segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Sobre a nossa guerra infinita...




Sobre a nossa guerra infinita...

Eleições em meu país, o tal das bananas, coqueiros e samba; aquele que não se leva a sério mesmo quando a situação é grave. Pois, parece que não nos levamos a sério mesmo, como se isso fosse característica primordial do que vem a ser brasileiro. De um repente a angústia nos toma de assalto, já que parece que corremos em direção a um abismo gigantesco. Bom, não a todos nós, tupiniquins de nascença, pois há os que acham bom, bom demais, que o Sr. Jair seja o próximo presidente deste país. Para mim, e para muitos dos meus, esperar que algo de bom venha desse senhor é como aceitar que a solução de Thanos para salvar o mundo seja plausível e boa. Ou seja, que para salvar o mundo devemos primeiro destruir a metade dele.

Final do primeiro turno das eleições e estamos nós entre o fogo e a frigideira a ter que escolher para nosso futuro presidente entre dois homens que se intitulam salvadores da pátria-amada, ou o representante dele; salve salve Brasil. Santos do pau-oco de discurso populista e frágil quando posto à prova, e que faz pouco ou nenhum sentido; estes senhores nos pretendem nos levar à terra prometida: aquela que não existe. E o fato é que muito provavelmente nos perderemos a vagar pelo deserto.

Eu, por minha vez, já apertei o botão de alerta e o modo depressão on vigora. Aquele cujo nome não deve ser pronunciado, pelo que tudo indica, será o presidente do meu país. (E o Senhor Trump ganha um upgrade aos meus olhos, pois nós conseguiremos eleger um senhor muito mais absurdo do que ele para nos governar. Que vergonha!)  Então, a partir de 2019 em nome da família e dos bons costumes muita desgraça poderá ser feita e a violência será a solução para a paz em Terras Brasilis. “Às armas Brasil!”, deve ser o novo-velho slogan que nos guiará e as roupas camufladas estarão mais uma vez na moda pelas ruas.

E o outro candidato, aquele que representa o salvador dos salvadores, pode ganhar as eleições, não pode? Pode. Contudo, isso não fará diferença alguma para além da cor com a qual pintamos os nossos exércitos. A nossa frágil e jovem democracia corre risco de ser ferida de morte e por cá, no mundo real, não há Stan Lee ou seus heróis. Pare o Mundo que eu quero descer!

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

domingo, 30 de setembro de 2018

meu mundo





 meu mundo



um mundo que aos poucos e sem descanso

deixa de ser meu

ou nosso

dobramos errado n'alguma esquina

e perdidos vagamos

zumbis dormidos disfarçados de seres humanos à la walking
dead

seguimos num mundo paralelo

desumano

em nosso Apocalipse moderno

sem direito a perdão ou ressureição

o dinheiro grita e não nos escutamos

os extremistas gritam e não enxergamos

já não percebemos que pertencemos a mesma espécie de gente

que dentro de todos o sangue é vermelho e quente

que há ossos e carne

e uma alma

retalhada por tiros de AR-15

balas perdidas que encontram todas as gentes.

domingo, 23 de setembro de 2018

Nada







Nada

Como se tudo fosse assunto antigo, o mundo para mim anda a apresentar-se repetitivo e desinteressante. Nada inspirar-me como dantes. De um repente, sem eu saber dos porquês e sem senões converti-me em mera observadora de tudo que passa sem paciência para as tragédias ou apetite para as tramas. O fato é que cansei-me de tudo.

Cansei-me das discussões acaloradas e de lutar por aquilo que penso ser o certo, cansei-me da crença e da busca sem descanso por um sentido real e verdadeiro para a vida. Direitos iguais, a busca por um mundo mais justo para todos, e todo o etc. e tal que acompanha àqueles que gostariam que vivêssemos em sociedades que não privilegiassem poucos, tais coisas não existem e nunca existiram para além da nossa parca e vã capacidade de compreender a realidade. O mundo pertence aos que têm dinheiro e ponto final.

Então, seja porque assim a idade pede-me, pois que a todos chega a idade da descrença e do cinismo, seja porque os que mandam nesse mundo andam descarados num grau superlativo e batem, sem dó nem piedade, forte demais, nas nossas ilusões. A verdade é que toda e qualquer solução proposta por qualquer um que tenha o poder e o dinheiro ao seu lado soa-me como uma falácia construída para nos distrair. Um imaginário mundo de promessas que nunca se realizarão.

Aqui em Terra Brasilis, no meu quintal, tudo anda de mal a pior, e andamos a descer a ladeira sem direito a freios; descontroladamente. Em alguns dias teremos eleições neste país onde a única coisa que parece ter evoluído sem direito à marcha à ré é o tamanho da violência com a qual convivemos. Estamos em guerra, armados de fuzis e bombas a assassinar toda e qualquer possibilidade de futuro. E eu, como muitos aqui, votarei sem esperar que nada mude, pois parece-me que o nada é tudo que nos resta.


Em alto e bom som