quarta-feira, 8 de junho de 2011

Várias impressões do Amor (Dale el 2)


Poema 20 Puedo escribir los versos más tristes esta noche.
Escribir, por ejemplo: "La noche esta estrellada,
y tiritan, azules, los astros, a lo lejos".
El viento de la noche gira en el cielo y canta.
Puedo escribir los versos más tristes esta noche.
Yo la quise, y a veces ella también me quiso.
En las noches como ésta la tuve entre mis brazos.
La besé tantas veces bajo el cielo infinito.
Ella me quiso, a veces yo también la quería.
Cómo no haber amado sus grandes ojos fijos.
Puedo escribir los versos más tristes esta noche.
Pensar que no la tengo. Sentir que la he perdido.
Oír la noche inmensa, más inmensa sin ella.
Y el verso cae al alma como al pasto el rocío.
Qué importa que mi amor no pudiera guardarla.
La noche está estrellada y ella no está conmigo.
Eso es todo. A lo lejos alguien canta. A lo lejos.
Mi alma no se contenta con haberla perdido.
Como para acercarla mi mirada la busca.
Mi corazón la busca, y ella no está conmigo.
La misma noche que hace blanquear los mismos árboles.
Nosotros, los de entonces, ya no somos los mismos.
Ya no la quiero, es cierto, pero cuánto la quise.
Mi voz buscaba el viento para tocar su oído.
De otro. Será de otro. Como antes de mis besos.
Su voz, su cuerpo claro. Sus ojos infinitos.
Ya no la quiero, es cierto, pero tal vez la quiero.
Es tan corto el amor, y es tan largo el olvido.
Porque en noches como esta la tuve entre mis brazos,
mi alma no se contenta con haberla perdido.
Aunque éste sea el último dolor que ella me causa,
y éstos sean los últimos versos que yo le escribo.

Pablo Neruda


Eu
Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte
Sou a crucificada… a dolorida…
Sombra de névoa ténue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!…
Sou aquela que passa e ninguém vê…
Sou a que chamam triste sem o ser…
Sou a que chora sem saber porquê…
Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver
E que nunca na vida me encontrou!

Florbela Espanca


el amor amarillo, rojo y anaranjado
dulce y caliente
sabroso y helado
el amor que en la lengua se siente
el amor que en el pecho
traigo con mi alma enredado

(by me)

terça-feira, 7 de junho de 2011

Várias impressões do Amor 1



NÃO DEIXE O AMOR PASSAR

Quando encontrar alguém e esse alguém fizer seu coração parar de funcionar por alguns segundos, preste atenção: pode ser a pessoa mais importante da sua vida.
Se os olhares se cruzarem e, neste momento,houver o mesmo brilho intenso entre eles, fique alerta: pode ser a pessoa que você está esperando desde o dia em que nasceu.
Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo for apaixonante, e os olhos se encherem d’água neste momento, perceba: existe algo mágico entre vocês.
Se o primeiro e o último pensamento do seu dia for essa pessoa, se a vontade de ficar juntos chegar a apertar o coração, agradeça: Deus te mandou um presente: O Amor.

Por isso, preste atenção nos sinais - não deixe que as loucuras do dia-a-dia o deixem cego para a melhor coisa da vida: O AMOR.
Carlos Drummond de Andrade


Enquanto não superarmos
a ânsia do amor sem limites,
não podemos crescer
emocionalmente.

