domingo, 24 de março de 2019

2019: O Ano mais triste de todos?!




Elucubrações das Minhocas que Moram na Minha Cabeça

2019: O Ano mais triste de todos?!

Por algum motivo incompreendido em sua completude pela minha cachola, decidi n’algum dia deste ano não falar das desgraceiras que nos assolavam. (Eita ano movimentado esse!) Verdade que trisquei no assunto aqui e acolá nas minhas queridas linhas-nada-bem-traçadas. Porém, nada de escrever com foco único sobre as tragédias de modo piegas e pouco racional. Feito princesa na torre, ando um tanto adormecida para o mundo. Acho que é o tal ano sabático, e estou a tirar férias de mim mesma.

Contudo, a insistência da repetição de fatos de quebrar o coração atiçaram a sanha preguiçosa das minhas minhocas a meados do mês de Março e não me foi mais possível segurar: sinto-me psicológica e fisicamente assolada por esse trem de fatos pesarosos. Sendo assim, 2019 ganhou, para mim, em poucos meses, o título de ano mais triste de todos os tempos. 

Brumadinho em lama, aviões a cair, a cidade onde cresci debaixo d’água e antigos companheiros de escola a perder tudo, tiros disparados por uma criança numa escola a matar outras crianças numa cidade aqui ao lado, tiros numa mesquita do outro lado do Mundo; Moçambique, Zimbábue e Malaui alagados e um tanto esquecidos pelos homens virando um mar de lágrimas... O que mais teremos que ver neste ano d’olhos afogados por tanta tristeza?

A verdade é que espero não ouvir mais notícia alguma em 2019 porque para mim já atingimos a cota de fatos ruins com os quais podemos lidar no espaço de 12 meses sem cair em profunda depressão. E não importa se a tal coisa ruim acontece numa rua na qual andei de bicicleta na infância ou num país onde jamais pisarei. O sofrimento de outras pessoas, de outros povos, dói também no peito da gente porque neles nos vemos sempre. Somos feitos da mesma força que nos faz continuar apesar da fragilidade de nossa existência.

Sei que muita gente sofre e morre todo santo dia sem que ninguém saiba porque a vida ou a morte desses não chegou a ser tão interessante assim para sair nos jornais. Sim, há aqueles que sofrem e morrem feito passarinho a piar tão baixinho que nunca são ouvidos. E isso será muito mais cruel do que qualquer sucessão de tragédias narradas nos jornais depois do jantar. Então, mais do que não ouvir nenhuma notícia ruim, peço a Deus uma trégua para o resto desse ano que já viu mortes demais. Uns meses em que a maldade e os desastres, em momento sabático, se esqueçam de nós e tirem férias da nossa Terra.

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