre justo, nem sempre com o melhor a vencer o campeonato, nem sempre seguindo a lógica e a razão, mas sempre cheio de emoção; assim é o futebol, algo que se move e que nos move muito para além do fato de haver 22 homens a perseguir uma bola. Futebol é, e sempre será, apaixonado e apaixonante.

Por isso gosto tanto deste jogo. Por esta paixão quase tive um enfarte do pobre do miocárdio durante o ano de 2012. Ano que jamais esquecerei porque vi, em 12 meses, o meu time ser campeão da Copa Libertadores da América e bater os ingleses do Chelsea na final do Mundial no Japão. Aquilo, para mim, foi mais emocionante e melhor do que Natal quando a gente é criança ou do que ganhar qualquer Copa do Mundo. Aquelas vitórias foram únicas e mágicas e me fazem, até o dia de hoje, sorrir quando me lembro do que vi e senti naqueles dias.

Pois, apesar de toda esta paixão e de ir aos jogos da Copa do Mundo aqui em meu país, (não podia perdê-los e dá-me quase vergonha por isso). Bom, apesar disso, pouco tem me empolgado o tal Campeonato do Mundo porque o vejo de perto, aqui no meu quintal. E vejo com mais clareza do que nunca que numa Copa do Mundo a beleza do futebol é o que menos importa. Este não é um campeonato de paixões por times, ele é um campeonato de paixão pelo dinheiro e pelo poder que traz o tal dinheiro.

Não me restam dúvidas de que se eu vivesse noutro país, (num país mais honesto para com seu povo como a Alemanha ou o Japão, por exemplo), não me sentiria tão incomodada e não veria tanta coisa errada diante de meu nariz. Mas não vivo, e o que tenho visto é apenas a sublimação daquilo que eu sempre soube: o Brasil é um país hipócrita, corrupto e completamente incompetente. O que me faz lembrar uma canção do Ultraje a Rigor posto que “a gente ainda somos inútil”, não? Bem talvez não todos nós, mas está difícil tentar escapar da tal pecha, ou mudamos e a gente já sabe escolher presidente? Será?


Bom, enquanto não acertamos nas nossas escolhas, o tal do legado da Copa serão estradas não acabadas, entornos tortos, trens e metrôs que não existem, aeroportos pela metade ou nem isso, um bando de estádios para jogarmos os nossos campeonatos que vão mal das pernas, (obrigada), muito dinheiro gasto à toa, e o Mundo com a certeza de que eles haviam se equivocado sobre nós. Não, não somos uma quase potência e o futuro ainda não chegou por aqui. E, apesar de eu ir sim aos jogos, pois a carne é fraca e me incluo no meio dos inúteis do país, fica cá dentro a pergunta – Não dá para começar tudo de novo, não? Bora fazer um “reboot” na bagaça toda?