terça-feira, 9 de agosto de 2011

O Tempo...

 


Sem darmos conta muito clara do fato, quase como de assalto, percebemos que envelhecemos quando de nós se aproximam as quatro dezenas, os muito mal vistos 40 anos. Número que incomoda como o treze para os supersticiosos, os quarenta nos afiguram como algo difícil de engolir, seja lá quem for o dono de tantas dezenas, e enxergar alguma vantagem em ter-los nos parece impossível. Pois, muito claramente nos afiguram novos problemas: dores, rugas, certa barriga. Chegam aos bandos os cabelos brancos ou, cruelmente, eles já não são tão abundantes como dantes foram, e a gravidade torna-se nossa inimiga. Ou seja, uma total mazela da figura humana se afigura como uma previsão sombria e definitiva.
Pois, pois, quando olhamos assim, sem muita atenção, parece-nos mesmo que nenhuma vantagem há em chegar a esta idade onde não sabemos muito bem quem somos. Achega-se a dúvida de estarmos no caminho certo, de termos ou não feito o que devíamos com nossas vidas. Dá-nos, então, a vontade louca de sair pelo mundo a ver tudo aquilo que ainda não vimos, de correr atrás do tal do tempo que, a esta altura, nos parece perdido. Uma vontade louca de aproveitar os anos que agora já nos afiguram como algo finito. Eu sei.
Contudo, nestes tempos que ando a passear como quem não quer nada pelas bordas dos 40 anos, a fingir que tal assunto não é comigo, vejo que há muito que apreciar nesta maturidade confortável e bem vivida. Sei, sei quando ouvimos termos como: maduro ou conservado, nos sentimos como frutas ou pepinos. E eu lá tenho cara de picles por acaso? Não senhor. Não tenho não! E o segredo, além dos esportes, da boa alimentação e de noites boas de sono, está em saber que aquilo que devemos conservar jovem, mesmo, é a alma que nos habita. Afinal o tempo só acrescenta mais conteúdo, mais vida a esta nossa essência e, a tal da alma contém tudo, menos rugas e fadiga.
Assim, à beira desta idade abismal, sinto-me muito melhor do que me sentia quando mal passara dos vinte anos e, isto me agrada em demasia. Agora, percebo que não há mais o medo, a vergonha, o pudor e muitos dos meus preconceitos e, por isso, aproveito muito mais todo e cada momento. O riso está mais solto, os olhos mais abertos, as mãos mais curiosas e, a mente e o espírito mais receptivos a tudo que vier. Sei que o juízo ficou meio perdido, mas isso de aparências, regras tolas e barreiras, definitivamente, não são mais comigo. Quero viver, sentir e aprender. Deixar minha alma desgovernada me guiar.
Então, a todos aqueles que estão meio deprimidos com isso de a idade chegar, lembrem-se que todos nós nos sentimos assim. Afinal, isso é normal... Normal é, mas é também uma tremenda bobagem. Pois, com a idade vem a liberdade e, como ela, não há nada igual. Aproveitem para rir, chorar, ter todo o prazer, sofrer e amar. De que vale ter um coração se não for para usá-lo se sabemos que, de um jeito ou de outro, um dia ele irá parar?
Uma boa semana para todos: muitos beijos, saudades e desejos.

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Mercedes Sosa

Composição: Violeta Parra
Volver a los diecisiete después de vivir un siglo
Es como descifrar signos sin ser sabio competente,
Volver a ser de repente tan frágil como un segundo
Volver a sentir profundo como un niño frente a dios
Eso es lo que siento yo en este instante fecundo.

Se va enredando, enredando
Como en el muro la hiedra
Y va brotando, brotando
Como el musguito en la piedra
Como el musguito en la piedra, ay si, si, si.

Mi paso retrocedido cuando el de usted es avance
El arca de las alianzas ha penetrado en mi nido
Con todo su colorido se ha paseado por mis venas
Y hasta la dura cadena con que nos ata el destino
Es como un diamante fino que alumbra mi alma serena.

Se va enredando, enredando
Como en el muro la hiedra
Y va brotando, brotando
Como el musguito en la piedra
Como el musguito en la piedra, ay si, si, si.

Lo que puede el sentimiento no lo ha podido el saber
Ni el más claro proceder, ni el más ancho pensamiento
Todo lo cambia al momento cual mago condescendiente
Nos aleja dulcemente de rencores y violencias
Solo el amor con su ciencia nos vuelve tan inocentes.

Se va enredando, enredando
Como en el muro la hiedra
Y va brotando, brotando
Como el musguito en la piedra
Como el musguito en la piedra, ay si, si, si.

El amor es torbellino de pureza original
Hasta el feroz animal susurra su dulce trino
Detiene a los peregrinos, libera a los prisioneros,
El amor con sus esmeros al viejo lo vuelve niño
Y al malo sólo el cariño lo vuelve puro y sincero.

Se va enredando, enredando
Como en el muro la hiedra
Y va brotando, brotando
Como el musguito en la piedra
Como el musguito en la piedra, ay si, si, si.

De par en par la ventana se abrió como por encanto
Entró el amor con su manto como una tibia mañana
Al son de su bella diana hizo brotar el jazmín
Volando cual serafín al cielo le puso aretes
Mis años en diecisiete los convirtió el querubín.

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