segunda-feira, 5 de julho de 2021
Amo... Amei... Amarei
sexta-feira, 2 de julho de 2021
Azul
Azul
Eu quero a delicadeza imensa
desta presente ausência
silenciosa
Fala surda que sussurra na folha completamente
branca do papel
guardada na terceira gaveta do lado esquerdo
da escrivaninha
Palavras não ditas adormecem o sono leve
e morno
dos seres amados em pecado
(posso ouvi-las respirando baixinho)
Quero a teimosia da flor que nasce sozinha em meio ao
inverno
apenas pelo prazer
de poder fitar tranquilamente o céu azul mais claro
suave
frágil e delicado
sem pressa
a derramar o azul calado
em suas pétalas
quarta-feira, 30 de junho de 2021
delicadezas
1
Tem os que passam, de Alice Ruiz
Tem os que passam
e tudo se passa
com passos já passados
tem os que partem
da pedra ao vidro
deixam tudo partido
e tem, ainda bem,
os que deixam
a vaga impressão
de ter ficado
Amanhecimento, de
Elisa Lucinda
De tanta noite que dormi contigo
no sono acordado dos amores
de tudo que desembocamos em amanhecimento
a aurora acabou por virar processo.
Mesmo agora
quando nossos poentes se acumulam
quando nossos destinos se torturam
no acaso ocaso das escolhas
as ternas folhas roçam
a dura parede.
nossa sede se esconde
atrás do tronco da árvore
e geme muda de modo a
só nós ouvirmos.
Vai assim seguindo o desfile das tentativas de nãos
o pio de todas as asneiras
todas as besteiras se acumulam em vão ao pé da montanha
para um dia partirem em revoada.
Ainda que nos anoiteça
tem manhã nessa invernada
Violões, canções, invenções de alvorada...
Ninguém repara,
nossa noite está acostumada.
Eu-Mulher, de Conceição Evaristo
Uma gota de leite
me escorre entre os seios.
Uma mancha de sangue
me enfeita entre as pernas.
Meia palavra mordida
me foge da boca.
Vagos desejos insinuam esperanças.
Eu-mulher em rios vermelhos
inauguro a vida.
Em baixa voz
violento os tímpanos do mundo.
Antevejo.
Antecipo.
Antes-vivo
Antes – agora – o que há de vir.
Eu fêmea-matriz.
Eu força-motriz.
Eu-mulher
abrigo da semente
moto-contínuo
do mundo.
Fagulha, de Ana
Cristina César
Abri curiosa
o céu.
Assim, afastando de leve as cortinas.
Eu queria entrar,
coração ante coração,
inteiriça
ou pelo menos mover-me um pouco,
com aquela parcimônia que caracterizava
as agitações me chamando
Eu queria até mesmo
saber ver,
e num movimento redondo
como as ondas
que me circundavam, invisíveis,
abraçar com as retinas
cada pedacinho de matéria viva.
Eu queria
(só)
perceber o invislumbrável
no levíssimo que sobrevoava.
Eu queria
apanhar uma braçada
do infinito em luz que a mim se misturava.
Eu queria
captar o impercebido
nos momentos mínimos do espaço
nu e cheio
Eu queria
ao menos manter descerradas as cortinas
na impossibilidade de tangê-las
Eu não sabia
que virar pelo avesso
era uma experiência mortal.
domingo, 27 de junho de 2021
Sobre aquilo que não entra na minha cabeça
Sobre aquilo que não entra na minha
cabeça
Depois de tantos
anos vividos por mim, há fatos que não me entram pela cabeça a dentro. Por mais
que eu tente, falta-me o sentido, a razão e a lógica para compreender como
algumas ideias nascem, crescem e florescem nas mentes de muitos. Como e por que
há tantos, tão experientes como eu, que acreditam em historietas muy mal contadas? Como não percebem
aquilo que é óbvio? O que se passa na cabecita
daqueles que simplesmente não querem ver o mundo como ele é? Medo, desespero,
uma grande dificuldade cognitiva? Sei lá!?
