domingo, 1 de março de 2020

A dobrar o Cabo...




A dobrar o Cabo...

Meio século me parece uma maneira um tanto dramática para designar 50 anos. Ui, a verdade é que dizer tal número tão redondo, e cheio de peso, perto da palavra anos não suaviza em nada o problema: a tal idade é mesmo assustadora. Pois, não é que eu, para o meu desgosto, ou gosto, já que ainda respiro, estou a caminho da tal idade a passos largos. Meu Deus, estou velha! (risada... ou algo que a isso se assemelha)

Lembro-me de pensar, lá pelos 20 anos, que em 2020 eu teria 50 anos e isso me parecia um futuro tão longínquo quanto aqueles das ficções cientificas. Flashfoward para carros voadores e vestuários insípidos, imagens que pululavam minha cachola a imaginar, então, um futuro que só aconteceu em teoria. Amém! Gosto bem mais desse futuro orgânico que temos.

Bom, o futuro não aconteceu como eu imaginava, apesar de ter hoje a independência e a liberdade que desde a infância eu queria. Objetivo número 01 para minha existência era então: ninguém me diria o que eu deveria fazer.  E cá estou, dona do meu nariz e do resto do corpo que já não é o mesmo; isso, aliás, é um tanto difícil de digerir. Contudo, a verdade é que desde que iniciamos o 2020 tenho me sentido mais à vontade com a tal idade. Sei lá, acho que estou a pendurar as luvas da juventude. Entreguei-me. (kkkkkkkkkk...)

Não há planos para festa, podem todos tirar o tal cavalo da chuva, posto que de maneira alguma vou me dar ao absurdo de apagar tais e tantas velinhas. Um horror! Os planos são para uma viagem, seja lá para onde for, em boa companhia. Ver o mundo ainda é uma das coisas que mais me agrada, mesmo que ele esteja menos inteligente e democrático do que eu gostaria. Às vezes parece que a humanidade caminha de marcha ré, e isso sim me dói muito perceber.

Bom, seja lá como for, sinto que agora chega a hora de imaginar um novo futuro enquanto aproveito o início da tal vida de uma senhora que já dobrou o tal Cabo da Boa Esperança. Que venham as novas aventuras!

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

A alegria




A alegria


Ri o palhaço da própria vida

e de tudo que passa

Ri como riem as crianças que nada sabem

sobre a realidade que as espera depois de algumas esquinas

Ri o palhaço cheio de graça como se fosse

verdadeira a risada

Ri o palhaço por trás de toda a maquiagem

colorida que todas as dores do mundo

disfarça,

a esconder seus olhos cansados

das nossas vistas

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

To Die For





To Die For
Sam Smith


It is if everyone dies alone
Does that scare you?
I don't wanna be alone

I look for you
Every day, every night
I close my eyes
From the fear, from the light

As I wander down the avenue, so confused
Guess I'll try and force a smile

Pink lemonade sipping on a Sunday
Couples holding hands on a runway
They're all posing in a picture frame
Whilst my world's crashing down
Solo shadow on a sidewalk
Just want somebody to die for
Sunshine living on a perfect day
While my world's crashing down
I just want somebody to die for

I long for you
Just a touch (does that scare you?)
Of your hand
You don't leave my mind
Lonely days, I'm feeling
Like a fool for dreaming

As I wander down the avenue, so confused
Guess I'll try and force a smile

Pink lemonade sipping on a Sunday
Couples holding hands on a runway
They're all posing in a picture frame
Whilst my world's crashing down
Solo shadow on a sidewalk
Just want somebody to die for
Sunshine living on a perfect day
While my world's crashing down
I just want somebody to die for

I just want somebody to die for (to die for)
I just want somebody to die for
(Does that scare you?)
(I don't wanna be alone)

domingo, 9 de fevereiro de 2020

Sentidos


Sentidos

São cinco os sentidos conhecidos - tato, paladar, olfato, visão e audição - dados por Deus, ou pela natureza, (de acordo com a crença de cada um, ou a falta dela) para compreendermos o mundo. Ferramentas extremamente eficientes para que possamos perceber o que ao nosso redor se passa em detalhes e de maneira completa. Além, claro, do famigerado sexto sentido que parece pertencer mais às mulheres e ao mundo do cinema. Sei lá. Só sei que no meu sexto e misterioso sentido eu confio.

Sendo assim, tão aparamentados e preparados para o tal conhecer, sentir o mundo e compreendê-lo deveria ser sempre algo simples para nós, não? Pois, deveria. Contudo, o fato é que por muitas vezes nem armados de centenas de sentidos seríamos capazes de entender a complexidade do que acontece a nossa volta; ou mesmo dentro de nós.

É fato que não usamos todos os sentidos com a mesma habilidade, e que todos nós temos um sentido favorito, mais acurado. O sentido queridinho, podíamos dizer. Aquele que usamos com mais frequência e de maneira mais confortável para perceber e explicar a realidade que nos rodeia. Eu, como toda a gente, tenho o meu sentido favorito: o tato – compreendo o mundo com o toque das mãos. Apesar de achar que deveria ser com a tagarelice que comigo nasceu. Falar sem razão de ser e como se eu soubesse do que falo a mim me parece um dom. Faço-o sem pensar.

Desse amor pela fala vem o meu apreço pela palavra escrita, minha terapia particular e solitária. Escrever acalma a alma, alegra os dedos e acalenta as excitas elucubrações que habitam o meu cérebro. “Penso, logo existo.” postulou Descartes.  Sim, não somos nada sem o pensar. Contudo, de tanto pensar perdemo-nos em meio aos pensamentos de forma tão labiríntica que, por vezes, não sabemos mais o que pensar. Ah, as assombrosas caraminholas...

Seja lá como for, já que temos tantas ferramentas para perceber o se passa ao nosso redor, não nos deveria ser tão difícil, como muitas vezes é, entender o mundo e quem somos. Entretanto, mais do que perder o caminho quando nos deslocamos de uma lado para o outro, é dentro de nós mesmos que mais nos perdemos sem conseguirmos entender o que sentimos. E dá-lhe terapia! Seja ela como for. Mesmo que ela se dê assim, num texto cheio de palavras e com sentido apenas para mim.

Onsen