sexta-feira, 24 de abril de 2020
Não Existe Amor em SP
Com a realidade escancarada fica mais difícil fingir que não vemos
não sabemos
não reconhecemos
a falta de amor e solidariedade tão características do mundo brasileiro
Não existe amor em SP
cinza e fria ela e nós seguimos
quase sem vida
terça-feira, 21 de abril de 2020
Em casa à deriva
Escrever é uma
terapia solitária e desavergonhada que me acompanha há alguns anos. Expressão
mais sincera daquilo que cá por dentro me enche a cabeça e o coração. Gosto muito
de escrever porque a escrita me conforta, porque dessa maneira não se empilham
nem se perdem as ideias e os sentimentos escondidos na cachola que não para de
pensar. Ao escrever guardo-os fora de mim e, sendo assim, a tal escrita é quase
tão terapêutica quanto a meditação.
Tenho escrito
pouco, quase nada. E isso me incomoda bastante porque quiçá me mostre que com o
passar dos anos, destes últimos anos, estou cada vez mais distante de tudo e calada.
(risos) Eu sei, isso de eu estar calada parece piada para qualquer um que me
conheça um pouco melhor. Eu calada é algo tão raro quanto um eclipse solar.
Muito raro mesmo.
É verdade que tenho
escrito pouco porque ando a trabalhar muito. E, não, a escrita não é, e não pretendo
que seja jamais, trabalho. Falta-me talento para tal e gosto de nutrir a bonita
ideia de que ela seja única e exclusivamente uma paixão. Sem regras e nem
razões alheias a mim. Uma vez um amigo me disse que eu gosto de viver como se a
vida fosse poesia. Um tanto fantasiosa e dramática. Pois, ele tinha razão.
Por esses dias,
em meio a tal pandemia, tem me sobrado um pouco mais de tempo e há dias ensaio
colocar no papel digital algumas
palavras. Só ensaio. Sobra-me tempo; falta-me a vida talvez? Não sei. O que sei
é que me sinto em suspensão, como se estivesse a flutuar no espaço sem direção.
Vago, náufraga à deriva, sem sair do lugar e foge-me qualquer sentimento e
quase todo pensamento. Quiçá muitos sintam-se assim, um tanto perdidos sem
saber muito bem o que sentem e pensam de tudo que temos vivido por esses dias.
A única certeza
que tenho é de que não vejo a hora de sair por aí. Quero encontrar os amigos,
abraçar meus miúdos, sentar numa mesa de bar, andar de bicicleta no Ibirapuera,
ir ao cinema, fazer uma festa em casa cheia de gente, viajar. Quero a rua!
Bom, é fato que
algumas coisas boas ganhamos com a tal pandemia e a quarentena que parece
eterna. Eu ganhei muitos dias e muito tempo com o meu pai. Há alguns anos não passávamos
tanto tempo juntos e quase já sinto falta destes dias com ele porque sei que
eles terminarão. Dias de muitos jogos antigos de futebol na TV, de yoga pela
manhã, de almoços com conversa e de uma companhia que a mim me fazia falta;
muita falta.
segunda-feira, 13 de abril de 2020
Preta Pretinha... Acabou
Uma voz a menos cantando quem somos nós,
e o Brasil mais silencioso
e eu a lamentar o fim de quem esteve aqui a minha vida inteira
mudos por cá nós choramos a perda de Moraes Moreira.
Preta, Preta, Pretinha acabou.
Já não descemos mais a ladeira a cantar
Preta Pretinha
Novos Baianos
Enquanto eu corria
Assim eu ia
Lhe chamar!
Enquanto corria a barca
Lhe chamar!
Enquanto corria a barca
Lhe chamar!
Enquanto corria a barca
Por minha cabeça não passava
Só! Somente só!
Assim vou lhe chamar
Assim você vai ser
Só! Só! Somente só!
Assim vou lhe chamar
Assim você vai ser
Só! Somente só!
Assim vou lhe chamar
Assim você vai ser
Laiá larará lararará larará
Preta, preta, pretinha!
Preta, preta, pretinha!
Preta, preta, pretinha!
Preta, preta, pretinha!
Abre a porta e a janela
E vem ver o sol nascer
Abre a porta e a janela
E vem ver o sol nascer
Abre a porta e a janela
E vem ver o sol nascer
Abre a porta e a janela
E vem ver o sol nascer
Abre a porta e a janela
E vem ver o sol nascer
Abre a porta e a janela
E vem ver o sol nascer
Eu sou um pássaro
Que vivo avoando
Vivo avoando
Sem nunca mais parar
Ai, ai! Ai, ai!
Saudade
Não venha me
matar
Ai, ai! Ai, ai!
Saudade
Não venha me
matar
Ai, ai! Saudade
Não venha me matar
Ai, ai! Ai, ai!
Saudade
Não venha me
matar
Lá Vem o Brasil Descendo a Ladeira
Quem desce do morro
Não morre no asfalto
Lá vem o Brasil descendo a ladeira
Na bola, no samba, na sola, no salto
Lá vem o Brasil descendo a ladeira
Na sua escola é a passista primeira
Lá vem o Brasil descendo a ladeira
No equilíbrio da lata não é brincadeira
Lá vem o Brasil descendo a ladeira
E toda cidade que andava quieta
Naquela madruga acordou mais cedo
Arriscando um verso, gritou o poeta
Respondeu o povo num samba sem medo
Enquanto a mulata em pleno movimento
Com tanta cadência descia a ladeira
A todos mostrava naquele momento
A força que tem a mulher brasileira
quarta-feira, 8 de abril de 2020
Sem tempo
Sem tempo
O tempo para
pela primeira vez para nós
enquanto
e ao mesmo tempo
o mesmo tempo voa
enlouquecido pelas ruas vazias
Cronos sem freios passeia solitário e sem rumo
rumo a
um ano que antes de começar
termina
pela segunda vez na vida o futuro me dá
medo
porque, de soslaio, antevejo
vestida de branco e a afiar as garras
vestida de branco e a afiar as garras
a imensa tristeza,
que de mãos dadas ao nosso porvir,
caminha
sexta-feira, 3 de abril de 2020
terça-feira, 31 de março de 2020
historias da unha do dedao do pe do fim do mundo
Manoel de Barros é uma paixão para mim porque o invejo. Invejo o mundo que ele criou com suas palavras porque nele eu queria viver. O mundo do Manoel é mais bonito, mais simples e mais verdadeiro do que tudo que eu vejo todo santo dia. Nos dias de hoje, tão pesados, a leveza de Manoel leva minha alma a sonhar.
Um pouco de Manoel de Barros em forma de desenho animado para trazer por cá alguma animação.
Hoje eu queria ser beija-flor
ou borboleta,
desimportante e feliz
esquecida dentro de mim mesma
entre flores, folhas
e a sombra cheirosa que só fazem as mangueiras.
Um abraço desde longe, de braços esticado e vontade cheia.
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