segunda-feira, 8 de outubro de 2018

"Eu Já Não Sei"





Eu Já Não Sei
António Zambujo

Eu já não sei
Se fiz bem ou se fiz mal
Em pôr um ponto final
Na minha paixão ardente
Eu já não sei
Porque quem sofre de amor
A cantar sofre melhor
As mágoas que o peito sente

Quando te vejo e em sonhos sigo os teus passos
Sinto o desejo de me lançar nos teus braços
Tenho vontade de te dizer frente a frente
Quanta saudade há do teu amor ausente
Num louco anseio, lembrando o que já chorei
Se te amo ou se te odeio
Eu já não sei

Eu já não sei
Sorrir como então sorria
Quando em lindos sonhos via
A tua adorada imagem
Eu já não sei
Se deva ou não deva querer-te
Pois quero às vezes esquecer-te
Quero, mas não tenho coragem

Sobre a nossa guerra infinita...




Sobre a nossa guerra infinita...

Eleições em meu país, o tal das bananas, coqueiros e samba; aquele que não se leva a sério mesmo quando a situação é grave. Pois, parece que não nos levamos a sério mesmo, como se isso fosse característica primordial do que vem a ser brasileiro. De um repente a angústia nos toma de assalto, já que parece que corremos em direção a um abismo gigantesco. Bom, não a todos nós, tupiniquins de nascença, pois há os que acham bom, bom demais, que o Sr. Jair seja o próximo presidente deste país. Para mim, e para muitos dos meus, esperar que algo de bom venha desse senhor é como aceitar que a solução de Thanos para salvar o mundo seja plausível e boa. Ou seja, que para salvar o mundo devemos primeiro destruir a metade dele.

Final do primeiro turno das eleições e estamos nós entre o fogo e a frigideira a ter que escolher para nosso futuro presidente entre dois homens que se intitulam salvadores da pátria-amada, ou o representante dele; salve salve Brasil. Santos do pau-oco de discurso populista e frágil quando posto à prova, e que faz pouco ou nenhum sentido; estes senhores nos pretendem nos levar à terra prometida: aquela que não existe. E o fato é que muito provavelmente nos perderemos a vagar pelo deserto.

Eu, por minha vez, já apertei o botão de alerta e o modo depressão on vigora. Aquele cujo nome não deve ser pronunciado, pelo que tudo indica, será o presidente do meu país. (E o Senhor Trump ganha um upgrade aos meus olhos, pois nós conseguiremos eleger um senhor muito mais absurdo do que ele para nos governar. Que vergonha!)  Então, a partir de 2019 em nome da família e dos bons costumes muita desgraça poderá ser feita e a violência será a solução para a paz em Terras Brasilis. “Às armas Brasil!”, deve ser o novo-velho slogan que nos guiará e as roupas camufladas estarão mais uma vez na moda pelas ruas.

E o outro candidato, aquele que representa o salvador dos salvadores, pode ganhar as eleições, não pode? Pode. Contudo, isso não fará diferença alguma para além da cor com a qual pintamos os nossos exércitos. A nossa frágil e jovem democracia corre risco de ser ferida de morte e por cá, no mundo real, não há Stan Lee ou seus heróis. Pare o Mundo que eu quero descer!

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

domingo, 30 de setembro de 2018

meu mundo





 meu mundo



um mundo que aos poucos e sem descanso

deixa de ser meu

ou nosso

dobramos errado n'alguma esquina

e perdidos vagamos

zumbis dormidos disfarçados de seres humanos à la walking
dead

seguimos num mundo paralelo

desumano

em nosso Apocalipse moderno

sem direito a perdão ou ressureição

o dinheiro grita e não nos escutamos

os extremistas gritam e não enxergamos

já não percebemos que pertencemos a mesma espécie de gente

que dentro de todos o sangue é vermelho e quente

que há ossos e carne

e uma alma

retalhada por tiros de AR-15

balas perdidas que encontram todas as gentes.

domingo, 23 de setembro de 2018

Nada







Nada

Como se tudo fosse assunto antigo, o mundo para mim anda a apresentar-se repetitivo e desinteressante. Nada inspirar-me como dantes. De um repente, sem eu saber dos porquês e sem senões converti-me em mera observadora de tudo que passa sem paciência para as tragédias ou apetite para as tramas. O fato é que cansei-me de tudo.

Cansei-me das discussões acaloradas e de lutar por aquilo que penso ser o certo, cansei-me da crença e da busca sem descanso por um sentido real e verdadeiro para a vida. Direitos iguais, a busca por um mundo mais justo para todos, e todo o etc. e tal que acompanha àqueles que gostariam que vivêssemos em sociedades que não privilegiassem poucos, tais coisas não existem e nunca existiram para além da nossa parca e vã capacidade de compreender a realidade. O mundo pertence aos que têm dinheiro e ponto final.

Então, seja porque assim a idade pede-me, pois que a todos chega a idade da descrença e do cinismo, seja porque os que mandam nesse mundo andam descarados num grau superlativo e batem, sem dó nem piedade, forte demais, nas nossas ilusões. A verdade é que toda e qualquer solução proposta por qualquer um que tenha o poder e o dinheiro ao seu lado soa-me como uma falácia construída para nos distrair. Um imaginário mundo de promessas que nunca se realizarão.

Aqui em Terra Brasilis, no meu quintal, tudo anda de mal a pior, e andamos a descer a ladeira sem direito a freios; descontroladamente. Em alguns dias teremos eleições neste país onde a única coisa que parece ter evoluído sem direito à marcha à ré é o tamanho da violência com a qual convivemos. Estamos em guerra, armados de fuzis e bombas a assassinar toda e qualquer possibilidade de futuro. E eu, como muitos aqui, votarei sem esperar que nada mude, pois parece-me que o nada é tudo que nos resta.


Em alto e bom som