Entre as coisas
que simplesmente não consigo entender estão:
1. A absurda
crença de que exista uma superioridade genética entre nós. Pois não, não há. Será
que esse povo já ouviu falar de um tal de homo sapiens? Pois é, cada um de nós,
seja lá quem formos (brancos, negros, amarelos, vermelhos, mestiços e etc. e
tal) temos nossos defeitos e qualidades. Temos todos a capacidade para a
genialidade e a bestialidade. Basta termos a chance para tal, pode apostar.
2. Como existe
uma extrema direita cristã? Alguém já explicou para eles que Cristo não era
branco e, ainda por cima, era judeu? Já?
3. Os
terraplanistas! Kkkkkkkkkkkkkk... Como pode, meu Deus?????? Onde vivem? O que
comem? Ou melhor, que droga eles usam para viver numa alucinação como essa 24/7?
4. Como alguém,
dono de todas as suas faculdades mentais, pôde chamar de mito ao Sr. Jair
Bolsonaro, um ser humano que tem muito de ser e pouquíssimo de humano? Das duas
uma: ou o brasileiro realmente não sabe o que significa a palavra mito ou... ou
anda com as ideias turvadas depois de tanto roubo e descaso, de tanta coisa errada
que acontece por cá. Será?
a.
Para clarear: mi·to (latim mythos, -i, fábula,
do grego mûthos, -ou, palavra, discurso, coisa dita, conto, história,
narrativa, ficção) substantivo masculino
1. Personagem, fato ou particularidade que, não tendo sido real,
simboliza não obstante uma generalidade que se deve admitir.
2. Coisa ou pessoa que não existe, mas que se supõe real.
3. Coisa só possível por hipótese; quimera.
4. Crença construída sobre algo ou alguém; mitologia: o mito da Fênix.
5. Ocorrência ou ação extraordinária, fora do comum, normalmente
excessiva e deturpada pela imaginação ou pela imprensa.
5. Por que ainda
há tanta gente que se preocupa com a opção sexual dos outros, principalmente, daqueles
que eles nem ao menos conhecem? Para mim interessa-me apenas a opção sexual de
quem sexualmente me interessa. Não deveria ser assim para todos, não?
6. E,
principalmente, por que todos os torcedores de outros times preocupam-se tanto
com a vida do meu Timão? Ah, não. Isso eu, como corintiana, entendo muito bem.
Quem não gostaria de ter nascido corintiano?!?! Kkkkkkkkkkkkkkkk...
brincadeirinha desta que adora provocar. ; D
Brincadeiras à
parte, essa foi uma semana difícil, de um mês difícil, de um ano... Ah, que
ano! Se a vida tem sido difícil para todos no mundo, imaginem só, os outros, o
que anda a vida dos brasileiros.
Tem sido penoso
e deprimente ser brasileiro no momento que, além de Covid-19, temos o Seu Jair
e sua prole do mal no comando, o Lula da Silva, outro ser “mitológico”,
querendo voltar ao comando, os Renans Calheiros da vida pululando, não apenas
em Brasília, com seu coronelismo moderno, e uma desigualdade social gigantesca
que nos assola enquanto engorda a olhos vistos.
Pois, não tem
sido fácil ser brasileiro. Falta inspiração e sobra “piração”, então, brincar um pouco com a lógica das coisas sem
lógica para mim, pareceu-me saudável. Pelo menos para mim.
Beijinhos à base
de muito café e vinho tinto para todos!
Posto que pensar
que mais de 500.000 brasileiros estão mortos à toa é de enlouquecer. Já que a
grande maioria dessas mortes não teria ocorrido, bastaria termos governantes
com retidão de caráter e somarmos a isso um pouco de bom senso, empatia e
seriedade de nossa parte.


