terça-feira, 6 de agosto de 2019

Una vez más... Neruda




Alguna poesía de Neruda, 
simplemente porque a él yo le extraño todos los días.
Y porque  hoy 
las distancia del mundo a mí me parecen infinitas.
Todo está lejano.




Tengo Miedo

Tengo miedo. La tarde es gris y la tristeza
del cielo se abre como una boca de muerto.
Tiene mi corazón un llanto de princesa
olvidada en el fondo de un palacio desierto.

Tengo miedo -Y me siento tan cansado y pequeño
que reflojo la tarde sin meditar en ella.
(En mi cabeza enferma no ha de caber un sueño
así como en el cielo no ha cabido una estrella.)

Sin embargo en mis ojos una pregunta existe
y hay un grito en mi boca que mi boca no grita.
¡No hay oído en la tierra que oiga mi queja triste
abandonada en medio de la tierra infinita!

Se muere el universo de una calma agonía
sin la fiesta del Sol o el crepúsculo verde.
Agoniza Saturno como una pena mía,
la Tierra es una fruta negra que el cielo muerde.

Y por la vastedad del vacío van ciegas
las nubes de la tarde, como barcas perdidas
que escondieran estrellas rotas en sus bodegas.

Y la muerte del mundo cae sobre mi vida.



Silencio

Yo que crecí dentro de un árbol
tendría mucho que decir,
pero aprendí tanto silencio
que tengo mucho que callar
y eso se conoce creciendo
sin otro goce que crecer,
sin más pasión que la substancia,
sin más acción que la inocencia,
y por dentro el tiempo dorado
hasta que la altura lo llama
para convertirlo en naranja.



El Miedo

Todos me piden que dé saltos,
que tonifique y que futbole,
que corra, que nade y que vuele.
Muy bien.

Todos me aconsejan reposo,
todos me destinan doctores,
mirándome de cierta manera.
Qué pasa?

Todos me aconsejan que viaje,
que entre y que salga, que no viaje,
que me muera y que no me muera.
No importa.

Todos ven las dificultades
de mis vísceras sorprendidas
por radioterribles retratos.
No estoy de acuerdo.

Todos pican mi poesía
con invencibles tenedores
buscando, sin duda, una mosca,
Tengo miedo.

Tengo miedo de todo el mundo,
del agua fría, de la muerte.
Soy como todos los mortales,
inaplazable.

Por eso en estos cortos días
no voy a tomarlos en cuenta,
voy a abrirme y voy a encerrarme
con mi más pérfido enemigo,
Pablo Neruda.



Barrio sin Luz

¿Se va la poesía de las cosas
o no la puede condensar mi vida?
Ayer -mirando el último crepúsculo-
yo era un manchón de musgo entre unas ruinas.

Las ciudades -hollines y venganzas-,
la cochinada gris de los suburbios,
la oficina que encorva las espaldas,
el jefe de ojos turbios.

Sangre de un arrebol sobre los cerros,
sangre sobre las calles y las plazas,
dolor de corazones rotos,
podre de hastíos y de lágrimas.

Un río abraza el arrabal
como una mano helada que tienta en las tinieblas:
sobre sus aguas se avergüenzan
de verse las estrellas.

Y las casas que esconden los deseos
detrás de las ventanas luminosas,
mientras afuera el viento
lleva un poco de barro a cada rosa.

Lejos... la bruma de las olvidanzas
-humos espesos, tajamares rotos-,
y el campo, ¡el campo verde!, en que jadean
los bueyes y los hombres sudorosos.

Y aquí estoy yo, brotado entre las ruinas,
mordiendo solo todas las tristezas,
como si el llanto fuera una semilla
y yo el único surco de la tierra.

domingo, 28 de julho de 2019

O Ridículo do Mito




O Ridículo do Mito


Talvez pela forma como foi construída a nossa nação, nosso passado de realeza colonial, talvez pela falta de maturidade do povo brasileiro no que tange ao exercício da cidadania e da construção de uma sociedade plural, democrática e moderna; ou talvez movidos pela nossa mítica preguiça a la Macunaíma. Seja lá porque for, infelizmente, uma grande parte de nós, brasileiros, continua a acreditar no mito absurdo de que precisamos de uma pessoa, um homem mítico e ungido por Deus, para nos guiar em direção à grandeza a qual nossa nação teria sido destinada.

