quinta-feira, 20 de setembro de 2018
segunda-feira, 17 de setembro de 2018
Entretenimento? - Música Universalmente Individual
Música Universalmente Individual
Entretenimento?,
o novo disco do Senhor Carlos Nobre, a.k.a Carlão, nasceu no último dia 14 ainda
antes de o dia amanhecer. Boa música veio ao mundo neste data para a alegria
dos ouvidos de muitos e para o completo deleite dos meus olhinhos que, depois
de tantos anos, (quase 10 deles!), continuam a encantar-se profundamente com as
letras e as palavras deste tuga que a mim me fez apaixonar-me pela música lusa
e pelo país que, até então, não figurava no mapa do meu mundo particular.
Sem poder ser imparcial, pois que a imparcialidade não será jamais companheira da paixão,
Entretenimento? traz consigo o melhor do gênero e cumpre com esmero as funções
da arte: catarse com direito a reflexão existencial e divertimento num só
pacote. Pois, Entretenimento?, assim agarrado a um ponto de interrogação, nos
encara de frente a questionar-nos sobre a frivolidade da existência humana
moderna. Afinal, tudo vale a pena se, e apenas se, a alma não for pequena, não?
Muito para além
do Bojador, Carlão definitivamente lançou-se ao mar e ao mundo no novo disco. Muito
menos introspectivo, renascido depois do mergulho em seu mundo particular nos
Algodões e da reflexão sobre si próprio em Quarenta, neste disco, apesar de sua
escrita refletir essencialmente o homem Carlos, vemos que ele anda a olhar para
mais além no horizonte.
Carlão
definitivamente mostra que não é um MC, e sim um inteligente e poético representante
da música popular portuguesa moderna. Um artista a ressaltar as qualidades
únicas de tudo que nasce de misturas e por isso faz-se único, afinal o que é
mestiço é diferente do “normal”, sobressai no e do meio e mostra-se impossível
de copiar.
Sendo assim, em
Entretenimento? encontramos toques de Bossa Nova, reflexos do Fado, dicas de Hip-Hop,
música eletrônica e tudo aquilo que o Seu Carlos sentiu fazer sentido cantar. No
dia 14 de Setembro nasceu uma obra única e que está cá fora para ser ouvida com
atenção. Eu de minha parte elegi as minhas favoritas: Entretenimento - Cerejas,
Só isso – Repetido – Bebe um Copo – Na Margem - Foge de Mim, (nesta ordem). Mas essa é uma
seleção minha, mui particular e não vale para os outros o que para mim valerá,
afinal no mundo musical universalmente particular de Carlão cada um tem o
direito de criar um país só seu.
quarta-feira, 12 de setembro de 2018
Jogo sem Rima
Jogo sem Rima
Leio poesia enquanto assisto
Silenciosa
a uma partida de futebol.
Nenhum gol no horizonte e nenhuma emoção mais forte nas
letras,
melhor assim;
que assim seja!
Enquanto a vista direita deita-se na página - preto no
branco dançando,
o olho esquerdo esforça-se para acompanhar a bola,
Maltratada,
a correr com sofreguidão pelo gramado verde.
Resta pouca poesia no futebol nos campos da minha terra,
falta-nos vocabulário e graça,
e sem ritmo e rima,
minguada, suspira sem fôlego a ginga.
Sobra, então,
para a completa tristeza do olho esquerdo,
um atropelamento de palavras que nada comunicam.
Passes infrutíferos,
dezenas de cruzamentos mudos
e a minha defesa a gritar em alto e bom tom: aqui não!
Como começou tudo termina e o placar embalado pela ode à inércia
Cochila.
O meu time venceu.
domingo, 9 de setembro de 2018
#Demasia
Compra caro e mostra tudo,
é Natal e entrudo
tou-te a ver por um canudo
Não me iludo, e contudo
se eu assisto ao desfile
não me fecho nesse deal
como um cão no canil
O rei vai nu
Diz-me tu
que vudu
faz que um homem fique cego
Diz-me tu
quem és tu
Gabiru
que em vez da vida
muda o espelho
Morre novo
e mata o velho
Sem um credo
ou evangelho
bicos de pés
sempre a ver se estás
bonito na fotografia
Tanta pose todo o dia
cheira-me a posologia
#demasia
É tudo imagem, ideia e conceito
até encenas a falha, o aparente defeito
A prever o efeito
em cada gesto proveito
Admiro o teu jeito
espontâneo nem o trejeito
O mundo gira e tu atrás
Sempre a ver se se estás
Bonito na fotografia
Toda a hora todo o dia
#demasia
Cirurgia plástica 24 por 7
direto na net
aquele act no react
Entretenimento é rei
E todos prestam vassalagem
Quem morreu eu não sei
Mas gostei da homenagem
A namorada é influência contratada
a namorada é influência bem tratada
Unboxing de vaidades
entre celebridades,
vê-me esse feed!
