segunda-feira, 27 de junho de 2011

Dias Cinzas


Dias cinzas sem nenhum fino raio de sol
Têm estado aqui,
morando no meu quintal.
Há flores, pássaros e frutos,
mas a luz não vem.
E eu,
que preciso do calor para viver,
estou como as folhas,
a morrer.
Morrer de saudade da claridade,
da  luminosidade,
da vida que o teu som me dá.
Estou tão pálida por fora
como por dentro e já nem sinto
direito
se realmente bate o coração cá no peito.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

El café

 

Científica, lógica y fría
así como se fuera una
blanca y inodora nevera
me pongo a creer
que no existen más
acá los sentimientos
que un día, hace mucho tiempo,
tuve yo por ti
pero, toda la certeza sólo
se queda conmigo hasta que la taza
de café con  todo su olor y sabor
llegue a la mesa
el café llega fuerte y caliente
entonces, como he hecho
millones de veces
me acuerdo de tu cuerpo,
de tus ojos y de tu pelo
me vuelven todos los
buenos y los malos sentimientos
que todavía pienso cuando siento:
cómo mis manos extrañan  tu
barba de pelos negros
como el café fuerte  y amargo que bebo.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Definitivamente Inverno

É uma pena que neste mundo
haja muito mais asfalto que sentimentos.
Poderia viver dez vezes pisando em terra batida
mas, sem os sentimentos  não haveria nada
pra eu chamar de vida.


Quero a verdade clara,
sempre,
mesmo que ela venha
suja
                     feia
e doa profundamente.
É uma pena, que na maioria
das vezes, das pessoas eu receba
o silêncio
e perceba nas entrelinhas
 as mentiras
de meias palavras que não precisariam
ser ditas.

domingo, 19 de junho de 2011

A Terra dos Cínicos e dos Parvos


No ano passado, depois de uma pesquisa feita ao redor de nosso mundo, que já não é tão “grandes coisas” assim, os brasileiros foram eleitos o povo mais simpático do planeta. E isso, na época, me fez sentir até um calorzinho cá dentro do peito, afinal isto de ser simpático é algo bom de ser, não? Realmente não podemos negar que somos um povo alegre e receptivo, de conversa fácil e amigável,  e que basta-nos alguns minutos para que nos tornemos íntimos de todo e qualquer um. Amamos abraçar, beijar, dançar e cantar e, logo se pensa: Olha lá que povo simpático, não? O pior é que as coisas não são bem assim não.
Claro que somos simpáticos por natureza, contudo, vira e mexe, parece que nos confundimos entre a simpatia e a apatia tanto quanto entre a gentileza e o jeitinho torto que só pertence ao brasileiro. Parece haver um caminho estreito demais aqui por onde circulam o correto e o mais que duvidoso e, por isso, estes dois se confundem em nossa moral tropical.  Meio míopes ou embriagados pelo calor, seja lá o que for que nos sufoca a razão e a visão, andamos fingindo não ver o que se passa por aqui, cada qual no seu papel: cínicos e parvos, ambos a fingir que tudo está bem neste país.
Claro que ficam muito melhor os cínicos, mestres do jeitinho brasileiro e que se riem o dia inteiro; homens e mulheres que, muito mais que amorais, chegam às vias da imoralidade como algo corriqueiro e banal, afinal os fins justificam todos os meios quando a meta é o poder e o dinheiro.  Vivem sem gota de preocupação num país onde a justiça não funciona e não há oposição que preste, pois que quase todos estes já foram comprados e vivem nos bolsos daqueles. Aos cínicos não há nada a temer. Bem, nada além da justiça divina, mas esta tarda, então... Então, vemos os cínicos, à La Palocci, em entrevistas na televisão fingindo não fazerem nada de errado, com cara de santo barroco, enquanto dão explicações falsas e mirabolantes sobre o que nós, os parvos, fingimos não ver tão claramente assim.
Sim, não há o que dizer de um povo que sabe que é roubado diariamente e não faz nada mesmo assim. Muito ao contrário continuamos a pagar nossos impostos corretamente e sem atrasos bem quietinhos e caladinhos em nossas casas porque é isto que se espera de um cidadão criado tal gado com palas, como temos sido nós. Não somos bons, não senhor. Somos um bando de parvos, e dos bons! Porque não há verdade esfregada em nossa cara que nos faça reagir, isso não. Dá-nos um carro novo, uma boa casa, algum dinheiro e um passaporte para que possamos fugir vez ou outra daqui, e pronto: somos mais do que felizes assim.
A luta não faz parte de nosso vocabulário diário, onde não cabem também a indignação, a revolta, a ação ou a consciência social. Definitivamente não! Somos um povo simpático e, por tanto, cabe-nos apenas sorrir. Mesmo que este seja um sorrisinho bem do amarelo, pois é isso que a pátria espera de nós. Viva o país dos simpáticos!
Uma boa semana sem consciência pra todos nós.
 A música “A Dança dos Parvos”, da banda portuguesa “Os Dias de Raiva”, não foi feita para nós, mas veste como luva, pois parece que nossos colonizadores andam a sofrer dos mesmos males que nós. A bancarrota nos espera a todos nós. Que futuro é esse?
Dança dos Parvos
Dias de Raiva
Come, bebe,  fode.
Estica o coração, é um músculo,
Tu sabes que ele pode.
Eles dizem "fuma, bebe, fode".
Enquanto danças a Dança dos Parvos,
Porque ela sacode...
Qualquer preocupação que te perturbe o espírito,
Qualquer dúvida ou pergunta que questione o mérito
De tudo aquilo que levámos milénios
A aperfeiçoar...
A sofisticação da hipocrisia (2x)
Subliminar (2x)
A purificação da mediocridade que nos define.
Ah pois é...
A aceitação da miséria social,
Encerrada num código PIN
E se por acaso caíres no erro ou luxo de sentir e de pensar...
Vai ao médico.
Ele receita um ansiólitico.
Dez minutos, diagnosticou-te mentalmente paralítico.
Vendo bem, pr'a que é que te hás-de dar ao trabalho de pensar
Seja o que for?
Há quem o faça por ti muito mais e muito melhor.
Deixa-te estar, caga nisso, a vida são dois dias que estamos aqui!
Bebe um copo, levanta-te e sorri!
Há quem morra de fome,
Mas isso não nos toca a nós!
Por isso canta comigo a uma só voz!
Come, bebe, fode.