Sim, poderíamos ter uma economia pujante já que não nos faltam recursos naturais e todo o etc. e tal. Contudo, falta-nos ainda a ideia de um bem-comum construído para todos e as desigualdades sociais impedem o crescimento econômico e social real deste país. Multiplicam-se as mazelas pelo descaso e a falta de políticas sérias que busquem as soluções para tais problemas, e desta maneira, aos trancos e barrancos seguimos. Aliás, a solução para nossos problemas parece-me, a cada dia que passa, mais e mais distante já que pelos dias que se seguem falar em igualdade social para o governo do meu pais, e para muitos que o elegeram, é sinônimo de comunismo retrogrado e de esquerdismo patético.

E assim, portadores de uma ideologia míope e retrograda, seja ela de esquerda ou de direita, continuamos em nossa vã tentativa, desde Getúlio Vargas, de encontrarmos o nosso Dom Sebastião tropical. E sofremos. Sofremos com o Sr. Luiz Inácio que poderia ter sido grande e não o foi. Mostrando-se em sua mais pura natureza egocêntrica, Lula acreditou na sua condição quase divina e imaginou que não deveria haver quaisquer limites que impedissem a sua perpetuação no poder. Lula, assim como o atual presidente, acredita naquilo que quase todo político crê no Brasil: ele acredita que tudo isso que aqui vemos a ele pertence.

Seguimos, num looping irracional, a eleger pequenos ditadores disfarçados em salvadores da pátria que têm como objetivo primeiro a sua locupletação. O Sr. Jair, tão megalomaníaco quanto o outro, e, infelizmente, muito mais ignorante e ditatorial por sua natureza retrograda, sempre demonstrou que a democracia não é algo pelo qual ele tem grande apreço; muito pelo contrário aliás. Senhor Jair se acha o rei da nação e, sendo assim, tem todos os direitos e dever nenhum.

Eu, de minha parte, continuo a me perguntar até quando seremos tão parvos no que tange a eleição daqueles que nos governam. Pois, ao invés de melhorarmos no tal quesito, com a eleição de um grande mentecapto para presidente mostramos que estamos a dar marcha à ré na tal questão. E lá vamos nós a aguentar por mais quatro anos o ridículo do mito.

quinta-feira, 25 de julho de 2019

Nossa voz

Coração




Coração


De alma feita de ilusões e seus ideais

que nada sabem da realidade

quis do meu negro coração

de carvão

criar a beleza.

Criei um monstro louco e sedento

no oco do meu peito que todavia arde

no vazio coronário deixado pelo meu coração de carvão.

Com tanto sentido

sem qualquer sentido e toda a pressão e  o calor

da minha paixão

deveria já aqui, dentro de mim, haver um diamante

que a luz trouxesse.

Mas não. O coração de carvão queimou-se por inteiro

e hoje tenho sob as solas dos meus pés poças

de pó preto.

terça-feira, 23 de julho de 2019

De nós e tripas




De nós e tripas

Numa tarde acinzentada percebi o significado
claro
da expressão – fazer das tripas coração.
Quase como uma equação matemática, há passos
em estreitos compassos
que nos levam a tal extravagante transformação.
Depois de muitos nós na garganta
elaborados pela voz embargada que a seco foi engolida
causa-se um congestionamento no peito,
e o coração bate sufocado.
O coração apertado por tais e tantos nós,
pobre dele,
abatido e vencido, perde a cadência
e ameaça parar;
naufragar.
Desesperado, vendo o fim perigosamente próximo com o apagar de suas ideias,
o cérebro manda um sinal de perigo e põe em alerta
o todo do seu corpo.
Só então nasce uma força vinda do desconhecido que às tripas,
até aquele momento ignoradas, esquecidas,
dá vida. Serpentes,
elas sobem pelo peito a formar uma parede para os trancos
e os socos na boca do estômago
receber.
Assim, protegido pelo escudo e apoio das tripas
que aguentam a pancada da ressaca, sai o coração ferido,
no entanto, ainda vivo.