segunda-feira, 22 de abril de 2013

sábado, 20 de abril de 2013

As idades da vida




Há determinadas fases da vida que são difíceis, se não todas, porque assim que chegamos a elas não estamos lá bem adaptados ao fato. E nos sentimos desconfortáveis, vez ou outra, como se usássemos uma roupa que necessita de acertos para cair-nos bem. E fica-nos a sensação de que ainda somos quem éramos há anos atrás apesar das pessoas esperarem que tenhamos um comportamento completamente diferente. De repente somos adultos, responsáveis, e certas bobagens parecem, aos olhos alheios, não fazerem mais parte do nosso “metier”.  E eu penso: como não?

Por estes dias, dias passados com Lucas e seus quase treze anos, salta-me aos olhos esta luta de todo ser humano neste processo de adaptar-se a esta nova versão do seu eu. Vê-lo neste meio termo, numa mescla de criança crescida com adulto que um dia virá a ser, faz-me lembrar de que eu também ando as voltas com uma fase a meio caminho de um lugar ainda desconhecido. Ele será um homem em 10 anos e eu terei que assumir que a meia idade será uma realidade sólida e real. E, apesar destes fatos, sei que ambos, nós dois, ainda sentiremos que muito de quem fomos ainda estará por cá mesmo que o espelho mostre que estamos, verdadeiramente, diferentes.

Claro que, em alguns momentos, dá-nos uma vontade louca de segurar o tempo pelo rabo e puxá-lo para trás. Vontade de termos uma segunda chance para não deixarmos escapar pelos dedos aqueles que amamos demais, vontade de ver nossos meninos ainda pequenos a caber no nosso colo e a nos amar apaixonadamente e sem restrições. Mas não há como voltar atrás. E a verdade é que, se pensarmos bem, não queremos abrir mão de tudo e todos que hoje fazem parte de nossa vida para voltar no tempo. Não mesmo. Estamos, então, fadados a uma saudade quentinha do que já foi, dos que já foram.

Sobra-nos a vontade curiosa de um futuro que estamos construindo agora. Pois, a vida nunca será fácil de ser vivida, mas, e sem sombra alguma de dúvida, ela é muito boa, interessante e divertida; mesmo que, às vezes, ela nos assuste pra valer.

Um beijo a todos que fizeram, fazem e sempre irão fazer parte da minha vida: meus amigos e minha família.




sexta-feira, 19 de abril de 2013

terça-feira, 16 de abril de 2013

Sem você




Os poemas andam a versar sobre tudo e
sobre o nada.
Apenas não há mais poesia alguma sobre você,
nenhuma palavra.
Hoje eles falam daquilo que está calado,
do oco que se sente quando descobre-se
que a alma fugiu de dentro da gente;
andorinha apressada pelo chegar de
outra estação.
E fito a vida a passar feito árvore sem folhas
num outono com duração eterna.
Não há mais flores, borboletas e os frutos
que se enxerga quando vivemos em verão. Não.
Sobrou-me o meu branco desbotado sem a tua cor
de terra, de canela.
Sobrou-me o inverno que chega sem perdão.
Não há mais poesia. Ela mingua de frio
num silêncio pacífico e vazio
de eternos dias sem você, enquanto
a vida se descolore.


segunda-feira, 15 de abril de 2013

sábado, 13 de abril de 2013

No Mundo de Dona Maroca




Ando a sentir-me personagem de folhetim, daqueles que ficam à janela vendo a vida alheia passar por achar que nada, mas nada mesmo neste mundo é mais importante que saber o que se passa entre as quatro paredes de outrem. E assim me imiscuo ao que a mim não me pertence, ao que não me diz respeito hoje e nunca o dirá, não por vontade própria, mas porque, tal como qualquer personagem, tenho minha vontade sobrepujada à vontade de meu autor bufão e tropical, o meu Brasil.

Pois que neste meu país, apesar de todos os pesares, de todos os problemas e questões tão importantes que nos afligem a cada dia, o que parece ser importante por estes dias e invade-me olhos e ouvidos, massivamente, é o fato de Daniela Mercury estar a dividir a cama com outra mulher. E fica a impressão que não nos interessa mais que haja ou não gente que mal come em nossas terras, que uma corja escolhida a dedo comande este nosso país, que tenhamos um dos piores níveis de educação e saúde dos países em desenvolvimento. E, por encanto, esquece-se que temos uma das mais injustas distribuições de renda do mundo nesta pátria rica de um povo, em sua maioria, muito pobre.  Nada, nadica de nada parece nos importar. Importa-nos apenas quem a fulana ou o beltrano está a foder como se isso tivesse qualquer relevância a alguém para além dos indivíduos que formam o tal casal.

E a verdade é que a mim não me interessa nem um pouco, nada mesmo, com quem a Sra. Mercury vem ou não a dormir, tanto quanto não me interessa a vida particular de quase ninguém a não ser a daqueles com quem divido a minha própria. E discute-se, como se fosse um caso de vida ou morte, se deve-se ou não ser legalizada a união civil  entre pessoas do mesmo sexo no Brasil. E eu pergunto: Como? Como podemos imaginar que devemos, ou podemos, nos meter na vida alheia assim? Claro que as pessoas que assim o querem devem poder casar-se com quem elas bem entendam. Amor é amor e jamais, em tempo algum nesta terra, será algo feio ou imoral. Duas pessoas adultas a querer dividir a vida para serem mais que amigas, para serem companheiras e cúmplices nos momentos em que mais se precisa é algo que deve ser legal em todos os sentidos que a palavra possa ter. Sim, isso é mais que legal, é algo muito bonito de se ver.

Talvez ande a faltar vida na vida de muita gente que, por falta de interesse na sua própria, procura interessar-se pela vida alheia. E isso, na arraia-miúda não chega a prejudicar quase ninguém, e faz mesmo é cansar a paciência dos ouvidos de quem compartilha tais redondezas. Mas esse não pode ser o assunto mais importante de uma nação. Uma nação e seus cidadãos devem preocupar-se, antes de tudo, com a liberdade de todas as gentes sem distinção de credo, cor, gênero, opção sexual e/ou qualquer outro detalhe que resolvamos ressaltar. O que significa que todos nós temos os mesmos direitos e deveres sempre, e quanto a isso não deveria haver sequer qualquer discussão.

Uma nação e os seus cidadãos deveriam preocupar-se em lutar pelo bem comum, por aquilo que afeta-nos diariamente e que poderia tornar a vida melhor e mais fácil para aqueles que têm menos possibilidades e poderes nas mãos. Falta-nos, isso sim, preocuparmos e lutarmos mais por aquilo que realmente importa: por uma sociedade mais justa e leal para cada um de nós.