terça-feira, 30 de outubro de 2018

Sobre a Esperança







Sobre a esperança


Espero estar equivocada

Sobre

O que vem por aí,

O que me contam meus instintos.

O que me canta ao pé do ouvido, consternado,

o meu grilo verde pálido.

Espero estar errada como a Lua que redonda e nua

Vaga boiando no infinito azul do céu de Jobim;

Céu que já foi mais claro

Em dias nos quais quem ditava as regras não era o capitão do mato.

Espero, porque depois de tudo decidido não há mais

Como olhar para trás;

Voltar.

Escrita a história do meu país a ferro e fogo,

Não a giz.

Espero, enquanto, reticente,

Leio as linhas que juntos
                                                         e apartados ao mesmo tempo,

Escrevemos.

domingo, 21 de outubro de 2018

O Golaço inesquecível que não existiu





O Golaço inesquecível que não existiu

Não foi um bom ano para mim e os meus se o prisma futebolístico for colocado em pauta; não senhor. Desmontado e remontado algumas vezes este ano, meu time à la Frankenstein, produziu muito pouco todo remendado. Não poderia ser diferente já que desde todo o sempre, amém, o segredo de todo bom time de futebol é ter um bom conjunto: defesa forte, meio de campo inteligente e ágil, ataque eficiente. Pois, o meu Timão, dando poucas razões para a alcunha ultimamente, depois de tanta mudança anda trançando as pernas e raramente consegue chegar ao gol.

Sendo assim, numa situação tão desfavorável para mim e meu esquadrão, ver que conseguimos chegar ao final da Copa do Brasil foi algo inesperado. E, mesmo sem a crença necessária na nossa vitória, principalmente depois de sair atrás no placar no jogo em Belo Horizonte, Corinthians e Cruzeiro em casa, último jogo da Copa, tinha chances, mesmo remotas, de ser uma grande noite para o meu bando de loucos e crentes no poder de nossa camisa e na proteção de São Jorge.

E, apesar de um começo difícil, aos 7 minutos do segundo tempo um pênalti a nosso favor. Empate com gostinho de esperança; podíamos fazer algo ainda. Aos 24 minutos, golaço de Pedrinho de fora da área, diante dos meus olhos, bem na minha frente. Êxtase! Lucas e eu festejamos verdadeiramente emocionados com a quase certeza de que seriamos campeões. Pulamos, gritamos, nos abraçamos e festejamos com os desconhecidos da mesma nação como se fossemos velhos conhecidos. Tínhamos uma boa chance e no segundo tempo estávamos mostrando que a tal vitória não seria tão impossível assim.

Porém, contudo e todavia, golaços também podem não valer nada. E o nosso, o do Pedrinho, foi lindo, perfeito e feito obra prima sem nenhum defeito. Pois, não foi bem assim. O tal VAR apontou uma falta do pequeno Jadson contra o gigantesco Dedé anulando o gol. Dedé grande não apenas em tamanho, mas também em qualidade de futebol, havia caído ao chão devido ao choque da mão de Jadson. Dedé grande e malandro, caiu porque tinha que cair sendo tocado pelo pequeno JD em tal situação; e ele foi realmente colossal na partida defendendo seu time. Mas... Mas anular o gol mais bonito que fizemos nos últimos tempos foi mesmo uma maldade da tal modernidade dos árbitros de vídeo no futebol.

O Gol inesquecível não valeu nada e, com certa razão e um toque de justiça futebolística, não fomos campeões. Eu, que por minha parte não esperava ser campeã, fiquei magoada, sentida mesmo, por terem, assim, sem muito pudor, tirado um gol tão lindo e festejado por nós; por mim. O gol inesquecível que, pelas regras, não existiu.




quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Caminhos paulistanos



As ruas da minha
cinza cidade
terra da garoa em tempos de pouca chuva
a bela de poucas palavras
que esconde seus amores atrás de muros
e pelas vielas
vamos
Sampa na música do menino Leandro

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

O vinho




O vinho

Levanto a taça de vinho
Brindo
aos tempos desimportantes que temos
(que tivemos)
Contas pagas e pouco dinheiro no banco
dão me a certeza de que quando o fim do mundo vier
o meu quinhão de paraíso não estará garantido
o céu é para aqueles que nadam nas moedas
eu apenas as vejo passar
anos incríveis
anos difíceis
os anos passaram a observar por onde eu ia
e nem tiveram a decência de assoviar para que eu não dobrasse
errada
aquela esquina; anos insensíveis.
Um brinde aos nossos descaminhos!
Gosto do caminho que faço
(dos caminhos que fiz)
apesar do meu eterno descontentamento comigo e contigo
com tudo
e dessa mania irritante de querer mudar
de lugar; de lar
Queria ser árvore, sequoia centenária
feliz de estar plantada estática no mesmo lugar,
mas sou nuvem nada densa
inconstante
que vaga encantada com toda a paisagem
com o caminhar
Parece-me que o desassossego do meu poeta querido quedou-se um
bocado comigo pois
azul é a minha cor, sempre o foi
e assim,
desde menina,
algo parecia faltar-me
ou sobrar-me
um mundo infinito que existe apenas na minha cabeça
existe muito maior do que todos os planetas do sistema
e, por dentro,
lagarta esfomeada, vai roendo o meu juízo
e levanto minha taça
a um brinde sem qualquer motivo.

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

"Eu Já Não Sei"





Eu Já Não Sei
António Zambujo

Eu já não sei
Se fiz bem ou se fiz mal
Em pôr um ponto final
Na minha paixão ardente
Eu já não sei
Porque quem sofre de amor
A cantar sofre melhor
As mágoas que o peito sente

Quando te vejo e em sonhos sigo os teus passos
Sinto o desejo de me lançar nos teus braços
Tenho vontade de te dizer frente a frente
Quanta saudade há do teu amor ausente
Num louco anseio, lembrando o que já chorei
Se te amo ou se te odeio
Eu já não sei

Eu já não sei
Sorrir como então sorria
Quando em lindos sonhos via
A tua adorada imagem
Eu já não sei
Se deva ou não deva querer-te
Pois quero às vezes esquecer-te
Quero, mas não tenho coragem