quinta-feira, 14 de maio de 2026

bocado

 


Bocado

 

De uns tempos para cá, sem avisos,

devoro-me sem pressa

delicada

aos bocadinhos

Literalmente... sem direito a alegorias e fantasias

observo minha carne rebelar-se e enlouquecer

Células loucas e cansadas já não se sentem parte pertencente

ao meu corpo,

minhas inimigas mortalmente inócuas

e cheias de más intenções, devem ser deglutidas

Então, dona do meu próprio tempo, cronológica e titânica,

arranco sem dentes os pequenos pedaços

revoltados

Tornando assim real o meu destino final:

devorar-me por inteiro

Consumir-me heroica e rival de mim mesma,

Bocado a bocado

terça-feira, 10 de março de 2026

rien nada nothing

 









dever

 


dever

 

Deveria

Assustar-nos a nossa gigantesca insignificância

Pois de tudo somado que somos                                                   resta pouco

Presos às telas mais parvos que nunca

sem ideias e palavras para elas

sem paixões para além das ostensivas aparências

balões inflados seguimos a flutuar sem rumo

E no final das contas de um punhado de atos ocos

Somos e temos a profundidade

do nada

quinta-feira, 13 de novembro de 2025

A Distância


 

Meu querer sem querer

 







Meu querer sem querer


Sem querer, quero

Sem pensar e

sem saber dos porquês do meu parvo querer;

me estranho.

E desconheço o teimoso sentimento

que insiste em baixinho sussurrar...

Sinto, sinto... ainda sinto

SauDaDes crônicas de você,

meu bem-querer.

Num descuido, mergulho no nosso oceano de sentimentos perdidos.

Ressaco em ondas.


quarta-feira, 3 de setembro de 2025

creep


 

hOMEM

 


hOMEM

Estás desnudo diante de meus olhos pela primeira vez

És homem

Apenas de carne e ossos feito deitado no teu leito

Sob a luz dos de(s)feitos

Desfeitos

foram todos os enfeites que com zelo por anos teu corpo adornei

foram rasgadas a facadas as vestes de carinho feitas

sem calças

És homem

Como todos os outros homens desta e doutras terras

Nada mais da multidão vasta o aparta

És homem

Apenas um homem

Sem que eu possa a ti presentear adjetivos

És homem sem flores, sem fantasias...

E eu.

Eu conheço um sentimento que não conhecia

ao ver-te, sem sonhos,

homem