sábado, 15 de dezembro de 2018
domingo, 9 de dezembro de 2018
Se Eu Fosse Eu
Quando eu não sei onde guardei um
papel importante e a procura revela-se inútil, pergunto-me: se eu fosse eu e
tivesse um papel importante para guardar, que lugar escolheria? Às vezes dá
certo. Mas muitas vezes fico tão pressionada pela frase "se eu fosse eu",
que a procura do papel se torna secundária, e começo a pensar, diria melhor
SENTIR.
E não me sinto bem. Experimente:
se você fosse você, como seria e o que faria? Logo de início se sente um
constrangimento: a mentira em que nos acomodamos acabou de ser movida do lugar
onde se acomodara. No entanto já li biografias de pessoas que de repente
passavam a ser elas mesmas e mudavam inteiramente de vida.
Acho que se eu fosse realmente
eu, os amigos não me cumprimentariam na rua, porque até minha fisionomia teria
mudado. Como? Não sei.
Metade das coisas que eu faria se
eu fosse eu, não posso contar. Acho por exemplo, que por um certo motivo eu
terminaria presa na cadeia. E se eu fosse eu daria tudo que é meu e confiaria o
futuro ao futuro.
"Se eu fosse eu" parece
representar o nosso maior perigo de viver, parece a entrada nova no
desconhecido.
No entanto tenho a intuição de
que, passadas as primeiras chamadas loucuras da festa que seria, teriamos enfim
a experiência do mundo. Bem sei, experimentaríamos emfim em pleno a dor do
mundo. E a nossa dor aquela que aprendemos a não sentir. Mas também seríamos
por vezes tomados de um êxtase de alegria pura e legítima que mal posso
adivinhar. Não, acho que já estou de algum modo adivinhando, porque me senti
sorrindo e também senti uma espécie de pudor que se tem diante do que é grande
demais
terça-feira, 4 de dezembro de 2018
segunda-feira, 3 de dezembro de 2018
TU
Tu
Tulipa Ruiz
Tu
Tudo não passa de um ponto de vista
Toda pessoa que fala e que pisca
Quando o sujeito tá ali
Mesmo no outro você é capaz de sentir
Tu
Quando a gente - tá na diferença
E o diferente não faz diferença
Quando é possível sortir
Tu é total tentativa de coexistir
Tu
Sempre que pinta na história você
E também é tudo que você vê
A gente pode assumir
Tu é o outro do outro que ainda vai vir
Tu
Tania Tais Turmalina Tatu
Tati Tetê Terezinha Tabu
Dorothy Amora Dercy
Tu é palavra importante pra gente aplaudir
Tu é palavra importante pra gente aplaudir
Mesmo no outro você é capaz de sentir
Tu é total tentativa de coexistir
Tu é o outro do outro que ainda vai vir
Tu
domingo, 2 de dezembro de 2018
Dezembro - bye bye 2018
Dezembro - bye bye 2018
2018 não foi um
ano fácil, não senhor. Não foi o pior dos anos para mim, e sobre isso tenho toda
a certeza do mundo também. 2015 foi o ano mais difícil da minha vida até o
momento, apesar de ser o ano do nascimento da minha Vitória e dela ser uma alegria
imensa nessa vida. Ela é um azougue de menina pequenina. Amo-a, como amo a
todos os meus miúdos: de forma única e com igual intensidade.
Porém, o fato é
que em 2015 perdi mais do que deveria ter perdido; mais do que qualquer um
deveria perder. Mima foi embora e eu, finalmente e depois de muita teimosia,
aceitei que o amor desta vida ficaria para uma outra. Agora é rezar para que
isso de reencarnação realmente seja um fato quando chegar minha vez. Sinto muito
saudade dos dois, de nossas conversas e da intensidade dos sentimentos que eles
traziam para mim. Bom, eu topo pagar para ver quando for o tempo certo sem
qualquer medo, apenas curiosidade.
Apesar de não ter
sido o ano mais difícil de todos, 2018 tem sido deveras atribulado, cheio de
curvas; um senhor dono de altos e baixos surpreendentes. Um ano à la montanha-russa
que tem me desafiado e me estressado com todas as suas novidades, com toda a
mudança que aconteceu na minha vida, na vida da família e dos amigos, no meu
país.
Inesperadamente
2018 provou ser um ano mais longo do que o normal e, pelas minhas contas, deve
estar a durar uns 437 dias com direito a poucos domingos e feriados. Por isso,
sem arrependimentos, alegro-me com a chegada de dezembro; mesmo sabendo que o
tal do 2019 não será mar de águas tranquilas.
O fato é que
creio piamente que o próximo ano será um importante passo para frente para
todos nós. E espero que sigamos por ele de maneira mais firme e sem muito
atropelo. Assim, para variar um pouco, nada de presentes comuns para mim este
ano. Já me adiantei e pedi ao Papai Noel um bom bocado de sossego e bons vinhos
para os dias intranquilos. Que o Natal chegue!
sexta-feira, 30 de novembro de 2018
Silêncio
SiLêNCio
O silêncio invadiu estrondosamente o espaço
ao qual eu chamo
universo
azul e plácido ele reina
e me olha de soslaio enquanto costuro os retalhos
do que fui
não sou mais
não sei mais ser eu mesma e, em silêncio,
me desconheço
te desconheço
e a passos lentos começo reconhecer
a conhecer essa que não sou eu
mas quem, em pouco tempo,
eu serei
invade-me o azul silêncio
oceano
oco
terça-feira, 20 de novembro de 2018
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