sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Three little birds




Three Little Birds
Bob Marley


Don't worry about a thing
'Cause every little thing gonna be all right
Don't worry about a thing
'Cause every little thing gonna be all right

Rise up this mornin'
Smiled with the risin' sun
Three little birds
Pitch by my doorstep
Singin' sweet songs
Of melodies pure and true
Sayin', ("This is my message to you-ou-ou:)

Don't worry 'bout a thing
'Cause every little thing gonna be all right
Don't worry (don't worry) 'bout a thing
'Cause every little thing gonna be all right

Rise up this mornin'
Smiled with the risin' sun
Three little birds
Pitch by my doorstep
Singin' sweet songs
Of melodies pure and true
Sayin', "This is my message to you-ou-ou

Don't worry about a thing, worry about a thing
Every little thing gonna be all right. Don't worry
Don't worry about a thing" - I won't worry
'Cause every little thing gonna be all right

Don't worry about a thing,
'Cause every little thing gonna be all right" - I won't worry!
Don't worry about a thing,
'Cause every little thing gonna be all right"

Don't worry about a thing, oh no!

A voz de Gil e as palavras de Bob, pra começar o fim de semana bem.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

O adeus do Deus das Curvas


as curvas já existiam
mas dá-nos a impressão de que Seu Oscar as criara, que ele era dono delas
o concreto e o aço curvaram-se por ele
nós nos curvamos também
maravilhados pelo movimento, pela cadência e a malemolência
que criou a beleza pelos caminhos de todo
brasileiro




"Não é o ângulo reto que me atrai.
Nem a linha reta, dura, inflexível, criada pelo homem.
O que me atrai é a linha curva livre e sensual.
A curva que encontro nas montanhas do meu país, no curso sinuoso de seus rios,
nas ondas das mornas nuvens do céu, na curva da mulher preferida.
De curvas é feito todo o universo.
O universo curvo de Einstein."

                                                 Oscar Niemeyer



Hoje o Deus das curvas ganhou asas. 
Até logo Sr. Oscar Niemeyer
05.12.12

míngua... a minguar... à míngua




Vem minguando a poesia
Desacreditada, apesar de escrita,
ela míngua na vida.
Uma vida branca e fria, assustada e covarde
a esconder-se atrás do silêncio, de meias palavras,
de saias e laços de menina.
A covardia de Fernando. A covardia de que tanto Fernando dizia,
mostra a sua cara pálida de cera.
Com o medo da dor (ele olha os sentimentos de soslaio)
com o medo do medo que o medo dá.
O poeta não finge sentir a dor que deveras sente. Apenas finge
sem a coragem para o sentir;  apenas mente.
E à míngua, a poesia conta a minguar seus últimos dias.
Ela míngua.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

a minha doença...



... uma paixão eterna. Vai Corinthians!

boa noite décio






Eupoema

O lugar onde eu nasci nasceu-me
num interstício de marfim,
entre a clareza do início
e a celeuma do fim.

Eu jamais soube ler: meu olhar
de errata a penas deslinda as feias
fauces dos grifos e se refrata:
onde se lê leia-se.

Eu não sou quem escreve,
mas sim o que escrevo:
Algures Alguém
são ecos do enlevo.



Décio Pignatari

02.12.12 (até 1 dia)


domingo, 2 de dezembro de 2012

Você Não Entendeu Nada




Você Não Entendeu Nada
Badi Assad

Você não entendeu nada
Minha língua não liquidifica
Minhas mãos não centrifugam
Minhas águas não inundam
Você não entendeu nada
Minha fome é muito mais que carne...
É algo além no dentro que se abre
E me invade de infinito
Você cala e eu grito,
Você deita e eu levito,
Você nega e eu acredito,
Nós, os laços e os nós
Eu a vida e o vinho, a sós
Nós, os laços e os nós
Eu a vida e o vinho, a sós
Você não entendeu nada
No retrovisor das palavras
Na direção dos meus navios
Na intenção dos meus sorrisos
Pois eu não lhe pedi nada (nada, nada)
Que não pudesses me dar
Vou te contar beijos se podem dividir
Neste mundo de linguagens
Você côncavo e eu convexo,
Você rima e eu verso,
Você fica e eu atravesso
Nós, os laços e os nós
Eu a vida e o vinho, a sós
Você côncavo e eu convexo,
Você rima e eu verso,
Você fica e eu atravesso
Nós, os laços e os nós
Eu a vida e o vinho, a sós
Nós, os laços e os nós
Eu a vida e o vinho, a sós


Badi dizendo lindamente aquilo que diz muito de mim e de ti. 
Pa' ti mi negro.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Inverno (eterno)




1.
Cá estou. Sentado.
Jogado a um canto displicentemente feito um saco de areia.
Estou úmido e apodreço por fora como já ocorrera por dentro
Talvez ainda falte para alguém, talvez não.
Mas a questão é que não importa. Como pode importar
quando e se romperá um saco de areia molhado e inútil?
Padeço, como padecem todos os débeis e tolos, da necessidade do outro.
Não me basto. E desta maneira me arrasto há anos numa fingida felicidade
normal que não existe. Não sou feliz e agora me sinto extenuado.
Não quero mais arrastar minha umidade pegajosa pelas ruas e deixar este rastro
invisível e piegas.
Não sei o porquê de tudo que fiz até chegar aqui. Não sei porque estou aqui. Não sei.
E por não saber, deixo-me.
Abandono-me querendo apenas que todos se esqueçam de mim,
de quem sou. Para que, em paz, eu possa me esquecer aqui.
Um roto saco úmido de areia.


2.
Queria ser outro, qualquer outro,
alguém que não fosse eu
Queria poder ser outro. Já o tentei
Mas rompeu-se a casca
e agora não há mais como escapar de mim mesma
Não há mais como esconder-me  e ando
com a carne exposta a mostrar
o erro que sou. E tenho plena consciência de todo o erro, de quão errada eu sou
Mas ainda assim, esta sou eu: Um erro desde e para todo o sempre

3.
amo meus óculos escuros
porque eles escurecem meus olhos do mundo
meus olhos se escondem, apagam-se as cores
e o azul tão lindo do céu que não me pertence
fica um pouco mais distante do meu mundo sem cores
por trás dos óculos escuros
que os meus olhos escodem