terça-feira, 14 de fevereiro de 2017
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017
De repente 15...
De repente 15...
Nesta semana Gigi completou 15
anos, e eu ainda me lembro dela vestida de formiguinha na festa da escola com
pouco mais de 2 anos de idade, dos seus pés bem pequenos nas minhas sandálias
mais altas, e de quanto minhas pálpebras ardiam quando ela passava a tarde a
maquiar meus olhos com todas as sombras existentes nesse universo; colocando uma
sobre a outra. Minha primeira boneca linda e tagarela cresceu.
Pois, de um repente, nesta
semana, parece-me que décadas se passaram enquanto eu cochilei no sofá. Gigi
tem 15 anos e os nossos mundos já não são tão distantes assim: meninos, música,
amigas, sapatos de salto alto, maquiagem, mais meninos, séries de TV e filmes
que fazem chorar... A verdade é que todos os meus miúdos cresceram muito e
transformam-se assustadoramente diante dos meus olhos míopes que levam um bom
tempo para enxergar, e aceitar, cada detalhe destas transformações. Mas o fato
é que meus pequenos estão a virar gente grande.
Fábio terá 20 anos em julho e não
há mais como negar: ele é um homem feito. Apesar de ainda faltar um tanto de
juízo na cachola, verdade, ok... Concordo. Contudo, juízo chega de mansinho e
somente lá pelos 30 vem morar com a gente de vez e para todo o sempre; não? E
isso com direito a férias de vez em quando que ninguém é de ferro. Amém!
Pedrão terá 10 anos em abril e
sua adolescência já nos espia de soslaio, curiosa, em nossos momentos de
distração. Em breve ela saltará diante de nós na sala de estar e não teremos
mais como ignorá-la. Teremos, definitivamente, uma criança a menos e um novo
universo de descobertas inaugurado; será, então, o tempo de conhecer um novo
Pedro.
Lucas prepara-se para a
Universidade e para o mundo quando 2018 e seus 18 anos chegarem de mãos dadas. E
eu, sinceramente, não me preparei para esse momento quando terei que ver meu
filhote solto no mundo mesmo sabendo que ele chegaria; mesmo desejando que ele
chegasse e que fosse interessante e bonito para o meu menino. Pois, o tal
momento de ser adulto está a chegar para ele e teremos que nos acostumar a não
tê-lo tão por perto todo santo dia. Hmmm... Acho que vou chorar.
Um
beijo aos meus meninos, os grandes e os pequenos. Amo-vos demais!
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017
Um dia
Um dia
Queria apenas um dia de vinte e quatro horas minhas.
Um dia no qual aqui tu estarias sem pressas e problemas,
sem medos e dilemas... Sem silêncios.
Um dia que não faria mal a ninguém porque apenas para nós
existiria
e que depois seria esquecido,
nuvem rala,
poeira de lembranças de tudo que não chegamos a fazer;
a dizer.
Seria a mentira derradeira sobre uma vida inteira que não
foi construída
pelo simples fato de que assim não era para ser;
apesar de um querer inexplicável. Irreparável.
Porém, e mesmo assim, mesmo sendo apenas uma falácia;
a gramática de uma língua nunca escrita,
eu o queria.
Queria este meu dia no qual o oceano não seria tão imenso
como é,
e numa caminhada muda,
tu o cruzarias como dantes fizeram os teus
para, num dia, criar o mundo que hoje eu chamo de meu.
Apenas para estar comigo aqui. Eu queria apenas
um dia.
segunda-feira, 30 de janeiro de 2017
Eu Não Sei Quando Te Perdi
O fim
Sem querer e sem saber dos porquês,
vai-se embora daqui de um repente toda a gente
a quem se quer bem.
Como se a existência fora apenas sonho,
ideias inventivas do coração que só não sabe ser;
Elas se vão.
Somem feito nuvem em tempo de estio,
feito o tempo que já não temos,
o filme que na sala de cinema terminou.
Vão-se porque por cá não podem mais estar
porque assim Deus quis
porque o amor acabou no coração alheio apesar de andar
aos pulos por aqui.
Elas se vão porque tudo na face desta terra que teve um dia
um começo, é certo,
noutro dia terá um fim.
Eu não sei quando eu te perdi
Bem que me tinhas avisado
(ou antes pedido docemente)
tem atenção comigo por favor
tem atenção comigo meu amor
porque eu não sou dessas
que fingem
que não vêem
e o meu coração já aguentou
o que podia aguentar
(miúda, não sei quando te perdi)
Não podia mas devia saber
não podia mas devia saber
não se trata assim ninguém
eu não podia mas devia saber
como se ama verdadeiramente
(nunca me tinham ensinado)
só depois de te perder
finalmente aprendi
(aprendi tarde demais para mim, para ti, para nós
eu não fui homem porque não sabia ser)
quarta-feira, 25 de janeiro de 2017
O Tom
O Tom...
