quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

De repente 15...



De repente 15...

Nesta semana Gigi completou 15 anos, e eu ainda me lembro dela vestida de formiguinha na festa da escola com pouco mais de 2 anos de idade, dos seus pés bem pequenos nas minhas sandálias mais altas, e de quanto minhas pálpebras ardiam quando ela passava a tarde a maquiar meus olhos com todas as sombras existentes nesse universo; colocando uma sobre a outra. Minha primeira boneca linda e tagarela cresceu.

Pois, de um repente, nesta semana, parece-me que décadas se passaram enquanto eu cochilei no sofá. Gigi tem 15 anos e os nossos mundos já não são tão distantes assim: meninos, música, amigas, sapatos de salto alto, maquiagem, mais meninos, séries de TV e filmes que fazem chorar... A verdade é que todos os meus miúdos cresceram muito e transformam-se assustadoramente diante dos meus olhos míopes que levam um bom tempo para enxergar, e aceitar, cada detalhe destas transformações. Mas o fato é que meus pequenos estão a virar gente grande.

Fábio terá 20 anos em julho e não há mais como negar: ele é um homem feito. Apesar de ainda faltar um tanto de juízo na cachola, verdade, ok... Concordo. Contudo, juízo chega de mansinho e somente lá pelos 30 vem morar com a gente de vez e para todo o sempre; não? E isso com direito a férias de vez em quando que ninguém é de ferro. Amém!

Pedrão terá 10 anos em abril e sua adolescência já nos espia de soslaio, curiosa, em nossos momentos de distração. Em breve ela saltará diante de nós na sala de estar e não teremos mais como ignorá-la. Teremos, definitivamente, uma criança a menos e um novo universo de descobertas inaugurado; será, então, o tempo de conhecer um novo Pedro.

Lucas prepara-se para a Universidade e para o mundo quando 2018 e seus 18 anos chegarem de mãos dadas. E eu, sinceramente, não me preparei para esse momento quando terei que ver meu filhote solto no mundo mesmo sabendo que ele chegaria; mesmo desejando que ele chegasse e que fosse interessante e bonito para o meu menino. Pois, o tal momento de ser adulto está a chegar para ele e teremos que nos acostumar a não tê-lo tão por perto todo santo dia. Hmmm... Acho que vou chorar.


Um beijo aos meus meninos, os grandes e os pequenos. Amo-vos demais!

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Um dia




Um dia


Queria apenas um dia de vinte e quatro horas minhas.

Um dia no qual aqui tu estarias sem pressas e problemas,

sem medos e dilemas... Sem silêncios.

Um dia que não faria mal a ninguém porque apenas para nós existiria

e que depois seria esquecido,

nuvem rala,

poeira de lembranças de tudo que não chegamos a fazer;

a dizer.

Seria a mentira derradeira sobre uma vida inteira que não foi construída

pelo simples fato de que assim não era para ser;

apesar de um querer inexplicável. Irreparável.

Porém, e mesmo assim, mesmo sendo apenas uma falácia;

a gramática de uma língua nunca escrita,

eu o queria.

Queria este meu dia no qual o oceano não seria tão imenso como é,

 e numa caminhada muda, tu o cruzarias como dantes fizeram os teus

para, num dia, criar o mundo que hoje eu chamo de meu.

Apenas para estar comigo aqui. Eu queria apenas

um dia.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Eu Não Sei Quando Te Perdi


O fim

Sem querer e sem saber dos porquês,
vai-se embora daqui de um repente toda a gente
a quem se quer bem.
Como se a existência fora apenas sonho,
ideias inventivas do coração que só não sabe ser;
Elas se vão.
Somem feito nuvem em tempo de estio,
feito o tempo que já não temos,
o filme que na sala de cinema terminou.
Vão-se porque por cá não podem mais estar
porque assim Deus quis
porque o amor acabou no coração alheio apesar de andar
aos pulos por aqui.
Elas se vão porque tudo na face desta terra que teve um dia
um começo, é certo,
noutro dia terá  um fim.





Eu não sei quando eu te perdi


Bem que me tinhas avisado
(ou antes pedido docemente)
tem atenção comigo por favor
tem atenção comigo meu amor
porque eu não sou dessas
que fingem
que não vêem
e o meu coração já aguentou
o que podia aguentar

(miúda, não sei quando te perdi)

Não podia mas devia saber
não podia mas devia saber
não se trata assim ninguém
eu não podia mas devia saber
como se ama verdadeiramente
(nunca me tinham ensinado)
só depois de te perder
finalmente aprendi

(aprendi tarde demais para mim, para ti, para nós
eu não fui homem porque não sabia ser)

Clowns...

