sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

Mi Neruda





Soneto 22
Cuántas veces, amor, te amé sin verte y tal vez sin recuerdo,

sin reconocer tu mirada, sin mirarte, centaura,

en regiones contrarias, en un mediodía quemante:

eras sólo el aroma de los cereales que amo.

Tal vez te vi, te supuse al pasar levantando una copa

en Angola, a la luz de la luna de Junio,

o eras tú la cintura de aquella guitarra

que toqué en las tinieblas y sonó como el mar desmedido.

Te amé sin que yo lo supiera, y busqué tu memoria.

En las casas vacías entré con linterna a robar tu retrato.

Pero yo ya sabía cómo era. De pronto

mientras ibas conmigo te toqué y se detuvo mi vida:

frente a mis ojos estabas, reinándome, y reinas.

Como hoguera en los bosques el fuego es tu reino.


Sed de ti.
Sed de ti me acosa en las noches hambrientas.

Trémula mano roja que hasta su vida se alza.

Ebria de sed, loca sed, sed de selva en sequía.

Sed de metal ardiendo, sed de raíces ávidas...

Por eso eres la sed y lo que ha de saciarla.

Cómo poder no amarte si he de amarte por eso.

Si ésa es la amarra cómo poder cortarla, cómo.

Cómo si hasta mis huesos tienen sed de tus huesos.

Sed de ti, guirnalda atroz y dulce.

Sed de ti que en las noches me muerde como un perro.

Los ojos tienen sed, para qué están tus ojos.

La boca tiene sed, para qué están tus besos.

El alma está incendiada de estas brasas que te aman.

El cuerpo incendio vivo que ha de quemar tu cuerpo.

De sed. Sed infinita. Sed que busca tu sed.

Y en ella se aniquila como el agua en el fuego

sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

Vaga




Vaga

Minha alma não é minha
e a mim não me pertence desde que por gente
me compreendo
isto cá está errado
sim, há algo de muito errado comigo
tão errado que não sei dizer
digo
o saber do que se trata essa mania de me fugir a alma
me escapa
o que pode ser contado
e sobre um tal incômodo ingrato que me rói as tripas
e sobre a certeza de que em mim não cabe
a alma que é minha
por cá fica o incomodo de não saber
por onde ela vaga
se ela vaga errática como o pensamento
ou se tem casa alheia,
talvez
talvez, é verdade, ela não chegue a existir e seja
apenas
a vã tentativa de dar a esta vida uma certa importância
que ela não tem
importantes são as estrelas
eu sou grão de pó e finjo
existir


quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

A Blast from the Past



A Blast from the Past

Novembro chegou ao final e 2019 está a arrumar suas malas para despedir-se também. Amém! Eita ano difícil, cheio de estorvos aboletados pelo nosso caminho como se alguém os tivesse convidado para a nossa festa, sem cerimonias. Verdade seja dita, nem tudo foi drama, como tudo não são flores sempre para todo ser que respira; c’est la vie! Contudo, o fato é que o final deste ano está sendo aguardado por mim como presente de Natal. 2020 será meu presente este ano.

Bom, fim de ano para nós do lado sul do planeta significa também fim de Campeonato de Futebol, e a bola está a se despedir dos campos um tanto melancólica já que nós, brasileiros, não a temos tratado muito bem durante o ano todo; e nisso inclui-se o Corinthians, o meu eternamente melhor time do mundo, sempre. Afinal, isso de imparcialidade não é assim a qualidade mais cara aos aficionados, certo?

Neste ponto, Blast from the Past particular, vejo-me a torcer, sem grande paixão, mas de verdade, para o Flamengo no final da Libertadores. Não, nunca fui, e não sou torcedora do Flamengo. Contudo, na minha primeira infância, e devido ao hábito de assistir ao futebol com meu pai, eu vibrava com o Zico; o Deus da bola em campos brasileiros então. Meu primeiro ídolo do futebol foi Zico e não Pelé que já não jogava bola. Afinal, como pode uma criança não se encantar com um Deus da bola? Não pode. Sou fã do Zico.

 Zico chegou antes de Sócrates, meu ídolo maior no futebol, homem de talento nos pés e na cachola, e, por isso, há desde sempre em mim uma simpatia grande pelo Flamengo. Torci de verdade, gritei e vibrei com os gols quase milagrosos no final da partida como deve ser quando se torce. Apenas não gostei muito de ver que os tais gols foram marcado pelo tal Gabi Gol. Por este não nutro simpatia alguma. C’est la vie 2!

Flamengo venceu e me parece que o Senhor Jorge Jesus provou-nos que estamos a esquecer como se deve tratar a bola. Quem diria!? Um tuga a reinar na terra do futebol deixa claro que tanto na bola, quanto em todo o etc e tal, tamanho não chega a ser documento se não formos competentes. E não o temos sido; ponto. Parabéns ao Seu Jorge, que além de competente, mostrou-se sensível ao receber o título de cidadão carioca. Jesus chorou emocionado na TV, uma de suas avós era brasileira e ser reconhecido por aqui parece ter um peso para ele que eu não entendia até então. Hoje sou mais fã desse Senhor, meu inimigo em campo, mas que mesmo assim tem toda a minha admiração.

Futebol é uma paixão, verdade. Contudo, ele não tem e nunca terá nenhuma relação com a violência e o ódio gratuito e sem sentido. Ódio e violência são o oposto da filosofia de qualquer esporte que prevê um embate justo fundado no talento, na dedicação e no respeito pelo adversário. Violência é coisa de turba ignorante, de gente fraca da cabeça e, com certeza, doente do pé.

p.s. O texto começou a ser escrito na semana passada. Contudo, na terça-feira à noite, uma menina de 15 anos, torcedora do Cruzeiro, foi espancada por torcedores do Atlético Mineiro na saída de uma partida de voleibol em Betim. Um absurdo e uma vergonha. Senti-me mal ao ouvir o fato pelo rádio do carro, afinal, como pode isso ter acontecido? Que tipo de gente é essa que se junta em bando para bater numa menina? A menina está no hospital e o final do texto tomou um rumo um pouco distinto daquele pensado anteriormente. Seja lá como for, me parece que nós é que deveríamos nos sentir profundamente emocionados com a ajuda de seres pensantes de além mar. Já que nós, ao que parece, estamos deixando de pensar. O Brasil está a se tornar um país muito triste para mim.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

"The Flying Fish"



Not knowing why I just couldn't stop watching this because it made sense to me. Interesting...

domingo, 1 de dezembro de 2019

Víbora



Víbora



Teria sido bem melhor se você tivesse nos contado tudo
A gente aqui esperando você falar alguma coisa
E você aí, bem na nossa frente mudo
A gente nunca esperou isso de você
Essa coisa esquisita de fcar em cima do muro
Até parece premeditado, fake, feito de propósito
Que você mudou de lado, juro
Até parece máscara, ópera, víbora
Mas é só você
Que tem o dom
De me enganar
Me seduzir
Me desdobrar
De me cuspir
Só pra me obter
Metade homem, metade omisso
Uma parte morta, outra parte lixo
O teu cheiro, a tua trama, a tua transa
Hoje eu não vou querer
Até parece máscara, ópera, víbora
Mas é só você
Que tem o dom
De me enganar
Me seduzir
Me desdobrar
De me cuspir
Só pra me obter
Metade homem, metade omisso
Uma parte morta, outra parte lixo
Não sou moura torta, macabea, poliana, franciscana
Nada pra você
E você é um equívoco

Tulipa Ruiz