Há muitos anos estamos sem Tom
Jobim, desde dezembro de 1994. Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim
morreu em Nova Iorque e eu, em São Paulo, senti-me órfã e abandonada. Senti-me
traída. Afinal, como ele pôde nos deixar sozinhos sem sua poesia; sem sua
música tão brasileira e universal. Foi mesmo um golpe fatal. Horrível. Dia de
luto certo para todo tipo de passarinho, para as teclas do piano, para o mato
onde vivem as lendas brasileiras; para todo brasileiro que gosta de música.
Hoje, mais de vinte anos depois
de sua morte e no dia de seu aniversário, imagino quanta música bonita ele
poderia ter feito. Meu Deus, quanta poesia e melodia nunca d’antes vistas e ouvidas
teria feito o Dindi? Quantas vezes mais teria eu me emocionado intimamente com
suas canções? Cantado desafinada e sem vergonha suas canções do último trabalho
feito? Quanta paixão mais teria ele
feito brotar no peito da gente? Não sei. Impossível mensurar o quanto um gênio
seria capaz de criar e Jobim, sem necessidade alguma para a falsa modéstia, era
pornograficamente genial.
Resta-nos ouvi-lo muitas e várias
vezes, repetidamente. Sem pressa e com toda a atenção para matar um pouco a
nostalgia que nos dá a falta do Seu Antônio num dia como esse. Dia em que a
música, a arte das musas, resolveu vir a Terra em forma de gente. Feliz
aniversário Tom.
Que se faça a música!
quarta-feira, 18 de janeiro de 2017
O Bufão sobe ao Trono
O Bufão sobe ao Trono
Por hábito, e por haver um bom
fundo de verdade nisso, há anos chamo o presidente dos Estados Unidos de “o
presidente do mundo”. E se esta sempre
foi uma piada de mau gosto em certa medida, afinal mostrava com tom zombeteiro,
porém subserviente, o meu reconhecimento de quem eram os donos do mundo como o
conheço; do meu mundo americano principalmente. Nesta semana a tal brincadeira
jocosa terá seus graus de gravidade e seriedade elevados a uma potência
gigantesca. Nesta semana Donald Trump será coroado rei do mundo e isso não tem
graça alguma, pois que a comédia num exagero histriônico tornou-se, após uma
curva mal feita à direita, uma súbita tragédia.
Claro que não faltam problemas
muito sérios em meu país que mergulha de cabeça numa instabilidade social e
econômica ímpares, e estas deveriam obter todo o meu foco e atenção. Sim,
sobram-nos mazelas domésticas há muito conhecidas e agravadas paulatinamente
pela ineficiência com a qual nos gerimos há muito tempo, ou desde sempre, como
nação. Verdade. Entretanto, ver o Sr. Trump, um fanfarrão contumaz, a assumir a
presidência dos Estados Unidades após os dois mandatos do sempre gentil,
correto e elegante, além de muito carismático, Obama, dói-me n’alma.
Não é nada gratificante perceber que
um homem com nenhuma inclinação ao altruísmo, que antes de tudo e mais nada se
preocupa apenas com o que versa sobre o seu umbigo e que demonstra um verdadeiro
desprezo pela humanidade no geral será o presidente de um país com tanto poder
e influência sobre tudo o que se passa neste planeta. Muito para além disso,
fica por cá a dúvida de como uma grande parcela da população americana pôde
crer num homem que faz da falácia um hábito, e do deboche um lema. Falta de
discernimento e informação ou uma crítica radical ao atual establishment? Seja
lá qual o real motivo que levou a esta escolha tão esdrúxula, creio que houve
um erro de julgamento fatal.
Arrogante o bastante para não
perceber suas limitações, ademais de muito preconceituoso, o Sr. Trump prega
uma política econômica protecionista e nacionalista que já não tem mais lugar
no mundo moderno. Engodo este, aliás, muito utilizado por aqueles que querem
convencer aos milhões de cidadãos com palas nas vistas. Afinal, não há nada mais
fácil e cômodo do que buscar nas minorias, nos estrangeiros e em outros países
todos os motivos para a falência da economia doméstica de cada um.
Muito ao revés do que prega o recém-eleito
presidente americano, o fato é que os Estados Unidos perderam seu papel hegemônico
na política mundial e veem, pouco a pouco, chegar ao fim seu status de superpotência
econômica única. Quiçá muito mais brevemente do que imaginávamos com a ajuda do
grande magnata da esperteza que poderá fazer muita coisa em seu país, contudo,
não irá fazer a “América” grande outra vez.
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