Enquanto não atravessarmos
a dor de nossa própria solidão,
continuaremos
a nos buscar em outras metades.
Para viver a dois, antes, é
necessário ser um.
Fernando Pessoa

domingo, 5 de junho de 2011

Tão doce quanto pode ser

Preparem-se para todo o melado e o lamechas que na vida pode haver, pois, nesta semana estou tão piegas e sentimental que há o perigo de enjoarmos antes do final deste texto assim-assim. Não que os problemas tenham acabado, que as dores não sejam mais sentidas e que o medo e a preocupação não estejam mais aqui. Sim eles estão. Ainda há as doenças que afligem pessoas queridas, a saudade doida de quem amo e que está definitivamente longe de mim, a indecisão do que devo fazer de minha vida. Mas nesta semana a vida fez um circulo completo, e o começo e o fim pareceram dar as mãos mostrando que a vida é mais forte que tudo e, por isso mesmo, estará sempre aqui apesar de todas as besteiras que possamos fazer.
Ontem se casou André, filho de Roseli, minha prima mais velha e a melhor e mais pura alma que eu conheço nesta terra, e de Hermes, não o Deus grego, mais o marido dela que já foi muito bonito como um deus-grego e que hoje é como Sherek: o ogro mais doce que conheço. Por afinidade e ou amor, não sei bem, nossas vidas sempre estiveram muito próximas desde que comecei a ser gente. Nasci, há muitíssimos anos atrás, quando os dois ainda adolescentes começaram a namorar e, como minha mãe ficou na casa de sua irmã Luly (minha querida madrinha) depois que saiu comigo do hospital, lá estava eu no meio dos dois a atrapalhar o namoro deles ainda bem pequenininha.
Quando meu irmão nasceu, quase três anos depois, lá estava eu novamente, grudada a eles como se fosse um carrapato terrível, querendo dormir apenas no colo do namorado de minha prima, minha primeira paixão de menina. Oito ou nove anos depois nasceram os filhos de Roseli e Hermes, Daniel e André e, então, foi a minha vez de brincar com os pequeninos. Foram muitas as férias juntos, os dias na praia, as vezes que os peguei no colo, e muitas, mas muitas risadas mesmo que demos juntos. E ontem, vendo meu primo André casar-se com uma linda e sorridente mulher, com seu irmão Daniel e sua esposa no altar a carregar Eva, a neta da minha prima anjo e seu marido que, um dia, foi o meu colo preferido, deu-me aquele aperto no coração que dá quando vemos o futuro chegando.
Revi pessoas que sempre fizeram parte da minha vida e que hoje encontro com uma freqüência menor do que eu deveria fazer e ouvi, mais uma vez, a Roseli e o Hermes me chamarem de Teca, como só eles fazem desde que eu me entendo por gente, e isso me deu uma saudade enorme. Senti saudade da infância e de momentos que já não existem mais vendo todos aqueles anos passados voltarem de repente. Que vontade de comer mais uma vez os bolinhos de minha avó Luiza, de ver meu tio Miguel a mexer em suas plantinhas e de ouvir meu avô Luiz a reclamar que estamos fazendo bagunça demais. Senti falta das tardes andando de bicicleta com meu irmão e nossos primos, dos jogos de vôlei em família, das festas de ano novo com quase cem pessoas e de ver o sol se pôr ainda dentro do mar porque não havia pressa alguma para voltar para casa.
 E Hoje, queria ter outra vez as nossas férias de verão com a família inteira, um bando barulhento e, às vezes, meio brigão como deve ser toda família. Queria abraçar e beijar a todos mais uma vez como se o tempo e a distância não tivessem levado ninguém. Mas a vida não é assim. Ontem se casou André e, com certeza, este é um sinal de que nova vida vem por aí e que tudo começará mais uma vez. Que seja sempre assim!
Boa semana e um abraço bem forte e um beijo doce para todos.
Mari (a Teca)

Mi Buenos Aires

Buenos Aires 2011 - Foto sacada por mí
El Subte 2011 - foto sacada por mí

Espero que nunca te calles

quarta-feira, 1 de junho de 2011

terça-feira, 31 de maio de 2011

Inverno outra vez...