“Oh meu deus somos duas metades”
Não, são duas beldades:
o mesmo lado da moeda,
o mesmo dedo, a mesma merda,
o mesmo vírus que leveda
Um dia acaba-te essa mama,
és pouco mais que um holograma
preso na fama que enreda
Se vais com Deus no comando
e ele é pai não é padrasto
Vê se ampara a tua queda
Só que a ti ninguém arreda...
Tira só selfie com o dreada ; )
O mundo gira e tu atrás
Sempre a ver se se estás
Bonito na fotografia
Toda a hora todo o dia
#demasia
quinta-feira, 6 de setembro de 2018
quarta-feira, 5 de setembro de 2018
Com vergonha de tudo e mais um pouco
Com vergonha
de tudo e mais um pouco
Ando cidadã
cabisbaixa, com vergonha minha, e nada alheia, de tudo que se passa na minha
mui amada Terra Brasilis; meu noutros-tempos-porto-seguro. Pois, minha
Pindorama, berço de gente sem muitos modos e detentora de todo o respeito por tudo
que tem sentido profundo nesta vida e vale a pena, apesar de não valer muitos
dinheiros, tem sofrido por demais em nossas mãos.
Feito cachorro
louco, andamos alienados a tentar morder o próprio rabo e damos milhares de
passos sem sair do lugar. Mergulhados numa crise gestada por nós mesmos, pela
nossa maldita e crônica falta de compreensão do que vem a ser cidadania e
sociedade e do quão fundamental elas são, temos visto a qualidade da existência
em nosso país dar marcha à ré. Retrocedemos, à la Martin Macfly sem saber que
isso era possível, para um passado mais injusto.
Pois, de futuro
incerto e ameaçado, nos sentíamos um tanto desgovernados. Contudo, depois do
último domingo, estamos a nos sentir total, completa e irrestritamente
abandonados e à deriva num mundo desconhecido. Já sem futuro, aprendemos depois
do incêndio absurdo e irresponsável no Museu Nacional no Rio de Janeiro que
estamos a perder o nosso passado. E eu, como grande parte dos brasileiros, sinto-me
enlutada a observar o desaparecimento do que chamo de minha nação.
Todas as obras
de arte, artefatos, o conhecimento e a História perdidos no último domingo
formavam parte do que somos nós desde sempre; desde antes de nos sabermos como
brasileiros. No dia 03 de setembro de 2018 grande parte de nós foi apagada deste
mundo sem possibilidades de volta não por falta de dinheiro como parece-nos num
primeiro momento, e sim pelo descaso e pela falta de caráter de um povo e seus
líderes que não dão qualquer importância à sua cultura e história.
Eu, de minha parte,
sinto-me órfã como se meu país tivesse sumido do mapa e, definitivamente envergonhada
de ser brasileira; a Candelária, Eldorado dos Carajás, Mariana, o Museu
Nacional, a violência que nos mata todo santo dia...
sábado, 1 de setembro de 2018
mudo
mudo
Saíram em disparada, boiada em desespero,
escapando-me pelos dedos
todas as palavras.
Restaram poucas letras que não chegam
a poder
ou a querer
dizer coisa alguma que à pena
valha.
Esconderam-se as opiniões,
faleceram melancólicos os infinitos
e teimosos comentários,
empalideceu
todo e qualquer recado cheio de sentimentos
tresloucados
que um dia respirou demoradamente
dentro de mim.
De pouca ou nenhuma serventia mostram-se
os dedos mudos
e a língua sem qualquer habilidade para o tato.
Hoje,
depois de tanto tempo passado
(dias, meses, anos...
uma infinidade de tempo a redigir uma Ode àquilo que um dia
poderia ser a fantasia mais
real desta vida),
emudeço
lentamente.
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