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

O Tom




O Tom...


Há muitos anos estamos sem Tom Jobim, desde dezembro de 1994. Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim morreu em Nova Iorque e eu, em São Paulo, senti-me órfã e abandonada. Senti-me traída. Afinal, como ele pôde nos deixar sozinhos sem sua poesia; sem sua música tão brasileira e universal. Foi mesmo um golpe fatal. Horrível. Dia de luto certo para todo tipo de passarinho, para as teclas do piano, para o mato onde vivem as lendas brasileiras; para todo brasileiro que gosta de música.

Hoje, mais de vinte anos depois de sua morte e no dia de seu aniversário, imagino quanta música bonita ele poderia ter feito. Meu Deus, quanta poesia e melodia nunca d’antes vistas e ouvidas teria feito o Dindi? Quantas vezes mais teria eu me emocionado intimamente com suas canções? Cantado desafinada e sem vergonha suas canções do último trabalho feito?  Quanta paixão mais teria ele feito brotar no peito da gente? Não sei. Impossível mensurar o quanto um gênio seria capaz de criar e Jobim, sem necessidade alguma para a falsa modéstia, era pornograficamente genial.

Resta-nos ouvi-lo muitas e várias vezes, repetidamente. Sem pressa e com toda a atenção para matar um pouco a nostalgia que nos dá a falta do Seu Antônio num dia como esse. Dia em que a música, a arte das musas, resolveu vir a Terra em forma de gente. Feliz aniversário Tom. 

Que se faça a música!



     









quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

O Bufão sobe ao Trono


O Bufão sobe ao Trono

Por hábito, e por haver um bom fundo de verdade nisso, há anos chamo o presidente dos Estados Unidos de “o presidente do mundo”.  E se esta sempre foi uma piada de mau gosto em certa medida, afinal mostrava com tom zombeteiro, porém subserviente, o meu reconhecimento de quem eram os donos do mundo como o conheço; do meu mundo americano principalmente. Nesta semana a tal brincadeira jocosa terá seus graus de gravidade e seriedade elevados a uma potência gigantesca. Nesta semana Donald Trump será coroado rei do mundo e isso não tem graça alguma, pois que a comédia num exagero histriônico tornou-se, após uma curva mal feita à direita, uma súbita tragédia.

Claro que não faltam problemas muito sérios em meu país que mergulha de cabeça numa instabilidade social e econômica ímpares, e estas deveriam obter todo o meu foco e atenção. Sim, sobram-nos mazelas domésticas há muito conhecidas e agravadas paulatinamente pela ineficiência com a qual nos gerimos há muito tempo, ou desde sempre, como nação. Verdade. Entretanto, ver o Sr. Trump, um fanfarrão contumaz, a assumir a presidência dos Estados Unidades após os dois mandatos do sempre gentil, correto e elegante, além de muito carismático, Obama, dói-me n’alma.

Não é nada gratificante perceber que um homem com nenhuma inclinação ao altruísmo, que antes de tudo e mais nada se preocupa apenas com o que versa sobre o seu umbigo e que demonstra um verdadeiro desprezo pela humanidade no geral será o presidente de um país com tanto poder e influência sobre tudo o que se passa neste planeta. Muito para além disso, fica por cá a dúvida de como uma grande parcela da população americana pôde crer num homem que faz da falácia um hábito, e do deboche um lema. Falta de discernimento e informação ou uma crítica radical ao atual establishment? Seja lá qual o real motivo que levou a esta escolha tão esdrúxula, creio que houve um erro de julgamento fatal.

Arrogante o bastante para não perceber suas limitações, ademais de muito preconceituoso, o Sr. Trump prega uma política econômica protecionista e nacionalista que já não tem mais lugar no mundo moderno. Engodo este, aliás, muito utilizado por aqueles que querem convencer aos milhões de cidadãos com palas nas vistas. Afinal, não há nada mais fácil e cômodo do que buscar nas minorias, nos estrangeiros e em outros países todos os motivos para a falência da economia doméstica de cada um.

Muito ao revés do que prega o recém-eleito presidente americano, o fato é que os Estados Unidos perderam seu papel hegemônico na política mundial e veem, pouco a pouco, chegar ao fim seu status de superpotência econômica única. Quiçá muito mais brevemente do que imaginávamos com a ajuda do grande magnata da esperteza que poderá fazer muita coisa em seu país, contudo, não irá fazer a “América” grande outra vez.