Carlos
se você fosse o Drummond
não seria o meu Carlos
fosse você o Drummond
não estaria a doer-me o miúdo no peito
se o Drummond fosse você
sentar-me-ia a teu lado em frente ao mar
o mar do Rio de Janeiro.
Azul, eu sou.
Tristeza pequena e quieta,
Escondida no canto do olho,
Depois que descobri que tudo tem fim.
Inverno
Nada ouço além de um músculo dentro do peito
Não há canções, não há paixões nem sofrimento verdadeiro
Fiz-me mente e realidade
Alma trancada, perdida a chave
Há beijos sem amor, há os filhos que não tenho
Sempre agarrados aos meus cabelos.
Lágrimas solitárias e preguiçosas
Silenciosamente chegam sem que as vejam
Talvez eu seja como todos, e queira exatamente o que
Não tenho, por capricho
Fazendo de conta que não fui eu que escolhi meu caminho.
Fiz-me forte, fiz-me ilha
Que vê os barcos passarem ao longe
E o sol se pôr a milhas
Escondo-me atrás de mim
Fingindo sempre acreditar no que digo a toda gente:
Sou assim

domingo, 29 de maio de 2011

Música dentro da gente

Archie Shepp - american musician

            

Noite mais fria do ano ontem em Sampa, de acordo com os minguados 13°C que os termômetros nas ruas mostravam antes das 8 da noite, nos lembrando enquanto caminhávamos do carro para o teatro que o inverno chegará aqui muito em breve.  Noite boa para o vinho com amigos e a música que nos aguardava. Programa perfeito. E, apesar do frio lá fora, ontem foi uma das noites mais quentes dentro do teatro, pois nele tocava o saxofonista Archie Shepp com músicos tão fantásticos quanto ele, Darryl Hall (contrabaixo), Tom McClung (piano) e Steve McCraven (bateria) numa das últimas apresentações do Jazz na Fábrica que aconteceu durante todo o mês no Sesc Pompéia.
Depois de quase um mês de espera, ingressos na mão e grande expectativa de minha parte, finalmente estávamos lá. E, por mais que eu já gostasse do som feito por este senhor americano, lenda do Jazz e da cultura de seu país, nada do que já ouvira dele antes pode ser comparado ao som produzido ao vivo.  Logo de cara o som do quarteto encheu o teatro e aqueceu nossos corpos de forma inigualável, tomando todo o espaço, vibrando tanto fora quanto dentro de nós que estávamos lá pasmos com o que ouvíamos: um som orgânico e vivo. Uma força imensa produzida por homens cheios de talento e experiência, uma música que, como o bom vinho ou whisky, demora anos para ser amadurecida,e que tem um gosto único.
Realmente não posso deixar de pensar que os anos fizeram, e fazem, muito bem à estes músicos de gestos naturais, (hora suaves e mansos e em outros momentos rápidos, fortes e decididos),  que produziram com seus instrumentos uma sonoridade tão cativante que me marcará pela vida toda. Esta foi uma noite que não esquecerei certamente e da qual já sinto saudade. O Sr. Shepp, devido aos anos que se somam desde o seu nascimento em 1937, já caminha com certa dificuldade, contudo, a música por ele feita não deixa rastro de que os anos tenham deteriorado sua arte, mas sim o inverso disto. A música, deste sábado frio, tinha tanta vida e densidade que pôde mesmo ser sentida na pele, e sob ela também.
Infelizmente nada nesta vida é eterno, nem mesmo os homens talentosos, (mitos modernos que influenciaram a cultura e a sociedade) e, provavelmente não terei muitas outras chances de presenciar esta música ao vivo novamente. Só me resta agradecer a vida esta oportunidade de ter ouvido de corpo inteiro o Jazz feito pelo Sr. Archie Shepp e seus músicos na companhia de  amigos queridos e de ter sentido calor num dia tão frio. Uma das melhores coisas da vida é, sem dúvida, compartilhar o que temos de melhor.

Um abraço quente e um grande beijo, para esta semana que começa com temperaturas bem pequenas.
Boa semana =)
Mari