Shooting off vicious collections of words
The losers make facts by the things they have heard
And I find myself trying hard to defend them
I made decisions some right and some wrong
And I let some love go I wish wasn't gone
These things and more I wish I had not done
But I can't go back
And I don't want to
'Cause all my mistakes
They brought me to you
I have some "friends" they don't know who I am
So I write quotations around the word friends
But I have a couple that have always been there for me
And I missed some fun 'cause I worked through the dawn
Expecting your praise when I returned home
But I paid the cost 'cause I got left alone for the songs
But I can't go back
And I don't want to
'Cause all my mistakes
They brought me to you
Habituamo-nos tanto a falarmos das coisas erradas que temos aqui no Brasil que, vez ou outra, vale à pena pisar no freio e falar um pouco sobre o que temos de bom; sobre o nosso melhor. Vamos a ele então? Bem, neste último domingo fui ao cinema para ver O Palhaço, filme dirigido, estrelado e com roteiro co-escrito por Selton Mello. Sim, que o rapaz está a pensar-se um Woody Allen, um Almodóvar ou coisa que o valha, tão amplo que se mostra na película. Mas a verdade é que o filme, de, por e para os brasileiros, é mais do que bom, ele é uma sensível obra poética do princípio ao final.
Desta feita, com uma declaração assim, meus amigos devem estar a pensar: Olha que este deve ser mesmo o maior feito brasileiro na sétima arte nos últimos tempos e etc. e tal, não? Bem, lembrem apenas que sou eu a dizer-lo e, vai daí que meu gosto e desgosto devem ser levados em consideração para que vocês evitem uma decepção das grandes depois de assistir o tal filme e pensar: o que foi que ela viu aqui?
Entretanto, vi em O Palhaço algo que não se vê no cinema todo o tempo, não senhor. Selton nos traz um filme enxuto e significativo como os bons poemas de Carlos Drummond. Econômico em suas palavras e linhas, o diretor fala-nos muito mais pelo que não é dito, mas pode ser sentido e visto nas entrelinhas que são desenhadas à medida que a trama se desenrola diante de nossos olhos. Em O Palhaço, mais do que os diálogos, são os silêncios que nos têm algo a dizer.
Em meio a todos estes silêncios e a figura do palhaço tão melancólico e perdido, um solitário Benjamin remete-nos a Carlitos, o Carlos Chaplin que, tão palhaço como ele, foi um gênio na arte de mostrar-nos uma enchente de sentimentos e sensações sem precisar de uma única palavra sequer. E, tal como nos filmes de Carlitos, os olhos em O Palhaço são marcantes e nos contam contos muito para além do que dão conta as palavras.
Por isso, não esperem deste filme momentos grandiloqüentes e dramáticos ou muita ação, não. Há nele o drama, a graça, o estranhamento e a beleza, contudo, isso tudo nos é dado de forma delicada e simples e, justamente neste fato é que reside toda sua genialidade: o belo que há na simplicidade, basta-nos termos olhos e coração bem abertos para ver.
Este é sim um convite para o cinema. Bom filme meus amigos!
Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar? Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
e o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia? Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina. Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor. Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.